quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Formação litúrgica exige bons subsídios


Os subsídios de formação são meios pelos quais as comunidades se apropriam para estudar, refletir e aprimorar suas liturgias. São  publicações, livros, revistas, rituais , filmes em DVD que contribuem na formação de um povo que anseia por uma liturgia participativa.


O princípio para a Liturgia é que ela seja fonte e cume de toda a ação da Igreja. 

A Sacrosanctum Concilium diz no nº 14 sobre a necessidade de uma formação e participação litúrgicas de maneira consciente e ativa, por sua vez restabelecendo e favorecendo isso a todo povo, e que os ministros ordenados cuidem disso em sua ação pastoral. Por isso o mesmo número encerra com a orientação de que os ministros ordenados sejam os primeiros a se tornarem conscientes da ação litúrgica, para depois se tornarem aptos a ensiná-la aos outros. Assim, é esperado que os ministros ordenados sejam formados liturgicamente no espirito que a própria liturgia se fundamenta.

A Sacrosanc
      
No entanto, não é isso que vemos por aí. Fala-se muito de diversas espiritualidades, menos a espiritualidade litúrgica. O monge beneditino D. Emanuele Bargellini, em seu artigo “A Liturgia, escola da vida”, diz que “hoje em dia se apresentam no grande mercado das “espiritualidades”, favorecido pelas grandes mídias, não poucas correntes que pretendem “desencarnar” o caminho espiritual” (Revista Beneditina, abril-junho 2011, pp.27-28). 
Pensando nessa busca de uma espiritualidade sadia que emana da própria liturgia, arriscamos nesse boletim informativo traçar um pequeno panorama sobre os subsídios de formação litúrgica.  E esses subsídios, de conteúdo sério e formativo ao mesmo tempo, foram pensados e elaborados tendo em vista a observância da Sacrosanctum Concilium, que todo povo participe com conhecimento de causa, sabendo aquilo que estão fazendo. Como diz nossa querida Ione Buyst, é preciso que a liturgia nasça do coração.

Esperamos que o/a leitor/a aprecie nossa indicação, não como suplemento publicitário, mas que sirva como algo indicativo daquilo que de melhor se encontra nas livrarias católicas sobre livros, rituais, revistas e subsídios orientativos, numa linguagem que todos podem se aproximar, e que muito ajudam tanto ministros ordenados como ministros do povo a saborearem uma liturgia encarnada na vida e tirar dela os verdadeiros frutos espirituais. 

As indicações serão sempre publicadas neste blog.

O Segredo dos ritos, novo livro de Ione Buyst - Paulinas


O Segreto dos Ritos:
ritualidade e sacramentalidade
na liturgia cristã
Novo livro de Ione Buyst
já está à venda nas Paulinas

Lançamento e palestra com a autora:
08/10 – das 10h00 às 12h00
Rua Domingos de Moraes, 660
(em frente ao metrô Ana Rosa)

Esta obra focaliza temas centrais do documento conciliar Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia: mistério, ritualidade, sacramentalidade, espiritualidade, formação litúrgica de todo o povo sacerdotal.
Aprofundando estes vários aspectos e a íntima relação entre eles, aponta caminhos para a prática celebrativa como participação simbólico-sacramental no Mistério da fé, fonte para a teologia litúrgico-sacramental, para a vida espiritual no seguimento de Jesus Cristo e para a formação litúrgica em todos os níveis.

