sexta-feira, 27 de abril de 2012

Formação sobre Ofício Divino das Comunidades em Birigui-SP


Todo dia o Sol levanta e a gente canta o sol de todo dia. Fim da tarde, a terra cora e a gente chora porque finda a tarde. Quando a noite, a lua avança e a gente dança venerando a noite. Madrugada, céu de estrelas, e a gente dorme sonhando com elas.

“A Igreja, como esposa, não pode deixar que a voz de seu esposo amado, Jesus Cristo, se cale. A criação ecoa esta voz a todo instante, do nascer ao findar do dia” (Penha Carpanedo, pddm)

A paróquia Imaculada Conceição de Birigui (SP) em parceria com a Rede Celebra de Animação Litúrgica, de São Paulo, realizou nos dias 21 e 22 de abril formação sobre o Ofício Divino das Comunidades. Assessorados pela Irmã Penha Carpanedo (pddm), cerca de 20 participantes percorreram um caminho pedagógico no qual o conhecimento foi sendo construído em conjunto. Neste encontro, a comunidade de Birigui recebeu a visita de jovens de Votuporanga (SP), Cornélio Procópio (PR), Pirapozinho (SP) e Presidente Prudente (SP). Juntos, os participantes puderam beber nesta inesgotável fonte de espiritualidade, raiz de nossa fé.

No sábado o encontro teve início com o ofício da manhã, no qual contemplamos o nascer do sol e agradecemos ao Deus da vida pelas maravilhas que ele concedeu a cada um de nós, unindo nossas vozes a toda criação. Neste primeiro momento, ainda com pouco conhecimento sobre esta forma de oração, os participantes se sentiram cativados pela estrutura do ofício, impregnada da Palavra de Deus. Em sintonia com o tempo pascal, ressaltou-se a ressurreição de Cristo que acontece em nossas vidas, a exemplo da manhã que vence a escuridão da noite.

Após o ofício da manhã cada participante se apresentou, partilhando com o grupo sua caminhada pastoral. Um grupo heterogêneo, porém, com unidade amparada pelo anseio por conhecimentos.
Para saciar esta sede, irmã Penha iniciou a assessoria partindo do chão dos participantes, por meio de uma investigação acerca dos conhecimentos que estes já possuíam sobre o Ofício Divino. No grupo, muitas pessoas já haviam experimentado esta forma de oração. Após conhecer o território dos participantes, apresentou uma viagem histórica sobre o ofício, ressaltando que se trata de uma apropriação de uma estrutura espiritual proveniente de nossos antepassados na fé.

O Ofício Divino das Comunidades é uma versão inculturada da Liturgia das Horas, que durante um bom tempo, ficou restrita aos monastérios, sendo devolvida ao povo a partir do Concílio Vaticano II, há 50 anos.

O Ofício, a princípio, era uma realidade do povo canavieiro, com a mesma essência e espiritualidade da Liturgia das Horas, no entanto, com linguagem acessível, condizente com o dia a dia de um povo, com suas lutas diárias. A Liturgia das Horas foi adaptada à realidade do povo nordestino, para que pudesse experimentar as maravilhas da contemplação de cada hora do dia, do nascer ao pôr-do-sol.

Após situar os participantes, irmã Penha propôs que refletíssemos sobre nossa vida como uma constante oração. Seguindo os passos de Jesus, rezar o Ofício Divino das Comunidades é contemplar as horas do dia, que possui uma profundeza que sempre impressionou a humanidade. O ofício da manhã, por exemplo, abre as portas para o amor, com uma nova chance de recomeçar. Faz memória da ressurreição de Cristo e está muito ligado à luz que vence a escuridão. No ofício da tarde, suplicantes, imploramos pela proteção do Pai, que cessou o medo dos irmãos de Emaús, que partilhou com os discípulos, que se entregou por nós em morte de cruz...

A estrutura do ofício nos oferece hinos, salmos, leituras bíblicas e orações que são rezados em sintonia com a hora do dia e com o tempo. Trata-se da própria oração de Cristo, que também rezou salmos em momentos de angústia e alegria. Ao entoarmos os salmos, escutamos a voz de Jesus Cristo por meio de seu espírito de sabedoria que soa inefáveis gritos em nosso interior. Irmã Penha levou os participantes a compreenderem, portanto, que o Ofício é o memorial da morte e ressurreição de Cristo realizado nas horas do dia, possuindo dimensão sacramental. “A Igreja, como esposa, não pode deixar que a voz de seu esposo amado, Jesus Cristo, se cale. A criação ecoa esta voz a todo instante, do nascer ao findar do dia”, ressaltou.

Na tarde de sábado, juntos preparamos o Ofício de vigília, que seria realizado à noite. Nesta oração, a música é fundamental, de modo que a nossa mente concorde com o que canta nossa voz. Por isso, ensaiamos cada hino e cada salmo, trilhando um caminho mistagógico que nos levou a compreender cada palavra... Para garantir também o envolvimento na celebração, ensaiamos alguns ritos que compõem a estrutura da oração, como o acendimento da luz, a recordação da vida, a leitura bíblica e a oferta do incenso.

O Ofício de Vigília do tempo pascal transcorreu de forma envolvente, com muita sintonia entre os participantes. Na recordação da vida, apresentamos sinais de ressurreição em nossas vidas e também recordamos os aprendizados do dia de formação. No hino, recordamos a dimensão do Tempo Pascal. No salmo 136, unimos nossas vozes à da criação para dar graças ao grande amor de Deus por nós. Na leitura do evangelho, encontramos um Cristo que é todo amor, que se senta junto aos seus seguidores para partilhar... Entregamos nosso dia no Cântico de Simeão... Elevamos nossas preces a Deus... E nos despedimos na “saideira”, ressaltando que Cristo ressuscitou de verdade, Aleluia!

No domingo, começamos o dia bem cedo com o Ofício da Manhã, celebrado em meio à natureza. Foi um momento de extrema sintonia com a natureza, no qual pudemos perceber muito bem os louvores que a criação eleva aos céus a cada nascer do dia... Percebemos que a natureza reza conosco, como se entoassem salmos.

Após a oração, irmã Penha propôs que os participantes se dividissem em grupos para estudar alguns ritos do ofício, para, em seguida, apresentarem a vivência destes momentos. Os três grupos apresentaram, então, respectivamente, o acendimento da luz, a recordação da vida e o salmo. O conhecimento adquirido durante estes dois dias de formação foi colocado em prática.

Irmã Penha Carpanedo plantou em Birigui uma semente que produzirá muitos bons frutos. A diversidade do grupo presente na formação fará com que o Ofício Divino das Comunidades se perpetue em diferentes nichos, proporcionando a muitas pessoas beberem nesta inesgotável fonte de espiritualidade e vida.

Diuan Feltrin – Pastoral da Liturgia da Paróquia Imaculada Conceição – Birigui (SP)