terça-feira, 4 de março de 2014

Para viver bem a Quaresma

Eurivaldo Silva Ferreira
Para viver bem a Quaresma no âmbito comunitário ou pessoal, enumero algumas sugestões, mas o/a leitor/a pode acrescentar outras, de acordo com sua possibilidade, abertura e condições:
·         Acolher nas liturgias, especialmente no tempo quaresmal e pascal, os que querem se aproximar do sacramento da Penitência, reconhecendo neles os verdadeiros necessitados de conversão, assim, os pressupostos teológicos da fé podem se unir à dinâmica do crescimento  da experiência cristã. Estes não podem estar separados daquele. O segundo não pode suplantar o primeiro. Trata-se de dois aspectos complementares da atividade santificadora da Igreja. Ao caminho e maturidade da fé, corresponde o caminho e maturidade do rito. A fé se exprime no rito e o rito reforça e fortifica a fé. A norma da oração é a norma da fé e vice-versa.
·       Usar atitudes inclusivas e não separatistas. Promover o dinamismo do ano litúrgico na vida da comunidade, permitindo que se viva cada tempo dentro de seu tempo específico, com suas propostas pedagógicas e seu itinerário adequado e místico.
·         Perceber nessas atitudes caminhos alternativos para o encaminhamento das lições tiradas da liturgia, dos textos bíblicos e eucológicos, dos ritos, a fim de que se possa levar para a vida da comunidade, sobretudo, no amparo àqueles que mais necessitam, seja dos sacramentos, da cura espiritual, seja das necessidades básicas para o desenvolvimento da vida (por exemplo, obras de caridade, distribuição de cestas básicas etc).
·         Neste sentido, entendemos que a liturgia celebrada pode dar luzes às questões temporais que homem e mulher podem enfrentar, sobretudo porque, o testemunho da Igreja em anunciar a misericórdia de Deus também pode ser vivenciado nas reuniões celebrativas, onde o povo tenha a livre iniciativa de poder expressar seus sentimentos, seus anseios e seus desejos, suas alegrias e suas tristezas, de tal modo que, possa a celebração litúrgica ser a porta para a entrada na vida comunitária.
·         Para se buscar e viver a misericórdia de Deus, seja no sentido pessoal, seja no sentido comunitário: depois do convite da Igreja ao sacramento do perdão (confissão), assumir as leituras bíblicas do dia, rezar um salmo, acender uma vela, colocar um ícone ou uma cruz, deixar um silêncio, fazer uma ação de graças: de manhã ou à noite, em casa, no quarto de um doente...
·         Respeitar a si mesmo/a, os próprios limites, reforçar o positivo das pessoas, optar por uma cultura de paz e preservação do meio ambiente, ser tolerante, participar das lutas pelas causas coletivas, de cunho ecológico, por exemplo... Na vida fraterna, dar sempre o primeiro passo em busca da unidade.

·         O perdão, como possibilidade de não aprisionar a si e aos outros nas consequências negativas dos seus atos, é condição para tornar a vida viável; pode ser visto como instrumento de cura interior, de abrir passagem para a dimensão divina de nós mesmos. Aquele que se conhece a si mesmo, com suas ambiguidades, pode compreender o outro em suas sombras. (cf. Jean Yves Lelup)

O tempo da Quaresma e sua evolução histórica


Eurivaldo Silva Ferreira[1]

            A Quaresma se desenvolve somente no século IV. Já no século III se faziam os batismos na vigília pascal, desde então, antes da realização dos batizados, surge um tempo mais intensivo de preparação dos catecúmenos, assim como nasce com ela um motivo de preparação dos penitentes que haviam ‘relaxado’ no caminho de batizados, a fim de que voltassem à fonte do batismo. É considerada então na liturgia como um tempo intenso de preparação para a festa da páscoa do Senhor.
            O retorno dos penitentes à assembleia litúrgica, depois de um longo período, era como que a prefiguração dos resgatados, considerados como ressuscitados de entre os mortos[2].
            O papa Leão Magno, em seus Sermões sobre a Quaresma destaca algumas características deste tempo: é um tempo em que se comemoram de modo especial os mistérios da redenção humana pela páscoa, por isso devemos nos preparar com a maior diligência por meio da purificação espiritual; é próprio da festa da páscoa fazer com que toda a Igreja se alegre com o perdão dos pecados (tanto os que serão batizados quanto os que pertencem à comunidade de fé); aquilo que se pratica a todo tempo, é agora solicitado a praticar com maior dedicação: jejum e obras de misericórdia[3].
            Lembrado como um sacramento, o tempo no período da Quaresma é-nos colocado como um itinerário simbólico-espiritual em que caminhamos para a páscoa, diz o nº 6 da Carta Preparatória para as Festas Pascais, que será celebrada de maneira ritual nos solenes dias do Tríduo Pascal, cuja apresentação é caracterizada pela narração da história dos fatos da paixão de Jesus contidos na Bíblia.
            O tempo quaresmal é marcado pelo calendário por um sinal pedagógico-espiritual simbolizado pelo número 40, que lembra um tempo de preparação para um grande acontecimento salvífico: luta, expectativa, esforço penitencial, em que no fim tudo encontra vida. O simbolismo do número é revestido de sua capacidade cósmica de transformação. Na Bíblia, o número 40 está destacado em várias etapas do povo judeu: 40 dias do dilúvio, 40 dias e noites de Moisés no Sinai, de Elias que caminha para Horeb, 40 anos do povo eleito no deserto, 40 dias durante os quais Jonas pregou a penitência em Nínive. Também em Jesus, quando vai para o deserto orar e é tentado pelo demônio. Em nosso contexto também lembramos a figura da mãe, que, logo após ter dado a luz, passa pelo período chamado de “resguardo” ou “quarentena”, isto é, de retomada ao estado natural de sua vida, já que, com a gravidez e o parto, ela sofreu uma grande transformação.