Celebrar por ocasião da morte


Celebrar por ocasião da morte foi tema de encontro formativo promovido pelo Apostolado Litúrgico
Cerca de 40 pessoas participaram do encontro de formação litúrgica promovido pelo Apostolado Litúrgico, com o tema Celebrando por ocasião da morte, no salão da paróquia São Luiz Gonzaga, região central de SP no dia 27 de agosto de 2011.
Os participantes, agentes da pastoral litúrgica, catequistas, ministros e ministras da sagrada comunhão e da Palavra de diversas comunidades de São Paulo e interior puderam fazer contato com o subsídio acima e discutir como melhor celebrar esse momento de passagem de nossa existência terrena.
A celebração do velório e das exéquias é, sem dúvida nenhuma, um momento pastoral de grande importância. A morte e o morrer são temas que tocam o mais profundo do ser humano. Embora a fé afirme que “a vida não é tirada, mas transformada”, a tragicidade da morte atinge também o cristão. Queira ou não, a morte continua sendo, também para o cristão, o mais obscuro mistério da existência humana. Celebrar por ocasião da morte, com ritos, cânticos e salmos é colocar sob o prisma do rito a lembrança de que os velórios e as exéquias são momentos propícios para demonstrar carinho aos enlutados e, sem desrespeitar a dor dos que sofrem, despertar a esperança nos participantes, fortificando-lhes a fé no mistério pascal e na ressurreição dos mortos (Introdução  do subsídio “Celebrando por ocasião da morte”, Paulinas/Apostolado Litúrgico, 2011).
Este subsídio, preparado por Marcelo Guimarães e Penha Carpanedo, destinado especialmente aos ministros(as) não ordenados, apresenta um roteiro simples, a partir do Ofício Divino das Comunidades, com base no Ritual de Exéquias, para celebrar, com fé e esperança, um momento delicado na vida das pessoas: a morte e o sepultamento de um ente querido. Compõe-se de seis roteiros, contemplando as diferentes circunstâncias da morte: de um membro atuante na comunidade; de uma pessoa falecida após longa enfermidade; de um(a) jovem; de um(a) religioso(a); de alguém vítima da violência e de uma criança. Por fim, um pequeno rito para o momento da cremação e da deposição das cinzas e outro para celebrações com as famílias enlutadas. Cada roteiro está assim organizado: chegada, abertura, recordação da vida, salmo, leituras bíblicas, meditação, preces, louvação, encomendação e despedida, sepultamento (ou cremação).  
O subsídio conta ainda com um CD contendo 26 músicas (vendido separadamente do livro), de autoria de Frei Joaquim Fonseca, Reginaldo Veloso, José Weber, Geraldo Leite, dentre outros. Os arranjos de órgão são de Frei Joel Postma, além de contar com a participação de um grupo de cantores e instrumentistas. Vale a pena conferir e ouvir. As músicas fazem parte de um rico trabalho produzido por Frei Joaquim Fonseca, fruto de sua tese doutoral em que pesquisou a música ritual de exéquias, a partir da cultura popular, principalmente o canto das excelências, o que deu origem a essas duas produções.
O Livro está à venda nas livrarias Paulinas e Apostolado Litúrgico, enquanto que o CD somente é encontrado nas livrarias do Apostolado Litúrgico.

Revista de Liturgia


A Revista de Liturgia é uma publicação bimestral, editada desde 1973, e tem como marca: matérias inéditas, a partir e em função da pastoral litúrgica das nossas comunidades eclesiais, de autores brasileiros ou que estivessem inseridos na Igreja do Brasil. Acompanhou o processo de renovação litúrgica, aliando-se ao trabalho da CNBB, de fazer valer no Brasil a liturgia conforme o movimento litúrgico que culminou no Concílio Vaticano II, e que teve seus desdobramentos nas Conferências latinoamericanas e caribenhas, de Medellín a Aparecida.

São mais de 35 anos e mais de 220 edições com os mais diversos temas - a Eucaristia e os demais sacramentos, a Celebração dominical da Palavra, o Ano Litúrgico, o Ofício Divino, a música, os Sacramentais - tendo presente a teoria e a prática, na perspectiva latino-americana, com uma linguagem acessível, assumindo a metodologia que parte do rito articulado com a vida, para chegar à teologia e à espiritualidade. Promoveu durante anos o Ofício Divino das Comunidades, liturgia das Horas inculturada para o Brasil. Elaborou e divulgou uma proposta de roteiro para a Celebração dominical da Palavra, atendendo a inúmeras comunidades que celebram mediante a reunião, a escuta da Palavra e a oração comum.

