quarta-feira, 23 de junho de 2010

Profecia, missão e atuação dos leigos e leigas no atual estado eclesial

Uma contribuição para o Congresso de Leigos e Leigas da Arquidiocese de São Paulo
Eurivaldo S. Ferreira (org.)

Missão batismal: centro do Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II inaugurou um novo modelo de Igreja possível, que possa não só abarcar as realidades requeiridas por si mesmo, mas responder ao mundo que é possível sim, através de uma caminhada de libertação de suas amarras, tanto rituais como magistrais aos anseios que nela se apresentam. Podemos dizer que a intenção fundamental do Concílio Vaticano II foi de atualizar a ação salvífica na Igreja, presente no mundo moderno. Contudo, é necessário um rompimento. O paradigma do rompimento é o próprio Jesus. Em sua época, rompeu com todo o ritualismo vigente, inaugurando com sua vida e culminando com sua páscoa um jeito novo de viver o Reino. Jesus viveu e pregou o Reino apoiado em cinco características básicas: verdade, justiça, fraternidade, paz e vida. E em nós, igreja, povo de sacerdotes? Como se dá a questão do anúncio do Reino que a Igreja reproduz no mundo? Os documentos conciliares Lúmen Gentium (LG) e Gaudium et Spes (GS) dizem que a Igreja deve ser sobretudo, ecumênica e de comunhão, consigo mesma, com os outros e com a sociedade.

Uma das premissas do Concílio Vaticano II foi o de ligar o anúncio missionário com o anunciar profético do Reino. Instâncias e realidades precisavam ser atingidas, por isso se fazia necessário perguntar como a missão é capaz de, dentro dessas realidades, realizar o projeto de caminhada de construção do Reino. Não obstante, deparamo-nos com uma realidade demasiadamente complexa: há excluídos e separados, e a Lúmen Gentium nos aponta a tarefa de a Igreja ser missionária por sua natureza, por isso a conscientização de que cada um, cada uma assuma seu real sacerdócio, a partir de seu batismo. É a vez dos leigos e das leigas. Como dizia D. Navarro: “chegou a nossa vez de enfrentar o mundo procurar soluções, a vida nos dá coragem e a fé fortalece nas decisões”.

Um Reino que tem necessidade de profetas de hoje

Os documentos conciliares e as conferências que se seguiram nos apontam diversas realidades do mundo moderno. Valores evangélicos estão em contraposição com os valores do mercado: lucratividade x gratuidade; competitividade x solidariedade; rentabilidade x partilha. Hoje, o documento de Aparecida nos aponta a raiz desta realidade a partir da iniqüidade social (DAp. 48, 61, 62, 358, 384, 527, 528, 537); As conferências de Puebla e Medellín nos falam de um pecado e uma violência constitucionalizada (respectivamente Puebla, 509 e Medelin, cap. 2). Foi a partir da conscientização dessas realidades que surgiram os modelos proféticos em nosso meio (D. Helder, Dom Luciano Mendes, D. Oscar Romero, Josimo, Chico Mendes etc). Se não pudéssemos perceber o impulso natural do próprio evangelho, pelos menos eles nos encorajavam no meio social. Ir à luta, eis a questão. Participar da vida dos pobres e excluídos, pois destes é constituída a Igreja, povo de Deus (LG). Com eles celebrar e fazer memória de Jesus (Sacrosanctum Concilium - SC). E permitir que o mundo possa ser ajudado a quebrar essas barreiras também pela Igreja (GS).

A profecia tem sua fonte no Mistério Pascal celebrado

É bom que todos saibam que a liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum traz como antífona de entrada o seguinte versículo tirado do livro do Eclesiástico: “Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: daí a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros” (cf. Eclo36,18). No ciclo trienal o que está implícito nas primeiras leituras e nos respectivos salmos responsoriais é a questão da misericórdia de Deus, para com o pecador (Ano A), para com o servo (Ano B) e para com o povo desviado (ano C). São estes personagens que nos fazem lembrar da misericórdia de Deus. Tudo isso em torno da mesa eucarística. É dela que, embora nos reconheçamos pecadores, tiramos força para o impulso da missão e da profecia.

Embora os documentos conciliares falem de profecia e do exercício do sacerdócio comum de todos os fiéis (LG 10), de opção pelos pobres e excluídos (LG 9b), de liturgia que seja missionária (SC), de envio ao mundo (GS) e de diálogo como pressuposto da missão (Unitatis Redintegratio - UR), as práticas reais do assumir-se como sacerdotes profetas estão longe do que se deseja. Frente a tudo isso, é preciso agirmos como Jesus, ligar nosso anúncio profético com a nossa prática, se não caímos no subjetivismo e no ensimesmamento. A inculturação exercida com cautela pode ser uma via para a liberdade desejada e diversificada (Ad Gentes - AG). Pensamos que a teologia da missão passa pelo Mistério Pascal que se celebra e se vive nas culturas. Toda ação da Igreja deve convergir para esse “celebrar” e dele tirar forças, pois mostra o fim último da missão (SC).