[1] Mestre em Teologia pela PUC/SP, com concentração em Liturgia. Especialista em Liturgia, pelo IFITEG-GO. Formado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC/SP. Membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica.
[2] cf. Orígenes, século II. In: Antologia Litúrgica, p. 266.
[3] cf. Antologia Litúrgica, p. 1026-1028.

Jejum e oração durante o tempo quaresmal: intuição pedagógica-espiritual acentuada nas atitudes do corpo e do espírito


Eurivaldo Silva Ferreira[1]           
            A Igreja nunca deixou de recomendar aos fiéis algumas práticas específicas dos tempos litúrgicos, pois, “segundo as instituições tradicionais, ela [a Igreja] aperfeiçoa a formação dos fiéis por piedosos exercícios da alma e do corpo, pela instrução, pela oração e pelas obras de penitência e misericórdia” (Sacrosanctum Concilium, 105). A reforma conciliar considerou que o próprio “Ano Litúrgico, principalmente pelo mistério pascal, alimenta devidamente a piedade dos fiéis” (SC, 107), conforme estes vão participando das celebrações ao longo de seu percurso.
            Dentre essas ‘práticas específicas’ e ‘obras de penitência e misericórdia’ citadas pelo Concílio Vaticano II, queremos dar destaque àquelas que aparecem no tempo da Quaresma, entendidas como: o jejum, a oração e a caridade. Encontramos na riqueza da Tradição da Igreja uma diversidade de recomendação quanto a essas práticas quaresmais, sobretudo vividas em continuidade com a prática das comunidades de Israel. Diz o nº 14 da PCFP:
A virtude e a prática da penitência permanecem partes necessárias da preparação pascal: da conversão do coração deve brotar a prática externa da penitência, quer para os cristãos individualmente quer para a comunidade inteira; prática penitencial que, embora adaptada às circunstâncias e condições próprias do nosso tempo, deve, porém, estar sempre impregnada do espírito evangélico de penitência e orientada para o bem dos irmãos.

            A recomendação do jejum, tomada da tradição bíblica, é uma atitude de despojamento que agrada a Deus, e que ao mesmo tempo nos aproxima dele. No século II, Barnabé, um doutor da escola de Alexandria, recomendava o jejum tal qual estava prescrito em Is 58,4-5. 6.10[2]. Na Didascália dos Apóstolos, há uma recomendação para que se faça jejum durante a Páscoa tal qual aquele recomendado ao povo judeu[3]. Orígenes, no século III, falava de uma outra forma de jejuar, como a que não sendo pela abstinência de alimentos[4]:
Queres que te mostre ainda o jejum que deves praticar? Jejua de todo o pecado, não tomes nenhum alimento de malícia, não aceites nenhum prato de volúpia, não te esquentes com nenhum vinho de luxúria. Faz jejum de ações más, abstém-te de palavras maldosas, guarda-te de pensamentos perversos... Um jejum deste gênero agrada a Deus...

