domingo, 29 de janeiro de 2012

La Quaresima: origine e il significato di tempo per preparare la Pasqua del Signore

Eurivaldo S. Ferreira
La celebrazione della Messa di Domenica ha avuto la sua origine. La Domenica è stato così importante per le comunità che sono state il primo incontro settimanale della giornata fondamentale per la celebrazione del mistero pasquale, cioè, per commemorare la Pasqua di Cristo. Gli ebrei che stavano insieme al gruppo di cristiani hanno influenzato anchequeste comunità nelle loro celebrazioni. La sensibilità di queste comunità orientata verso la celebrazione della Pasqua ha fatto sì che i primi cristiani di organizzare un festival annuale della Pasqua, questa che ruota attorno il cammino di Cristo dalla morte alla resurrezione. Intorno a questo festival annuale tutte le altre celebrazioni si formano, dando origine al Triduo pasquale, come la conosciamo oggi: la Croce Venerdì, Sabato del Tomba e Domenica la risurrezione, così chiamata S. Agostino.
Tale era l'accento che le comunità hanno dato la risurrezione del Signore, che Sabato sera è diventato importante perché, secondo l'usanza ebraica, come già 6:00 del giorno successivo. Pertanto, in vista del raduno festoso di Domenica della risurrezione, la gioia della Pasqua è venuto per essere segnata dalla grande veglia di Domenica, Sabato sera, ore e giorni in cui sono stati memoria di chi è andato dalle tenebre alla luce grandi. Il sabato poi è diventato segnato dalla celebrazione della veglia pasquale, in cui vengono letti i testi e le preghiere di recuperare il significato della Pasqua del Vecchio Testamento. Questa gioia è stata estesa a 50 giorni dopo la festa della Pasqua, che noi ora chiamiamo tempo pasquale, culminato nella grande festa di Pentecoste.
Storicamente ci sono elementi forti a considerare di estendere la Pasqua, una sorta di "dopo". Ma ciò che la "prima", come ha fatto? Come poi è venuto il tempo di Quaresima nella Chiesa?
Nella metà del III secolo si era già parlato quello che è successo battezzato la notte della Veglia pasquale. Inoltre, prima del Venerdì della Passione, Tertulliano, nella Chiesa d'Oriente, è stata una preparazione per quelli che attraversano le acque del battesimo, chiamato la Messa "riconciliazione dei penitenti". Questo fatto, eminentemente battesimale ha dato origine al tempo quaresimale, proprio perché questa volta si è sviluppata in un periodo segnato dalla dedizione alla preparazione degli ultimi a essere battezzati sono stati chiamati catecumeni.
La Carta di preparazione per le feste di Pasqua, Paschalis sollemnitatis, 1988, indica il tempo di Quaresima come un tempo con una doppia caratteristica: l'incontro tra coloro che sono battezzati e dei fedeli. Si dice anche che questo contiene la grazia che viene da Dio penitenziale. Noi viviamo nella grazia attraverso i canali forniti dalla Chiesa, i catecumeni in preparazione per l'a missione ai sacramenti dell'iniziazione cristiana, ei fedeli, attraverso l'ascolto più frequente della Parola di Dio e una più intensa preghiera, penitenza ornata da atteggiamenti, rinnovare le promesse battesimali.
Così qui è la ragione principale, il cui tempo di Quaresima, la Chiesa ci offre, in modo che la preparazione per la Pasqua del Signore può ravvivare la fede di coloro che non sono cristiani praticanti o che possono avere dimenticato la loro fede. Pertanto, i catecumeni ei fedeli sono riuniti nella stessa celebrazione, e sono in discussione dalla stessa Parola di Dio che risuona nei loro cuori. Queste celebrazioni della Quaresima è caratterizzata dauna pedagogia catecumenale. A proposito di questa pedagogia della Chiesa deve tracciare il loro cammino di fede, che sono contrassegnati da tre fasi principali o momenti: il momento della fede e di conversione, con la decisione fondamentale per Cristo, attraverso il contatto con la Parola di Dio, il momento liturgico e sacramentale, che inserisce nel mistero di Cristo e della Chiesa i catecumeni non ancora battezzati e il battesimo laborioso il sacramento della penitenza, coloro che sono già battezzati e confermati, al momento una partecipazione più profonda e più pieno nella vita e nella missione della Chiesa, che noi chiamiamo anche tempo della mistagogia.
In La Quaresima, ricordando il nostro battesimo, ci ricordiamo che la grazia con cui siamo entrati in un giorno, immersioni in acqua dello Spirito, rinascere a nuova vita. In realtà, il tempo quaresimale, in vigore sacramentale, ci mette in disponibilità ad ascoltare la Parola e la preghiera sono elementi essenziali che devono anche essere vissuto durante tutto l'anno liturgico, ma che la Chiesa richiede un'attenzione particolare e più attenta in questo momento. Poi, l'azione del memoriale battesimo a quelli già iniziati alla fede, ci rendiamo conto di ascolto della Parola, pregare e di celebrare comunità in un insieme di memoria identici Pasqua di Cristo stesso.
Nel corso dei cinque domeniche di Quaresima, 2012, per ascoltare le letture di B dell'anno, che propone una serie di testi incentrata sul mistero della Croce gloriosa di Cristo secondo San Giovanni, il nostro cuore aperto all'ascolto della Parola di Dio che questa volta ci offre, in noi realizzare la vera conversione, il desiderio di rispondere al suo amore, vivendo una vita santa (cfr Orazione colletta per il Domenica 1 di Quaresima).
Così, come la Regola di san Benedetto, con la gioia dello Spirito Santo e pieno didesiderio spirituale attendono santa Pasqua.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Tempo Comum