Não podemos esquecer que a LG define a Igreja como povo de Deus, o conjunto dos cristãos que aderiram ao Projeto de Deus, exercendo funções, ministérios e serviços, cada qual segundo o seu carisma e vocação, todos igualmente importantes, dotados de igual dignidade, com responsabilidades próprias na missão comum de anunciar e fazer presente o Reino de Deus, aqui e agora, “assim na terra como no céu” [1]. O nº 22 da GS fala do lugar de salvação, não só entendido como a Igreja, mas que ela mesma se assume como missão no mundo [2].

Liturgia, pastoral e o olho na realidade

Contudo não se pode perder de vista a missão e o Reino na articulação com redes de pessoas, com parcerias e serviços, e menos na institucionalidade, mas muito mais na ação orante, viva e eficaz, acreditando nas forças frágeis (semente de mostarda, sempre atentos no joio) e entender que essas realidades já estão atingidas pela páscoa de Jesus Cristo. Pensamos que a missão acontece por aí. No entanto, é necessário que estejamos sempre de olho, perguntando se muitas de nossas ações são acontecimentos realidades pascais. Arrisco-me a enumerar apenas algumas realidades:

- Muitas de nossas ações pastorais têm o assistencialismo como foco, investindo-se no social e no caritativo. Muitas de nossas liturgias são demasiadamente imbuídas de um sentimentalismo exagerado.

- Há chamados “ministérios de música”, com seus repertórios demasiadamente carregados de sentimentalismos e pietismos falsos que alimentam essa demanda em busca de um denominado renovo pessoal. Há padres cantores midiáticos que com seus repertórios incentivam essa prática. Eles mesmos alimentam um mercado religioso cujo capital gira em torno de promoções de sua beleza estética, mas muitas vezes esquecem que as grandes gravadoras é que lucram com suas produções. Sem contar que esses midiáticos ainda insistem em reunir mutidões nas chamadas "missas-show", com a desculpa de que "suas missas são mais animadas".

- Nas TVs católicas há toda uma programação voltada para o pentecostalismo, muitas vezes desviando práticas da piedade popular que por sua vez é ajeitada com o intuito de se ganhar dinheiro, vendendo-se esse aquele santo ou medalha.

- Certas instâncias da Pastoral Litúrgica, em todos os níveis, não sabem o que sequer celebram, se é o Mistério Pascal, ao longo de um ano litúrgico, ou se é o tema desta ou daquela campanha que está em vigor. O tema está nos centros das atenções, enquanto que o Mistério Pascal margeia as celebrações.

- Nossos animadores litúrgicos, também chamados de comentaristas, fazem mais o papel de apresentadores de telejornais e anunciadores publicitários do que de incentivadores e ministros servidores da celebração, conduzindo as assembléias no mistério celebrado.

- Nosso povo sequer tem espaço para se pronunciar nas celebrações dominicais, seja através de um momento em que se faz memória e se recorda a vida, os anseios, as alegrias e as tristezas daquela assembléia, seja no momento das preces e súplicas, na oração dos fiéis. Tudo é recebido de forma enquadrada e impressa, de maneira que não se abre para a construção e preparação das celebrações em conjunto. Os folhetos litúrgicos incentivam isso.

- Os grupos e equipes de celebração se reúnem apenas para distribuir tarefas, para dizer quem faz o quê.

- Há padres que se esquecem que as homilias carecem de uma palavra vital. Sem falar que a nossa iniciação à vida cristã carece de conteúdo teológico e bíblico.

- Há ainda pastorais e movimentos eclesiais que sequer conhecem os evangelhos e pouco se aprofundam no estudo da liturgia. Às vezes, os que se arriscam em estudar liturgia, ficam na linha do "pode ou não pode".

- Na internet pululam sites e blogs com incentivos outros de uma volta a um clericalismo dos tempos medievais, muitas vezes disfarçados de orientações litúrgicas ou doutrinais, ou ainda orientações acerca de como coroinhas, padres e bispos devem se vestir etc.

- Percebe-se um incentivo velado de que as meninas e mulheres não podem sequer subir no presbitério, ser coroinhas, por exemplo. No fundo, a discussão passa por uma questão de gênero e não de ministérios. A palavra diversidade, tanto em voga nos nosos dias, só é atribuída a ministérios, carismas e dons e não a pessoas e gêneros. O "diferente" ainda é estranho em nossas realidades eclesiais.