            Agostinho diz não ter encontrado nos escritos evangélicos e apostólicos nenhum preceito claro que mande guardar o jejum em dias determinados, por isso vai se aconselhar com Ambrósio, que colocou o jejum como um dado cultural, ou seja, dependendo do lugar que estivesse, jejuava[5].
            Para Pedro Crisólogo, Pai da Igreja do século V, o jejum deve ser regado pela misericórdia, que é consequência do mesmo jejum. Assim, para os primeiros cristãos, tornar-se solidários aos outros era uma atitude de se tornar misericordioso ao outro, pois privar-se de algo para alimentar a outros é um sacrifício agradável a Deus (cf. Is, 58). Assim, os alimentos não consumidos no jejum destinavam-se à esmola e à caridade a quem mais necessitava.
            Sobre isso, São Leão Magno, papa e doutor da Igreja, fala de um agente externo que quer nos impelir para pecar, fazendo-nos esquecer da fonte do perdão: as tentações, dentre elas aquelas de já nos considerarmos perfeitos. O próprio mistério pascal, celebrado e vivido com mais intensidade por ocasião do tríduo pascal é a meta. Por isso também recomenda que ‘entremos na Quaresma com uma fidelidade maior ao serviço do Senhor’, nesse sentido, o jejum e a caridade são sinais externos para se vencer o mal, que cada vez mais quer se sobressair em nós[6].
            O modo de entendermos o jejum neste itinerário pascal nos remete a uma atitude espiritual: torna-se um caminho da graça, isto é, crescemos na intimidade com o Senhor, ao mesmo tempo em que movemos nossos afetos, reconfigurando-os aos afetos do Senhor, como uma obra de transformação, que também se desdobra em atenção ao outro, ao próximo. O alimento que se deixa de comer, a atitude que se deixa de tomar, deve ser tornado em benefício do próximo.
            O espírito deste tempo nos devota a nos empenharmos num grande desejo de transformação pessoal, tanto pelas atitudes internas e individuais (espirituais) quanto externas e sociais (cf. SC, 110). Esses gestos ganham sentido quando são significados em nosso corpo.
            O jejum se coloca então como um gesto simbólico, revestido de uma concepção externa, mas que atinge seu objetivo na interioridade: o corpo, sacrificando-se, possa com mais intensidade esperar pela páscoa. É apenas um sinal visível para despertar em nosso corpo a alegria de festejar a páscoa, que é a festa dos dons em abundância. O jejum também pode ser visto como uma ação de ir ao encontro dos outros, configurando o coração a Deus.
            Recomendados também como exercícios da alma e do corpo são a oração e a caridade (cf. SC, 105). A oração, porque é um dos pilares da fé. Principalmente a oração em comunidade pode ser colocada em relevo neste tempo. A caridade, traduzida pela esmola nos recorda que principalmente que a fé sem obras é morta. No ato da caridade todos podem também usufruir das alegrias pascais que é desejo de Deus, portanto ninguém se prive do desejo de Deus e dos dons pascais. Assim, a penitência, como esforço permanente e concreto, numa espécie de crescimento interno[7],.conforme a atitude dos primeiros cristãos, é ressignificada nas atitudes do corpo, que ouve a Palavra, que ora e que faz um esforço constante de abster de algo, em contínua preparação para o mundo novo que há de vir.
            Estes gestos e sinais vêm carregados de uma finalidade à qual nos faz conduzir o olhar para o dinamismo pascal e sua espiritualidade, os quais se faz mediante a graça, que nos modela e nos torna à estatura do próprio Cristo. Neste crescimento, que também podemos chamar de ascese[8], encontramos todo esforço para deixar paixões desenfreadas e mantermo-nos na sobriedade e no equilíbrio. São recomendações da Igreja para este tempo, sobretudo lembradas nas orações de Coleta dos domingos da Quaresma.
            Os espaços litúrgicos também são caracterizados deste recolhimento quaresmal, de modo que a visualização destes possa inspirar os fiéis no caminho da simplicidade e do despojamento. Por isso, a recomendação de se abdicar das flores nos presbitérios, do instrumento musical apenas como suporte apoiador dos cantores, da ausência do Glória e do Aleluia, que são elementos característicos de solenidades e festas. Além disso, o criterioso repertório de cantos rituais do tempo quaresmal seja escolhido tendo em vista sua proximidade aos textos litúrgicos (cf. PCFP, 17-19). Percebe-se o intuito pedagógico desta recomendação: a Igreja, templo e espaço da profissão de fé, que caminha austera no tempo quaresmal, também é da mesma forma convidada a fazer seu retiro espiritual.



[1] Mestre em Teologia pela PUC/SP, com concentração em Liturgia. Especialista em Liturgia, pelo IFITEG-GO. Formado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC/SP. Membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica.
[2] Antologia litúrgica, p. 118.
[3] Antologia litúrgica, p. 249.
[4] Antologia litúrgica, p. 256.
[5] Agostinho e Ambrósio encontravam-se em Milão, que mantinha o costume de não jejuar no sábado, enquanto que em Roma, o costume de jejuar no sábado era previsto (cf. Antologia litúrgica, p. 818).
[6] São Leão Magno, papa. Sermões sobre as coletas, a quaresma e o jejum de pentecostes. Petrópolis: Vozes, 1977.
[7] A Carta Preparatória para as Festas Pascais, de janeiro de 1988 explicita melhor o sentido da virtude e a prática da penitência, como “partes necessárias da preparação pascal: da conversão do coração deve brotar a prática externa da penitência, quer para os cristãos individualmente, quer para a comunidade inteira; prática penitencial que, embora adaptada às circunstâncias e condições próprias do nosso tempo, deve, porém, estar sempre impregnada do espírito evangélico de penitência e orientada para o bem dos irmãos e irmãs”.
[8] Ascese: é um termo teológico o qual designa o esforço que todo cristão faz, aberto à graça de Deus, para deixar que esta mesma graça atue em sua vida. Não é voluntarismo, sobretudo é a partir de nossa limitação que nos abrimos à graça. É uma atitude de querer vencer. É como o cego que encontra com Jesus e diz: ‘Senhor, eu quero ver’.