É publicada pelas Discípulas do Divino Mestre, atendendo ao carisma do Bem-Aventurado Pe. Tiago Alberione: “Ser membros vivos e operantes na Igreja, contribuindo com o testemunho e o ministério, para que o povo de Deus viva a Liturgia como fonte de espiritualidade e cume de toda a vida cristã”. Apesar dos ventos contrários, a Revista de Liturgia tem se mantido fiel no caminho proposto pelo movimento litúrgico do século XX, vencendo dificuldades e se colocando a serviço da Igreja no Brasil.
Assinaturas e mais informações: www.revistadeliturgia.com.br ou fone (11) 4409 3131.

domingo, 25 de setembro de 2011

Os 12 sentidos

Gente, ouçam esse programa. É o programa Caminhos Alternativos, veiculado na Rádio CBN, em São Paulo 90,5 FM, aos sábados, às 9h00. O entrevistado fala que, além dos cinco sentidos, nós temos outros 7 outros sentidos, totalizando 12. Um exemplo é o sentido pelo qual sentimos frio e calor. Que sentido é esse? Ele trabalha todos os sentidos pela via das sensações e das percepções. Todas as possibilidades de movimento do nosso corpo são movimentos de sensação. Ao todo, 12 sentidos formam a natureza característica dos nossos sentidos: tato, audição, olfato, paladar, visão, equilíbrio, movimento, orgânico, térmico, linguagem, pensamento e o eu (o que é individual em nós). Ouçam e espero que gostem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A mulher Maria e o projeto bíblico de salvação querido por Deus