Tempo Comum
 
Fr. Marcos Sassatelli
Frade Dominicano. Doutor em Filosofia e em Teologia Moral. Prof. na Pós-Graduação em DD.HH. (Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil/PUC-GO). Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arq. de Goiânia. Admin. Paroq. da Paróquia N. Sra. da Terra
extraído de www.adital.com
"Quem diz que está com Jesus, deve comportar-se como Ele se comportou” (1Jo 2, 6)

O Tempo Comum é o mais extenso do Ano Litúrgico e se compõe de duas partes. A primeira parte começa no dia seguinte à celebração da festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes do início da Quaresma. A segunda parte começa na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1º domingo do Advento (Cf. Normas sobre o Ano Litúrgico e o Calendário – NALC, 44).

No Ano Litúrgico, o Tempo Comum "nos possibilita desfrutar de aspectos da vida e da missão de Jesus e seus discípulos, que não são contemplados nos Tempos do Natal e da Páscoa. Cada domingo do Tempo Comum tem o sabor de ‘Páscoa semanal'” (CNBB. Guia Litúrgico Pastoral. 2ª edição. Edições CNBB, Brasília, p. 88).

"A tônica dos 33 (ou 34) domingos do Tempo Comum é dada pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do Evangelho proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito do fim dos tempos. Neste Tempo, temos também as festas do Senhor e a comemoração das testemunhas do mistério pascal (Maria, Apóstolos e Evangelistas, demais Santos e Santas)” (Ib., p. 13).
Ora, se o Tempo Comum "nos coloca no seguimento de Jesus”, podemos perguntar-nos: o que significa ser seguidores e seguidoras de Jesus hoje, no mundo em que vivemos?

A meu ver, ser seguidores e seguidoras de Jesus (discípulos missionários e discípulas missionárias), significa:


1. Conhecer experiencialmente o Projeto de Deus a respeito do Ser humano e do Mundo, que é o Reino de Deus;


2. Aderir vivencial e conscientemente a esse Projeto;


3. Comprometer-se com ele, fazendo-o acontecer na história, que é um processo contínuo, dinâmico, contraditório e aberto à transcendência, ou seja, à plenitude do Reino de Deus, à plenitude da vida e da felicidade.
"Vendo Jesus que ia passando, João Batista apontou: ‘Eis aí o Cordeiro de Deus'. Ouvindo essas palavras os dois discípulos (que estavam com João Batista) seguiram a Jesus. Jesus virou-se para trás e, vendo que o seguiam, perguntou: ‘O que é que vocês estão procurando?' Eles disseram: ‘Mestre, onde moras?' Jesus respondeu: ‘Venham, e vocês verão'. Então eles foram e viram onde Jesus morava. E começaram a viver com Ele naquele mesmo dia” (Jo 1, 36-39). O compromisso de seguir Jesus brota sempre do testemunho de alguém (nesse caso de João Batista) e da experiência do encontro com o próprio Jesus.
Comprometer-se, pois, com o Projeto de Deus, fazendo-o acontecer na história, significa:


3.1. Inserir-se na realidade, isto é, estar "por dentro", ter uma "consciência crítica”.
"Como Cristo, por sua Encarnação ligou-se às condições sociais e culturais dos Seres humanos com quem conviveu; assim também deve a Igreja inserir-se nas sociedades, para que a todas possa oferecer o mistério da salvação e a vida trazida por Deus” (Concílio Vaticano II. A atividade missionária da Igreja - AG, 10).