A Quaresma como tempo de exercício de renúncia ao mal


Eurivaldo Silva Ferreira 
            Se o rito da imposição das cinzas nos convidou ao caminho da conscientização da fragilidade do ser humano, o tempo da Quaresma vai, de domingo a domingo, fazendo esta lembrança e nos colocando em outro patamar, no patamar de que com a oração da Igreja nós conseguimos trilhar esse itinerário.
            Na tradição romana a Quaresma é marcada pelo constante exercício da reconciliação com Deus. Este conceito está presente na introdução do rito da Renovação das Promessas do Batismo na Vigília Pascal[1], quando diz:
Meus irmãos e minhas irmãs, pelo mistério pascal fomos no batismo sepultados com Cristo para vivermos com ele uma vida nova. Por isso, terminados os exercícios da Quaresma, renovemos as promessas do nosso batismo, pelas quais já renunciamos a Satanás e suas obras, e prometemos servir a Deus na Santa Igreja Católica.
            A oração espera que os exercícios da Quaresma tenham sido vividos na linha da reconciliação e da penitência, exteriorizados pelas atitudes do corpo (jejum, oração e caridade). Quando a Igreja nos convida a renunciar ao mal, ela nos convida a não esmorecer no caminho. De fato, se a Igreja foi gerada pelo Batismo, e continuamente ela nos convida a permanecer nessa realidade, como que sendo uma realidade pascal em si mesma[2].
            Anselm Grüm, comentando sobre a despedida no sacramento da Penitência e Reconciliação, em que os presbíteros depois da confissão expressam com a fórmula: “O Senhor perdoou seus pecados. Vá em paz”, diz que considera realmente importante que o presbítero transmita à pessoa essa bênção divina como rito de despedida, e a anime a não esmorecer, mas a trilhar seu caminho confirmado na misericórdia de Deus. E continua afirmando que nem tudo será bem sucedido nesse caminho, mas ela poderá saber que sempre e em todos os lugares estará cercado pela presença salutar e amorosa de Deus[3]. Da mesma forma, faz a Igreja com as orações e os ritos. Usa uma pedagogia de sempre querer que permaneçamos no caminho do bem, desviando daquilo que é mal.
            Intenção parecida nós encontramos na Oração de exorcismo feita sobre os catecúmenos (cf. RICA, p. 86):
Oremos, Deus todo poderoso e eterno, que nos prometestes o Espírito Santo por meio do vosso Filho Unigênito, atendei a oração que vos dirigimos por esses catecúmenos que em vós confiam. Afastai deles todo o espírito do mal, todo o erro e todo o pecado, para que possam tornar-se templos do Espírito Santo. Fazei que a palavra que procede da nossa fé não seja dita em vão, mas confirmai com aquele poder e graça com que o vosso Filho Unigênito libertou do mal este mundo. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
            Do mesmo modo, o Ritual da Penitência apresenta a seguinte expressão em uma de suas fórmulas de convite do presbítero, ao receber aquele que vai confessar seus pecados: “Aproxima-te cheio de confiança no Senhor, que não deseja a morte do pecador, mas que se converta e viva”[4].
            A fundamentação bíblica desta perseverança no itinerário do bem nós a encontramos na Carta de São Paulo aos Romanos no capítulo 6: viver uma vida nova; sepultados com Cristo; evento batismal como participação na morte e ressurreição de Cristo, que são os temas da 7ª leitura na noite da Vigília Pascal. Semelhante recomendação Paulo faz também em Colossenses 3,1-4: buscar as coisas do alto e não da terra; vida nova com Cristo, em Deus. Paulo insiste que a vida [nova] é um dom de Deus, por isso devemos ter uma postura de convertidos.
            Portanto, no Tempo da Quaresma, vivido como itinerário pedagógico na conduta da fé, consequentemente de uma espiritualidade que deságua em fazer-nos convertidos, na troca das atitudes más pelas boas, encontramos as seguintes propostas da Igreja, que, com seus ritos e preces, espera de nós:
  •     Voltarmos a uma atenção geral ao mistério pascal (viver conforme vive quem é ressuscitado);
  •         Percorrermos um itinerário batismal (para os que ainda não estão inseridos na comunidade);
  •      Correspondermos a uma vida pautada na ética e na comunhão com os outros, isto é, colaborando no plano do Reino, em paz com o mundo, com os outros e com o cosmos, em atitude de respeito e cooperação (mudança de vida implica em vida comunitária, isto inclui também a atitude ecológica, o respeito ao planeta);
  •    Apoiarmos nossa caminhada num caráter todo cristológico e pascal (que permeia não só a Quaresma, mas todos os outros tempos litúrgicos);

            E, de nossa parte, é preciso também observarmos que este itinerário quaresmal:
  •    Implica em graça, por parte de Deus, e da nossa parte um esforço para tentarmos viver e permanecer nessa graça.
  •      Consiste em vivermos como num grande retiro, deixando que a Palavra de Deus nos questione, trazendo luz naquilo que necessita de conversão.
  •        Exige de nossa parte uma renovação das promessas, num constante desejo de vivermos uma vida nova e de permanecer nesta vida nova.