           Eurivaldo Silva Ferreira        
            Uma lei imposta pelo faraó mandava matar todos os meninos do sexo masculino que nascessem de mulher hebreia. Duas parteiras do Egito desobedeceram à ordem do faraó, deixando sobreviver todos os meninos. Essas temiam a Deus e por isso Deus as recompensou. Uma mulher teve um filho homem e o manteve escondido por durante três meses, só então resolveu ‘despachá-lo’. Para que sobrevivesse à ordem dada pelo faraó, colocou-o num cesto em meio ao Rio Nilo. Uma menina acompanhou a trajetória desse cesto, rio abaixo. A filha do faraó, que tomava banho no rio encontrou o cesto e viu que nele tinha uma criança. A menina que acompanhou o cesto resolveu oferecer à filha do faraó uma espécie de ama de leite, a fim de amamentar o menino achado no rio. A ideia foi aceita e o menino foi devolvido ao palácio real quando ficou desmamado.
            A história acima nos mostra que, contrariando uma ordem que possibilita a morte, parece que são sempre as mulheres que tomam a iniciativa de preservar a vida. Isso é verdade, pois na Bíblia, as personagens femininas lutam pela preservação da vida. Por isso a vida de Moisés, o menino que foi salvo pelas águas, é preservada, e dá início a todo um projeto de salvação querido por Deus.
            A Bíblia mostra que as mulheres são aquelas que têm a característica natural da manutenção e da geração da vida. Nessas narrativas o povo, ao escrevê-las, procura por fatos históricos com os quais permitiu-lhe compreender a presença de Deus nas suas vidas, libertando-o de formas de opressão, dominação e escravidão. À medida que o tempo vai passando, esses fatos bíblicos vão ganhando sempre novo sentido, e são assumidos e interpretados, adquirindo novo significado de acordo com a história atual, assim como no passado.
            Há outras passagens na Bíblia em que mulheres são protagonistas na defesa da vida, como a história de Sara de Abraão, Rute e Noemi, as filhas de Ló, Ester, Judite, dentre outras. Podemos afirmar junto com a Bíblia e seus personagens femininos que Deus foi construindo uma pedagogia que revela como transgressora.
            De fato, com essas narrativas, sagas, dramas, histórias e novelas, o escritor bíblico quer pontuar uma linha de realidade que só se entenderá no futuro, a descendência, em que estão em jogo personagens denominados de ‘salvadores e redentores’. Esses personagens não só transgrediram, mas sua desobediência foi fundamental para a preservação da vida, assim como fizeram as parteiras do Egito.
            Lendo o livro “A alma imoral”, seu autor, o rabino Nilton Bonder afirma que “na tradição bíblica cabe à mulher decidir os rumos dessa transgressão, que será redentora”. Nesse sentido, Bonder afirma que “na linha ancestral do Messias Jesus há traidores da moral e dos costumes, mas que isso foi usado apenas quando a vida estava sob sérias ameaças”, por isso, o texto bíblico mostra que a transgressão e a desobediência eram elementos que serviam para garantir a melhor qualidade possível para a sobrevivência individual e coletiva. Jesus entra nessa dinâmica da contradição e da transgressão. Para os fariseus, os saduceus e os escribas de sua época, Jesus era um transgressor da Lei, da moral e dos bons costumes.
            A Bíblia mostra também que sempre que o povo está em crise, Deus vem com uma solução. Foi assim que aconteceu quando Jesus nasceu. O povo esperava um messias salvador a fim de que o libertasse do domínio opressor estrangeiro. Foi então que um anjo se dirigiu a uma mulher daquela época e lhe anunciou a promessa de Deus, já prevista pelos profetas. Essa mulher era Maria, ela seria a mãe do Salvador, o messias prometido pelos profetas. Maria aceita a proposta e se coloca como aquela que crê, assim como Abraão, que confiou na misericórdia de Deus, e saiu sem rumo certo. Nesse sentido, Maria é situada dentro do plano da salvação, pois está na base, como continuadora do projeto de Deus. Jamais podemos destacar Maria e analisá-la sem a ligação profunda que ela tem dentro do plano de salvação com o seu Filho Jesus Cristo. Agora torna-se a mulher do presente. Todas aquelas mulheres do Antigo Testamento que preservavam vidas tiveram como paradigma o Deus Salvador de Maria. Sem isso, desfocamos todo o sentido do projeto do reino de Deus. Por isso, Maria é descrita no Novo Testamento como aquela que obedeceu, que guardava todas as coisas no seu coração e meditava os fatos do cotidiano, que permaneceu firme de pé junto à cruz e que ficou na firme esperança da ressurreição e da vinda do Espírito, reunida no cenáculo com os apóstolos. Maria é então a serva fiel, a mulher orante que representa e prefigura toda a Igreja, a Israel obediente. Em meio a tanta transgressão de outrora, agora aparece aquela que assume com seu Sim a proposta de vida para um povo que sofria as duras penas da opressão e da dominação.
            Analisar Maria sem o projeto de salvação é desfocá-la daquilo que é a meta de sua imagem. Assim, pois, é necessário olhar com certo cuidado para algumas devoções que querem descontextualizar Maria do projeto salvador de Deus, fazendo intuições deturpadas de sua figura, sem contar aqueles grupos que dão um realce de supervalorização, apontando o que Maria não é, outros a colocam na periferia da vida religiosa, e outros ainda a tomam como embate para o não fortalecimento do diálogo ecumênico sadio. É preciso então que nos desarmemos para entender a reflexão feita sobre Maria, a fim de que esta seja saudável.
            Precisamos pensar e nos perguntar onde é realmente que está a verdadeira intuição da Igreja ao nos apresentar Maria. Assim a colocaremos no seu devido lugar, é claro sem jamais isolá-la. Se conseguirmos fazer isso, entenderemos cada vez mais sobre sua pessoa e a amaremos cada vez mais, sem cair numa “mariolatria”.