3.2. Interpretar a realidade e os acontecimentos à luz do Evangelho e, ao mesmo tempo, o Evangelho à luz da realidade e dos acontecimentos.
"Para desempenhar sua missão, a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da vida presente e futura e de suas relações mútuas. É necessário, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática" (Concílio Vaticano II, A Igreja no mundo de hoje - GS, 4)..

"Como discípulos de Jesus Cristo, sentimo-nos desafiados a discernir os 'sinais dos tempos' à luz do Espírito Santos, para nos colocar a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio para que todos tenham vida e 'para que a tenham em plenitude' (Jo 10,10)" (Documento de Aparecida - DA, 33).


3.3. Transformar a realidade, fazendo acontecer o Ser humano Novo e o Mundo Novo.
"Testemunhamos o nascimento de um novo humanismo (acrescentamos hoje: e de um novo naturalismo) no qual o Ser humano se define, em primeiro lugar, por sua responsabilidade perante os seus irmãos e a história (acrescentamos hoje: e toda a natureza)” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje - GS, 55).


Enfim - para os seguidores e seguidoras de Jesus - transformar a realidade, fazendo acontecer o Ser humano Novo e o Mundo Novo, significa:


3.3.1. Anunciar aos Seres humanos de hoje o Evangelho com todas as suas exigências concretas, sem adaptá-lo aos interesses dos grupos ou classes sociais mais poderosas, mesmo que isso não agrade aos "grandes" do mundo.
"Rogo a você (Timóteo), diante de Deus e de Jesus Cristo (...), proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda paciência e doutrina. (...) Faça o trabalho de um anunciador do Evangelho, realize plenamente o seu ministério” (2Tm 4, 1-2.5).
3.3.2. Fazer a opção pelos Empobrecidos, Oprimidos e Excluídos, para - a partir deles e junto com eles - participar do processo de libertação do Ser humano todo, de todos os Seres humanos e de toda a Natureza, segundo o Projeto de Deus, que é o seu Reino.

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-19).

Em síntese, "o seguimento de Jesus tem duas dimensões fundamentais intrinsecamente relacionadas: a dimensão cristológica: ser e viver como Jesus e a dimensão pneumatológica: o Espírito que atualiza Jesus na história. Consequentemente, o seguimento só pode ser concretizado levando-se em conta dois fatores determinantes: a memória viva de Jesus de Nazaré e as situações históricas em que se vive. Jesus deve ser prosseguido, atualizado e não imitado mecanicamente”.

"O Espírito é a memória e a imaginação de Jesus: memória que faz voltar sempre a Jesus de Nazaré;imaginação que nos leva a perguntar constantemente, o que diria e faria Jesus hoje. A vida de Jesus foi toda ela perpassada pelo Espírito. Consequentemente, o seguimento é o lugar privilegiado da manifestação do Espírito” (Ivanise Bombonatto. Seguimento de Jesus. Uma abordagem a partir da Cristologia de Jon Sobrino - http://www.teologia-assuncao.com.br/).

O método usado "ver, julgar, agir” (ou, em outras palavras, "analisar, interpretar, libertar”) "nos permite articular, de modo sistemático, a perspectiva cristã de ver a realidade; a assunção de critérios que provêm da fé e da razão para seu discernimento e valorização com sentido crítico; e, em consequência, a projeção do agir como discípulos missionários de Jesus Cristo” (Documento de Aparecida - DA, 19).

Que no Tempo Comum - os cristãos e as cristãs - vivamos plenamente a espiritualidade do seguimento de Jesus, que é uma espiritualidade radicalmente humana. "Não se encontra nada verdadeiramente humano que não ressoe no coração dos discípulos e discípulas de Jesus” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje - GS, 1).


Nunca te canses do Reino Vidas pelas vidas,Nunca te canses de falar do Reino Vidas pelo Reino, Vidas pelo Reino.Nunca te canses de fazer o Reino Todas as nossas Vidas,Nunca te canses de ‘semear' o Reino Como a sua Vida como a Vida Dele.Nunca te canses de acolher o Reino Ó Mártir Jesus!Nunca te canses de esperar o Reino (Mantra)(Dom Pedro Casaldáliga)

Goiânia, 11 de janeiro de 2012.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BBB: A fórmula da mediocridade

Achei este texto tão interessante que resolvi publicá-lo em meu blog. É de meu amigo Diuan Feltrin, do interior de São Paulo, e que também publicou em seu blog. Boa leitura.