            Ajuda-nos neste sentido a especial recomendação do nº 12 da PCFP que orienta aos presbíteros:
Sobretudo nas homilias do domingo seja ministrada a instrução catequética sobre o mistério pascal e sobre os sacramentos, com explicação mais cuidadosa dos textos do Lecionário, sobretudo as perícopes do Evangelho, que ilustram os vários aspectos do Batismo e dos outros sacramentos e também a misericórdia de Deus.



[1] Cf. Missal Dominical, Missal da assembleia cristã, p. 349.
[2] Bergamini, A. Verbete QUARESMA. In: Dicionário de Liturgia, p. 984.
[3] Grüm, Anselm. Penitência, celebração da reconciliação. São Paulo: Loyola, 2006, p. 51.
[4] Cf. Ritual da Penitência, p. 62.

A evolução histórica do itinerário do Ciclo Pascal


Eurivaldo Silva Ferreira[1]

“Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal” (Paulo VI, papa).

            O desenvolvimento da festa anual da Páscoa tem suas raízes nas comunidades do século II[2], que, a partir das palavras de Paulo trataram de acrescentar ritos próprios a uma festa que teve sua origem no judaísmo[3]. O que era então celebrado a cada domingo, passou a ser lembrado também anualmente, a exemplo dos judeus, numa ocasião solene, como sendo um domingo maior. Em torno disso se desenvolvem o tríduo e os 50 dias da páscoa. O pentecostes é mais primitivo que a quaresma, tendo sua origem na liturgia judaica e fundamentada no AT.
            Não deixando de lado a compreensão judaica, que lembrava a passagem do anjo do Senhor para libertar os que sofriam na escravidão do Egito, fato memorial lembrado pelos judeus, ou a páscoa dos judeus (cf Ex 12,1-14), os cristãos agora celebravam a páscoa como sendo a intervenção de Deus na história, ocasião em que liberta, com o seu Filho, aqueles que desejam fazer a passagem da morte para a vida. A memória, então, não se faz mais no sentido de comemorar um feito histórico (como assim o era na liturgia judaica), mas é interpretada pela ação de Jesus, com sua paixão, morte e ressurreição. Assim a festa deixa de ter caráter cronológico, apropriando-se de um sentido novo. A partir daí a separação entre festa pascal judaica e cristã. Esta última acrescida de ritos próprios e nãos mais judeus[4].
            Esses ritos próprios dos cristãos deram origem ao culto da igreja que nasce da páscoa para celebrar a páscoa[5]. Segundo Bergamini, essa festa era caracterizada pela vigília do domingo, e perdurou como sendo uma celebração semanal, no domingo, nos períodos do início da história da Igreja, que compreendem os século de I a IV, logo influenciada pela pelas comunidades cristãs que provinham do judaísmo, passou a ser celebrada anualmente, como sendo o ‘grande domingo’[6].
            Somente no século IV é que se estabelecem definitivamente outros dois aspectos a essa festa, precedida por um tempo de preparação e prorrogada por um tempo específico, este último considerado como um espelho ou reprodução desta mesma festa[7].
            Gregório Magno, no século IV, conclui o ponto alto do desenvolvimento do ciclo pascal, estabelecendo duas tendências fundamentais: uma de caráter histórico, adaptando o ciclo pascal às etapas históricas da paixão e ressurreição de Cristo, e outra, de caráter pastoral, em que utiliza a liturgia, visando a edificação espiritual dos fieis[8].
            É também no século IV que o drama da paixão de Jesus é distribuído em vários momentos, tendo em vista um apego maior à historicização dos fatos, conforme os relatos bíblicos. Como já havia a prática de batismo de adultos na vigília do domingo e a reconciliação dos penitentes antes da festa maior, a celebração da páscoa foi acrescida de um tempo de preparação, também inspirado nos ‘quarenta dias bíblicos’, que hoje chamamos de Quaresma[9].



[1] Mestre em Teologia pela PUC/SP, com concentração em Liturgia. Especialista em Liturgia, pelo IFITEG-GO. Formado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC/SP. Membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica.
[2] Cf. testemunho de Eusébio de Cesareia, citado por J. Castellano, no verbete QUARESMA (Dicionário de Espiritualidade, Paulinas-Loyola, 2012, p. 2127).
[3] Cf. 1Cor 11,23-24: ...o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse..., que, segundo a Bíblia de Jerusalém, esse texto se coloca próximo ao de Lc 22,19-20.
[4] Dicionário Patrístico e de Antiguidades bíblicas, verbete ANO LIITÚRGICO, p. 104.
[5] Bergamini, A. Dicionário de Liturgia. Verbete ANO LITÚRGICO, p. 58.
[6] Bergamini, A. Dicionário de Liturgia. Verbete ANO LITÚRGICO, p. 59.
[7] Dicionário Patrístico e de Antiguidades bíblicas, verbete ANO LIITÚRGICO, p. 104.
[8] Dicionário Patrístico e de Antiguidades bíblicas, verbete ANO LIITÚRGICO, p. 104.
[9] Bergamini, A. Dicionário de Liturgia. Verbete ANO LITÚRGICO, p. 59.