Todo o começo de ano grande parte dos telespectadores brasileiros espera ansiosamente pelo início de reallity show mais bizarro da televisão: o Big Brother. Ao navegar um pouco pelas redes sociais percebo que este programa aflora nas pessoas um senso crítico outrora jamais visto! No entanto, o asco pela atração demonstrado na rede não corresponde à sua audiência, que continua disparada na liderança. Observa-se, no entanto, que poder crítico das pessoas não é o mesmo quando é necessário expor opiniões acerca de temáticas que realmente são de interesse público, por exemplo, a política e a educação. Nestes casos, o povo prefere calar e deixar que alguém decida por eles. Mas isso é tema para outro artigo.

A que se deve o sucesso de um programa nesses moldes? A fórmula é simplista: pessoas que geralmente atendem à ditadura da beleza (imposta pela sociedade de consumo) são confinadas durante alguns meses em uma mansão, passam por provas de resistência, demonstram as dificuldades de relacionarem-se entre si, criam-se heróis e vilões, etc... Vence aquele que cativar o maior número de fãs, afinal, são os telespectadores que decidem quem será o vencedor que, além de alguns minutos de fama, ganha uma considerável quantia em dinheiro, sem esforço algum. Dinheiro, que por sinal, resulta das inúmeras inserções comerciais que esta atração cativa, além dos gastos telefônicos provenientes da inocência das pessoas que insistem em ligar para manter seus ídolos por mais tempo na mansão cheia de regalias.

Tudo é embasado em um roteiro pré-estabelecido pela inteligentíssima produção do programa que não mede esforço para não deixar o programa saturar (afinal, haja criatividade para manter como novidade um produto que está há doze anos no ar). Não é necessário ser pesquisador da área de crítica midiática para notar que por trás de tudo existe um roteiro meticulosamente elaborado.

Os participantes são chamados de heróis pelo apresentador, que há tempos deixou de ser um intelectual jornalista para atender às normas da emissora que trabalha. Pergunto-me, porém: a que se deve esta denominação? Será que os telespectadores da atração também os consideram como heróis?!

Apesar de tudo, o BBB permanece como líder absoluto de audiência na acirrada disputa mercadológica travada no horário de sua exibição. O sucesso se deve ao fator comum a todos os reallity shows: a identificação do público com as “personagens” que vivem as situações expostas. A permanência de pessoas “comuns” em uma mansão, causa no telespectador um processo de “inversão”, no qual eles se apropriam, subconscientemente, da realidade vista na televisão. O mesmo acontece com o sucesso das novelas, que por sinal, subestimam ao máximo a inteligência do telespectador.

Situações medíocres às quais os participantes se submetem são vistas com naturalidade por grande parte do público. À medida que os participantes vão gradualmente se transformando em vilões ou mocinhos, atendendo Às exigências dos roteiros, as famílias brasileiras aglomeram-se em frente ao aparelho televisor para descarregar ódios e torcidas a seus respectivos desafetos e prediletos.

Devido a toda essa mediocridade, a atração mantém-se bem sucedida. Afinal, é cômodo assisti-la, pois não requer o mínimo esforço cerebral por parte do arquetípico telespectador Hommer Simpson, o foco da Rede Globo de Televisão, aquele que assiste, admira e consome.

*texto publicado por mim no blog: www.diuanfeltrin.blogspot.com

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sinais litúrgicos do Tempo da Quaresma

Eurivaldo Silva Ferreira
       Na Igreja, que é povo de Deus, com sua organização ministerial, relembramos a cada ano os mistérios da nossa redenção. Através da Encarnação do Filho e da sua Ressurreição nós entramos em contato com a graça. Estes mistérios são visivelmente percebidos a cada domingo, através da reunião da comunidade, da diversidade dos ministérios nas celebrações, da escuta da Palavra e da partilha do Pão eucarístico na mesa comum. De uma maneira mais especial nós o fazemos uma vez por ano, especialmente no Tríduo Pascal, relembrando a passagem de Jesus, com sua paixão, morte e ressurreição. É na Vigília do Sábado da Ressurreição que somos incorporados, por meio de sinais sensíveis, à ressurreição de Cristo. “Se morremos com ele, com ele ressuscitamos”, diz uma das leituras desta noite. Os participantes dessa ação litúrgica entram em contato com a grande riqueza contida no Ano Litúrgico, por isso o mistério de Cristo anunciado e vivido ao longo de um ano possibilita a quem crê participar dessa mesma graça pela qual Jesus participou, passando pela morte, mas ressurgindo, pois Deus não o deixou abandonado na região dos mortos, dizem os Salmos 16, 30 e outros.
       Em preparação a essa festa anual, a Páscoa, a Igreja pensou num tempo específico, cujo período caracterizasse uma conscientização de corpo e espírito para a participação nessa graça. Em torno do tríduo pascal então foi-se formando o tempo Quaresmal, cerca de 40 dias que têm por finalidade introduzir na comunidade de fé aqueles que passaram por um processo de formação catecumenal, além de recordar àqueles que já foram batizados que devem viver aquela graça inicial, recebida por ocasião de seu batismo.
       Fazemos isso com ritos e com símbolos, pois repetindo os ritos, aprofundamos seu sentido, ou seja, aquilo que eles mesmos expressam, a nossa fé. Desta forma, a liturgia cristã, na qual fazemos memória pascal, passa por esse prisma, ela representa esses fatos, de uma forma ritual, mas que, revivendo-os, fazendo memória, nós o tornamos vivos, perpétuos.
         Já se tem notícias em meados do século II de um período de intensa preparação para a páscoa. Admoestações e testemunhos diretos dos Santos Padres afirmaram o caráter penitencial para aqueles que iam passar pelas águas do batismo. Com o passar dos tempos, outras exigências foram se ajuntando a essa, como o jejum e a conversão, por exemplo, como sinal da preparação para a páscoa para os já batizados. Esses sinais sacramentais (jejum, conversão e penitência), têm sua origem na Palavra de Deus, pela qual nos colocamos em regime de prontidão e de escuta. Só a escuta atenciosa e amorosa à Palavra de Deus é que nos pode indicar o verdadeiro sentido espiritual desse tempo.
        A Carta Preparatória para as Festas Pascais, da Congregação para o Culto Divino, de janeiro de 1988 traz várias orientações práticas, celebrativas e espirituais com relação ao tempo da Quaresma. Diz que esse tempo explicita melhor o sentido da virtude e a prática da penitência, como “partes necessárias da preparação pascal: da conversão do coração deve brotar a prática externa da penitência, quer para os cristãos individualmente, quer para a comunidade inteira; prática penitencial que, embora adaptada às circunstâncias e condições próprias do nosso tempo, deve, porém, estar sempre impregnada do espírito evangélico de penitência e orientada para o bem dos irmãos e irmãs” (nº 14). Quanto às flores, a Carta recomenda esvaziar o espaço litúrgico, não colocando flores, elas são sinais daquela alegria pascal, assim, o sinal visível do adorno pascal seja reservado para o tempo pascal, com a Vigília do Sábado Santo (nº 17). O canto do Aleluia também é omitido, pois o Halelú-Yah, o louvor ao Deus Javé, deve ser entoado pela assembleia dos ressuscitados na grande vigília, como expressão máxima daqueles que passaram da morte para a vida (nº 18). Quanto aos cantos, diz a Carta que estes sejam escolhidos, tendo como critério a correspondência de seus textos com aqueles que estão nos textos litúrgicos (nº 19). Até os instrumentos musicais a Carta considera como um sinal sensível da assembleia pascal, por isso o som dos instrumentos musicais durante o tempo da Quaresma é reservado apenas para sustentação da afinação do canto da assembleia, por aí entendemos o motivo de reduzirmos o volume e a quantidade de instrumentos musicais, assim favorecendo o silêncio nas nossas assembleias litúrgicas (nº 17). Os ministros músicos, tendo em vista sua sensibilidade e dedicação litúrgica, devem particularmente prestar atenção a essa orientação. Os ministros que ornamentam o espaço litúrgico devem também imbuir-se dessa índole quaresmal. De fato, a Igreja nos educa na fé, nesse grande itinerário pedagógico que é o ano litúrgico, por isso o vazio, a ausência desses sinais que são sensíveis ao nosso sentido, e ao mesmo tempo, visíveis, fazem com que todo nosso corpo participe e se aproprie das características específicas do tempo da Quaresma.
            Dentre as várias manifestações de piedade popular, a Carta indica a Via-sacra, tão comumente difundida em nosso país. Mas, mais ainda podemos nos apropriar do espírito penitencial desse período, lendo as leituras litúrgicas indicadas para os domingos e os dias da semana, entre as famílias ou em particular (nº 13). As cinzas, recebidas na Quarta-feira de cinzas marcam a nossa destinação corporal para entrarmos na dimensão salvífica da páscoa. Elas são um sinal exterior de nossa penitência, também significando nossa vontade de nos voltarmos ao Senhor, alimentando a esperança de que Deus é sempre misericordioso para conosco (nº 21).
            Que esse tempo quaresmal, mediante uma atividade pastoral mais intensa e maior empenho espiritual da parte de cada um, com a graça do Senhor, seja um itinerário espiritual a fim de que possamos todos participar das festas pascais e testemunhar na vida o mistério da Páscoa celebrado na fé (nº 108).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quaresma: origem e sentido do tempo de preparação à Páscoa