O rito da imposição das cinzas: uma ação gestual como caminho pedagógico da fé

A imagem do Filho Pródigo, de He Qi, artista chinês, é a que uso para ilustrar meu artigo, reportando o retorno à condição batismal, o seio do Pai, imagens tão propícias do tempo quaresmal.


Eurivaldo Silva Ferreira[1]
Introdução e contexto histórico do rito   
            No início da Quaresma, o símbolo das cinzas, imposto em nossas cabeças numa ação ritual, lembra-nos da caducidade da vida humana (somos pó e ao pó retornaremos).
            A oração que invoca a bênção de Deus sobre as cinzas lembra aquele antigo sinal dos penitentes: cobrir-se de cinzas enquanto permaneciam ‘afastados’ da comunidade:
Ó Deus, que vos deixais comover pelos que se humilham e vos reconciliais com os que reparam suas faltas, ouvi como um pai as nossas súplicas. Derramai a graça da vossa bênção sobre os fiéis que vão receber estas cinzas, para que, prosseguindo na observância da Quaresma, possam celebrar de coração purificado o mistério do vosso Filho. Por Cristo, nosso Senhor. Amém[2].
            Nas comunidades primitivas, os primeiros cristãos, quando cometiam algo grave, eram expulsos da comunidade. Eram denominados de pecadores ou penitentes públicos, por isso a necessidade de penitenciar-se para poder voltar ao seio da comunidade. Eles costumavam se cobrir de cinzas do lixo. Era um sinal visível do penitente que expressava a ideia de que algo foi queimado. No fundo, a imagem é a de que somos transitórios aqui na nossa existência, por isso aquilo que não presta, o lixo, deve ser queimado, ser deixado para trás.
            Na quinta-feira da última semana da Quaresma, o bispo acolhia esses penitentes, eram apresentados à comunidade e participavam da celebração da Ceia do Senhor. Não eram mais considerados ‘excomungados’, e retornavam ao seio da comunidade cristã. Nas Constituições Apostólicas há relatos de orações sobre os penitentes durante a liturgia, e assim que isso acontecia, eram convidados a retirar-se do templo, pois ainda continuavam percorrendo o caminho da iniciação à vida cristã[3].
            Seguindo a tradição dos séculos anteriores, no século V Ambrósio introduziu uma liturgia para a chamada ‘reconciliação dos penitentes’, sobretudo na quinta-feira da Ceia do Senhor, pela manhã, ocasião em que, depois de terem cumprido sua penitência, eram admitidos novamente à comunidade de fé[4].
            No tempo da Quaresma, Agostinho insiste de modo particular na preparação dos catecúmenos, ocasião em que os exorcismos substituem a prática da reconciliação dos penitentes, por força do ordinário romano, constando então de um terceiro elemento que torna visível o fim da Quaresma[5].
            No séxulo X Reginão de Prum desenvolveu um rito próprio para a imposição das cinzas nos penitentes na Quarta-feira de Cinzas e seu regresso à comunidade na Quinta-feira Santa, completando-o com as fórmulas do Pontifical romano-germânico[6].
            O gesto da imposição das cinzas passou para toda a comunidade a partir do decreto do papa Urbano II, no século XI, lembrando o sentido da conversão[7].
            O rito da imposição das cinzas surge da tradição bíblica, e é conservado até hoje na prática eclesial, indicando a condição de pecador do ser humano, ao mesmo tempo em que este confessa a sua culpa diante de Deus e exprime sua vontade de conversão interior, na esperança que o Senhor seja misericordioso para com ele[8]. O rito era destinado apenas a pecadores públicos, mas foi estendido a todos os fieis, no intuito de fazer com que todos se sentissem no dever de confessar os pecados e fazer penitência[9], mas ele alcança sua meta na celebração do sacramento da Penitência e Reconciliação nos dias antes da Páscoa[10].
           

Um olhar sobre o rito e sua densidade teológica

            A vontade da ação de Deus em querer se reconciliar com aqueles que passaram pela prova de fogo da penitência é o centro teológico da oração, isto é, o reencontro conciliador com aquele que deseja o seu retorno à condição primeira. De fato, no Salmo 50, o salmista pede para que ‘Deus não retire dele o seu santo espírito’, isto é, que ele continue a ter a intenção de uma vida moral e espiritual.
            O tema da reconciliação, tratado como ‘mistério’, pelo qual é exercido por Jesus Cristo, é recordado por Paulo na 2ª leitura desta noite (2Cor 5,20-6,2) e retomado na 2ª leitura do 4º Domingo da Quaresma – Ano C, citando agora os trechos dos versículos 17 a 21, no qual diz que por Cristo, “tudo agora é novo”, significando a transformação da vida espiritual operada pela morte de Cristo, como a novidade, a volta do exílio e esperança de um mundo novo (cf. Is 65,17)[11], por sua vez, a vontade da reconciliação humana querida por Deus, que ouve nossas súplicas como um pai.
            O sinal sacramental que conduz a assembleia a um entendimento pedagógico-espiritual do sentido do retorno é dado pelo gesto do recebimento das cinzas sobre aqueles que dela receberem, lembrando que, neste processo – conforme segue a própria oração – neste tempo em que farão memória de sua condição de pecador, possam ‘prosseguir na observância requerida pelo próprio tempo da Quaresma’ (Oração Coleta do 1º Domingo), praticando as obras da caridade (cf. Prefácio da Quaresma I), despojamento[12] e permanecendo firmes na oração (cf. Oração Coleta do 3º Domingo). Só assim é que “poderão celebrar de coração purificado o mistério pascal de Jesus Cristo” (Oração Coleta do 2º Domingo e Prefácio da Quaresma I).
            Segundo a Tradição, os que presidiam o rito da imposição das cinzas, choravam pelos penitentes que em breve seriam ‘afastados’ da comunidade. No Missal reformado pelo Concílio Vaticano II, o ato de comover-se ou chorar foi introduzido como sendo uma ação de Deus na oração de bênção sobre as cinzas, e não mais uma atitude daqueles que presidiam a celebração, o que poderia, em nossa opinião, ser considerado como um teatro: “Ó Deus, que vos deixais comover pelos que se humilham”. Portanto, o início da oração é um chamativo bem propício ao tempo, pois no gesto da humilhação (a confissão dos pecados e o reconhecimento do ser pecador) encontra-se o sentido que podemos chamar de escatológico: o de que Deus quer reunir no final dos tempos a comunidade dos justos, tendo em vista a declaração final da glorificação do Filho (cf. Lumen Gentium, 2, 51 e 69).
            Na frase seguinte da oração, em que afirma que ‘Deus se reconcilia com os que reparam suas faltas’, encontra-se a atitude espiritual do gesto daquele que é considerado pecador, isto é, o reencontro conciliador com aquele que deseja o seu retorno à condição primeira. De fato, no Salmo 50, o salmista pede para que ‘Deus não retire dele o seu santo espírito’, isto é, que ele continue a ter a intenção de uma vida moral e religiosa.
            Trabalhado na catequese dos Pais da Igreja, o gesto da reconciliação também estava ligado a uma atitude penitencial, como a de pedir desculpas ao outro, por exemplo. No percurso da vida, era um gesto exigido moralmente pelos Pais da Igreja, até mesmo em situações de perigo iminente de morte[13].
            Com essas duas atitudes ligadas a Deus (reconciliação e reparação), é que o presidente convida a assembleia à escuta, simbolizada pelo gesto do recebimento das cinzas.
            O Missal Romano propõe duas possibilidades de oração de bênção das cinzas. Numa das opções de oração do Missal Romano a bênção de Deus é solicitada para que se derrame sobre os fiéis que receberão as cinzas, e não sobre as cinzas. A outra possibilidade pede que Deus abençoe as cinzas.
            Embora o Missal Romano apresente essas possibilidades, no texto que antecede a oração inicial, quem preside pede a ‘Deus Pai que abençoe com a riqueza da sua graça estas cinzas, que vamos colocar sobre as nossas cabeças em sinal da penitência’. Em nosso entendimento, a primeira opção dada pelo Missal Romano é a mais adequada, uma vez que entendemos que o texto litúrgico nos trate como pecadores, ao mesmo tempo não invalida a graça recebida por ocasião do nosso batismo. Neste caso, a liturgia não usa o sinal cósmico para representação da sacramentalidade, mas nos remete a um princípio pedagógico para explicar-nos a experiência da graça, isto é, viver como seres reconciliados é viver com a lembrança da eterna páscoa em nós, a lembrança do batismo.
            As cinzas nos remetem à lembrança de que somos pó. Saber que somos pó é símbolo da destruição (os grãos, quando moídos, podem ser reduzidos a pó, por exemplo). Sabendo disso, o rito nos faz conscientes de sermos merecedores da graça. O próprio Missal Romano traz uma nota de rodapé em que especifica e justifica a escolha tanto de uma como de outra oração, pois as duas têm função e significado diversos.