Eurivaldo Silva Ferreira
A celebração da Missa teve sua origem no Domingo. O Domingo era tão importante para as primeiras comunidades que faziam da reunião semanal o dia essencial para a celebração do mistério pascal, ou seja, fazer memória da Páscoa de Cristo. Os judeus que iam se ajuntando ao grupo dos cristãos também influenciaram essas comunidades em suas celebrações. A sensibilidade dessas comunidades voltadas ao sentido da celebração da páscoa judaica fez com que os primeiros cristãos organizassem uma festa anual da páscoa, esta girando em torno da passagem de Cristo da morte para a ressurreição. Ao redor dessa festa anual todas as outras celebrações vão se avizinhando e se formando, dando origem ao Tríduo Pascal, tal qual conhecemos hoje: Sexta-feira da Cruz, Sábado da Sepultura e Domingo da Ressurreição, assim o chamou Santo Agostinho.
Tal era o acento que as comunidades davam à ressurreição do Senhor, que o sábado à noite passou a ser importantíssimo, pois, segundo o costume judaico, a partir das seis horas já é o dia seguinte. Por isso, tendo em vista a reunião festiva no domingo da ressurreição, a alegria pascal passou a ser marcada pela grande vigília do domingo, na noite de sábado, hora e dia em que se faziam memória daquele que passou das trevas à grande luz. O sábado passou então a ser marcado pela celebração da Vigília Pascal, onde são lidos textos e orações que resgatam o sentido da páscoa do Antigo Testamento. Essa alegria foi prolongada por mais cinquenta dias depois da festa da Páscoa, à qual chamamos hoje de Tempo Pascal, culminando com a grande Festa de Pentecostes.
Historicamente temos aí os elementos fortes para considerar o alargamento da Páscoa, uma espécie de “depois”. Mas, e o “antes”, como se deu? Como então surgiu o tempo da Quaresma na Igreja?
Em meados do século III já se houve falar que aconteciam batizados na noite da Vigília Pascal. Também, antes da sexta-feira da Paixão, Tertuliano, na Igreja Oriental, fazia uma preparação para aqueles que iam passar pelas águas do batismo, chamada de missa de “reconciliação dos penitentes”. Esse fato, eminentemente batismal, deu origem ao tempo da Quaresma, justamente porque esse tempo tenha se desenvolvido num período marcado pela dedicação à última preparação dos que iam ser batizados, chamados de catecúmenos.
A Carta Preparatória para as Festas Pascais, de 1988, designa o tempo da Quaresma como um tempo com uma dupla característica: a reunião entre aqueles que serão batizados e os fiéis. Diz também que esse tempo penitencial contém a graça, oriunda de Deus. Vive-se a graça pelas vias apresentadas pela Igreja: os catecúmenos com a preparação para a admissão dos sacramentos da iniciação cristã, e os fieis, por meio da escuta mais frequente da Palavra de Deus e de uma oração mais intensa, adornada pelas atitudes penitenciais, renovam as promessas do batismo.  
Eis então os grandes motivos, cujo tempo Quaresmal, nos oferece a Igreja, a fim de que a preparação para a Páscoa do Senhor possa revitalizar a fé daqueles que são cristãos não praticantes ou que porventura se esqueceram de sua fé. Por isso, catecúmenos e fiéis são reunidos numa mesma celebração, e são interpelados pela mesma Palavra de Deus que ressoa em seus corações. Essas celebrações do tempo da Quaresma são marcadas por uma pedagogia catecumenal. Sobre essa pedagogia a Igreja deve traçar seus itinerários de fé, que são marcados por três grandes etapas ou momentos: o momento da fé-conversão, com a opção fundamental por Cristo, pelo contato com a Palavra de Deus; o momento litúrgico-sacramental, que insere no mistério de Cristo e da Igreja o catecúmeno que ainda não foi batizado e trabalhoso batismo do sacramento da penitência, naqueles que já são batizados e crismados; o momento duma mais profunda e plena participação na vida e missão da Igreja, que também chamamos de tempo da mistagogia.
Na Quaresma, fazendo memória do nosso próprio batismo, nós recordamos aquela graça, pela qual fomos inseridos um dia, mergulhando na água do Espírito, renascendo para uma vida nova. De fato, o tempo quaresmal, por sua força sacramental, nos coloca em prontidão para a escuta da Palavra e a oração, elementos essenciais que devem ser vividos também ao longo de todo ano litúrgico, mas que a Igreja chama para uma atenção particular e mais atenta neste tempo. Então, a ação memorial do batismo, para os que já foram iniciados na fé, nós a realizamos escutando a Palavra, orando em comunidade e celebrando na mesa comum a memória pascal do próprio Cristo.
Ao longo dos cinco domingos quaresmais de 2012, ao ouvirmos as leituras do Ano B, que propõem uma série de textos centrados no mistério da cruz gloriosa de Cristo segundo o evangelista João, os nossos corações se abram à escuta da Palavra de Deus, a fim de que, neste tempo que ele nos oferece, realize-se em nós a verdadeira conversão, o desejo de correspondermos ao seu amor vivendo uma vida santa (cf. Oração Coleta do 1º Domingo da Quaresma).
Assim, como diz a regra de São Bento, com a alegria do Espírito Santo e cheios do desejo espiritual, esperemos a santa Páscoa.

O tempo que toca o íntimo de nós

Eurivaldo Silva Ferreira

Introdução
Durante o Curso de Especialização em Liturgia, realizado pelo IFITEG e Rede Celebra de Animação Litúrgica, numa das orações da tarde, no momento da Recordação da Vida, alguém dizia que não tinha intimidade alguma com os feriados que acontecem durante o ano civil. Dia 21 de abril, por exemplo. Alguém é capaz de relacionar-se com este dia? Perguntavam. Dia 7 de setembro? Muda algo em minha existência por ocasião desse feriado? Dia 15 de novembro? O que acontece com a gente nesse dia? Essas afirmações interrogativas me causaram certa curiosidade, o que me levou a escrever esse artigo.
A relação desses feriados com algo que marca nossa existência tem a ver com o fato saudosista de nossa infância.  Lembro-me dessas ocasiões em que nossas professoras nos davam uma folha com um desenho, rodada ao mimeógrafo. Nossa tarefa era a de simplesmente pintar aquele desenho que representava o feriado comemorado naquela semana. Quem tem mais de 30 certamente já passou por essa experiência.
Naqueles dias de aulas com intensas reflexões, sempre permeadas pelas orações da manhã e da tarde, a impressão foi a de que aquilo que rezávamos era o eco daquilo que aprendíamos na sala de aula. Uma amiga de turma expressou-se dessa forma: “Descobri hoje que o tempo salva a gente!”. E ainda outra colega dizia: “Agora sim, eu vou começar a não ter mais pressa para fazer aquilo que tenho que fazer”.

Tempo de descarte
Nas expressões acima, sempre nos deparamos com afirmações-interrogações que percorrem nossa existência, nosso ser. Todas essas expressões foram reflexões apurada após um ciclo de dois dias de estudos sobre o Ano Litúrgico, com o prof. Laudimiro Borges, chamado carinhosamente por Mirim, presbítero de Belo Horizonte-MG.
Nessas expressões percebemos o quanto está controversa a mentalidade de que realmente o tempo que nos foi dado para viver, é marcado por algo fútil, algo que logo descartamos. É assim a mentalidade de hoje, vivemos do descarte, do adquirir facilmente produtos e abandonarmos outros. A tecnologia atual, em que muitos têm acesso, nos permite suprir ou substituir aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos que compramos há não muito tempo, simplesmente porque já surgiram outros que superaram aqueles que nós possuímos.
É assim que acontece com nossas liturgias. Sempre pensamos que existe por aí uma missa melhor do que aquela que geralmente participamos. Quem nunca ouviu a expressão: “Ah, a missa do padre ‘x’ é mais animada do que a missa do padre ‘y’”, ou: “Lá na missa do padre fulano eu me sinto melhor do que na missa do padre beltrano”. Já paramos para perguntar porquê pensamos assim? Porque fazemos comparações até na hora de alimentar nossa fé?