A imposição das cinzas e o rito aplicado à vida
            O sinal sacramental que conduz a assembleia a um entendimento pedagógico-espiritual é dado pelo gesto do recebimento das cinzas sobre aqueles que dela receberem, lembrando que, neste processo – conforme segue a própria oração – neste tempo em que farão memória de sua condição de pecador, possam ‘prosseguir na observância requerida pelo próprio tempo da Quaresma’ (praticando as obras da caridade, despojando-se e firmes na oração). Só assim é que ‘poderão celebrar de coração purificado o mistério pascal de Jesus Cristo’.
            A visão externa do gesto simbólico da imposição das cinzas remete à conversão, ou seja, que se faça um roteiro para uma mudança de vida (nas atitudes), é o apelo solícito da Igreja para o retorno ao marco inicial da fé (o fato de reconciliar-se com Deus, imagem prefigurada pelo batismo). Em outras palavras podemos até usar a pedagogia da imagem da mãe que educa o filho no caminho do bem, ao recomendar aquelas orientações que são próprias do ser maternal, preocupando-se o tempo todo com o bem-estar do filho.
            Na pedagogia contextual da celebração da Quarta-feira de Cinzas, que abre o tempo da Quaresma, ao analisarmos a oração da Liturgia da Penitência, entendemos então que celebrar a reconciliação é marcar a atitude espiritual expressa pelo tempo. Portanto, o que se experimenta na ação litúrgica pode e deve ser levado para a vida[14].
            O rito tem ressonância em todo tempo quaresmal, sobretudo no 1º Domingo da Quaresma, a PCFP faz uma leitura pedagógica do sinal sacramental de nossa conversão, ao sugerir que não se falte neste domingo os elementos que sublinham essa atitude, e cita como exemplo o canto da ladainha de todos os santos na procissão de entrada na celebração deste dia.
            Expressando no canto da ladainha os sinais da conversão, encontramos no exemplo dos santos e santas aqueles que souberam “progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa”, conforme diz a Oração Coleta do 1º Domingo da Quaresma. Da mesma forma, são estes que, tendo em sua vida desejado o Cristo através do sinal do pão eucarístico, souberam devotar as suas vidas nutridos pela fé, esperança e caridade, ao mesmo tempo vivendo de toda palavra que sai da boca de Deus, conforme diz a Oração depois da comunhão deste domingo.
            Enfim, a Igreja se serve de práticas adequadas para completar a formação do povo fiel. Essas práticas têm origem e fundamentação na Palavra de Deus e estão coadunadas com a lembrança do mistério pascal no decorrer das celebrações ao longo do Ano Litúrgico (cf. Sacrosanctum Concilium, 105). Encontramos aqui um veio pedagógico já intuído na eucologia e nos ritos da Igreja, que finca suas raízes na Sagrada Escritura. É dos ritos que tiramos nossa força de sustentação na fé e a aplicamos à vida.
            Fiquemos com as recomendações dos Sermões do papa Leão Magno que destaca algumas características deste tempo quaresmal:
[A Quaresma] é um tempo em que se comemoram de modo especial os mistérios da redenção humana pela páscoa, por isso devemos nos preparar com a maior diligência por meio da purificação espiritual; é próprio da festa da páscoa fazer com que toda a Igreja se alegre com o perdão dos pecados (tanto os que serão batizados quanto os que pertencem à comunidade de fé); aquilo que se pratica a todo tempo, é agora solicitado a praticar com maior dedicação: jejum e obras de misericórdia[15].

           
           
           
             

 



           






[1] Mestre em Teologia pela PUC/SP, com concentração em Liturgia. Especialista em Liturgia, pelo IFITEG-GO. Formado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC/SP. Membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica.
[2] Missal Dominical, Missal da assembleia cristã, p. 144
[3] Dicionário Patrístico e de Antiguidades bíblicas. Verbete ANO LITÚRGICO, p. 104.
[4] Dicionário Patrístico e de Antiguidades bíblicas. Verbete ANO LITÚRGICO, p. 104.
[5] Dicionário de San Agustin, Burgos: Monte Carmelo, 2001, p. 241.
[6] cf. Antologia Litúrgica. Textos litúrgicos, patrísticos e canônicos do primeiro milênio. Fátima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2003, pp. 1488-1490.
[7] Dicionário Patrístico e de Antiguidades bíblicas. Verbete ANO LITÚRGICO, p. 104.
[8] PCFP, 21, 1988.
[9] Comentário inicial da Missa de Quarta-feira de Cinzas do Missal Cotidiano, Edição de 1947, p. 161.
[10] PCFP, 21 e 37.
[11] Missal Dominical (Missal da Assembleia cristã). São Paulo: Paulus, 1995, 6ª edição, p. 144.
[12] O despojamento é consequência do jejum: A recomendação do jejum, tomada da tradição bíblica, é uma atitude de despojamento que agrada a Deus, e que ao mesmo tempo nos aproxima dele. No século II, Barnabé, um doutor da escola de Alexandria, recomendava o jejum assim como estava prescrito em Is 58,4-5. 6.10 (cf. Antologia litúrgica. Textos litúrgicos, patrísticos e canônicos do primeiro milênio. Fátima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2003, p. 118).
[13] Cipriano, século III. In: Antologia Litúrgica. Textos do primeiro milênio. Fátima: Secretariado Nacional de Liturgia, p. 297.
[14] É o que recomenda o nº 10 da SC: “conservem na vida o que receberam pela fé”.
[15] cf. Antologia Litúrgica, Textos litúrgicos, patrísticos e canônicos do primeiro milênio. Fátima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2003, pp. 1026-1028.