Tempo de ajuntamento
Num mundo marcado pela mentalidade do descarte, do fútil, a proposta pedagógica contida no estudo, na reflexão e nas celebrações do Ano Litúrgico, traz em si um sentido de “ajuntamento” daquilo que antes sempre fora considerado como que momentos estanques na vida das comunidades de fé. Encontramos nas páginas da Bíblia a expressão “resto de Israel”. Também a origem de Jesus foi colocada em questão quando perguntam: “Será se de Nazaré pode sair alguma coisa boa?”.
Lemos também no Salmo 80 que Deus cuidou com carinho de uma videira, arrancando-a de um lugar e plantando-a noutro, podando seus ramos, alargando suas raízes, e tomando cuidado para que o javali selvagem não a pisasse, cercando-a de carinhos. A literatura bíblica nos ajuda a entender de modo inverso a compreensão de hoje, pois Deus não descartou aquela videira, mas simplesmente a cuidou com carinho e ternura, a fim de que ela desse frutos, ou seja, Deus fez um ajuntamento de povos fragmentados, a fim de constituir um só povo. A novidade que está aí é a de que Deus deu um tempo, cercado de amorosidade, ternura, compaixão, até que a videira atingisse sua fase de maturação, pronta para acolher sua Palavra e viver sua vontade. Será se o tempo de Deus é igual ao nosso tempo? Também está na Bíblia que “mil anos para Deus são como um dia”...

Ano Litúrgico, tempo de reunir fragmentos
Mas, com o Ano Litúrgico, com seus tempos e festas, com seus sinais e mistérios, acontecidos durante o ciclo de um ano, a Igreja nos apresenta uma forma de viver o “ajuntamento” de fragmentos, em busca de uma unidade. A essa unidade nós podemos chamar de Mistério Pascal de Cristo. Este acontece de ano em ano, por ocasião da páscoa da ressurreição, naquela grande noite da Vigília Pascal. Mas que percorre também todo domingo, como sendo uma repetição daquele dia pascal por excelência, em que a comunidade fez a experiência do Cristo ressuscitado no meio dela.
O que antes era considerado “engavetado”, numa espécie de “fragmentos”, agora, com a reforma do calendário litúrgico, em 1969, a Igreja passou a chamar de diferentes faces do mesmo mistério pascal de Cristo, ocorrendo em diversas datas e ocasiões do Ano Litúrgico, principalmente a cada domingo, ocasião em que a Igreja recorda a paixão, morte e ressurreição de Jesus, conforme diz a Sacrosanctum Concilium.

Redescobrir nos fragmentos a centralidade do mistério pascal
Assim, viver o Ano Litúrgico, na unidade e na centralidade do mistério pascal de Cristo, é redescobrir, celebrando, vivendo e contemplando a riqueza espiritual que cada tempo litúrgico contém e carrega em seu bojo, sempre na possibilidade de oferecer a quem celebra e participa ativa, frutuosa e conscientemente, a unidade completa do mistério pascal, por inteiro, por completo, fazendo-nos também seres inteiros, seres completos.
Desta forma, explorar o calendário litúrgico que está presente no Ano Litúrgico da Igreja, é não importar a fragmentação do modelo do descarte e do fútil que encontramos em nossas realidades sociais.
Perceber o Cristo como centro do Ano Litúrgico é nos percebemos a nós mesmos. Só assim o Ano Litúrgico é então sinal sacramental de nossas vidas, porque encontramos nele a medida com a qual o Cristo quer agir em nós, na nossa personalidade e na nossa pessoalidade, no decurso de um ano, vivendo nosso tempo no tempo do próprio Cristo.
Portanto, tendo o tempo como sinal sacramental do Ano Litúrgico, a quem chamamos de sinal sensível,  mergulhamos na realidade do mistério pascal de Cristo, que nos atinge por inteiro, da mesma forma que esse mesmo mistério se realiza em nós, fazendo-nos seres pascais.

Concluindo
Muitos desafios são nos colocados a partir da reflexão desse tema tão caro à vida da Igreja. Para nós, estudantes e pesquisadores da liturgia, resta-nos mergulhar nesse caminho pedagógico-espiritual, a fim de que nos deixemos alimentar e crescer com essa espiritualidade.
Aproveitando de todos os sinais presentes no Ano Litúrgico, possibilitamos que ele mesmo nos modele, direcionando nossas vidas ao forte apelo de Cristo que diz no Pai Nosso: “Que o Reino do Pai aconteça entre nós”, só assim fazemos já aqui na terra o exercício daquele Reino futuro, pelo qual almejamos. Só o Ano Litúrgico, com suas celebrações e festas, pode nos permitir isso.