Enfim, ha outras que o(a) leitor(a) atento(a) pode também perceber.

Um Congresso que interpela a realidade

Nós estamos num processo de transição mundial. Vemos coisas possíveis e difíceis. Somos realimentados da certeza que fomos escolhidos e discípulos de Jesus Cristo. O Documento de Aparecida nos afirma isso. Mas a missão não se pode tornar uma neurose. No fundo, o que se deve buscar é o velho e conhecido conceito que deveria ser atributo de todo o povo de Deus: ser de natureza missionária. Este conceito já é acentuadamente claro no Concílio Vaticano II (LG), e teve suas conseqüências nas últimas conferências latino-americanas. A retomada disso se faz clara no Congresso de Leigos da Arquidiocese de São Paulo. O sacerdócio comum está sendo colocado em xeque. Presbíteros estão sendo convidados a estimular leigos e leigas na ação pastoral eclesial, enquanto que estes são convidados a re-assumir sua postura cristã no mundo, fazendo ser reconhecida a identidade participativa-missionária na sociedade, quer na educação, na saúde, no mundo do trabalho, na família etc. O campo de atuação é grande e precisamos de todos os mecanismos necessários. O que não podemos é reforçar as estruturas em detrimento da valorização das pessoas, sejam cristãs ou não. O mecanismo do aprisionamento tanto ritual quanto clerical de nada vai colaborar se o anúncio não for vivido a partir do “Glorificai a Deus com vossas vidas!”. Uma constatação desse mecanismo de aprisionamento é saber que vários movimentos e associações eclesiais estão voltados a esse fim, e com crescente ascensão. Embora encontramos situações outras que vivem seu encorajamento messiânico desvinculado de realidades medievais, mas com os pés no contemporâneo e a este atendendo.

Um jeito novo de viver o Reino implica num engajamento eclesial laico

Jesus rompeu com todo o ritualismo de sua época, inaugurando com sua vida e culminando com sua páscoa um jeito novo de viver o reino. A partir da análise social, indagamos sobre um novo modelo de Igreja possível, que possa não só abarcar essas realidades, mas responder através de uma caminhada de libertação de suas amarras, tanto rituais como magistrais, aos anseios que nela se apresentam. Frente às questões ecológicas, falamos de um novo mundo possível. Posso afirmar que frente às questões pastorais, sob o ponto de vista do sacerdócio comum devemos falar de uma “nova Igreja possível”. Os(as) leigos(as) podem corroborar com isso. Um dos caminhos é investir na formação desses(as). Essa formação não só passa pela via catequética, mas pelas instâncias de formação em nível superior, de mestrado e de doutorado. E, por falar em nível superior, porque é que só há investimentos de graduação e pós-graduação para seminaristas e presbíteros? Porque não investir no processo de educação superior em leigos e leigas que possam se comprometer com a formação também de seminaristas nas faculdades de teologia e nas casas de formação? Ademais, essa questão faz vir à tona o chamado “carreirismo”, muitas vezes implícito nas vocações jovens, e dificilmente percebida por professores e formadores que já são do ramo. Para muitos seminaristas, o estudo superior, muitas vezes financiado pela própria comunidade e também por leigos e leigas, torna-se “trampolim” para um possível estrelato, sobrepujado pela fama e pela ascensão midiática. Será se por detrás de uma vocação não se esconde uma leve ânsia de exercício de poder?

No entanto, ao olhar essa realidade, é preciso que nos demos conta de que precisamos ter o pessimismo da razão e o otimismo da vontade, acima de tudo sermos críticos para chegarmos de fato às raízes dos problemas, ou ver nas pequenas coisas uma vontade de mudanças. Atrás da comunidade tem sempre uma realidade que se esconde. Um bom método, uma boa pedagogia, nos ajuda nesse iniciar.

E o nosso engajamento eclesial, frente a tantas realidades que nos interpelam? Como ligamos essa problemática? Jesus não fez tudo sozinho, se apoderou de um grupo para ajudá-lo nessa missão, ele se sempre se pautou pelo coletivo. Aqui, cabe-nos a interpelação: os(as) leigos(as) somos seres subalternos à serviço da hierarquia ou temos que ser protagonistas da realidade, servindo como igreja e não à Igreja?

Direito de um retorno à profecia

Não obstante, vivemos numa Igreja preocupada com intenções ritualistas, dogmáticas, moralistas, subjetivistas, intimistas e integristas, e o direito de expressão dos profetas sociais está sutilmente sendo abortado. É preciso um maior estado de transparência nas relações eclesiais. A Leitura Orante da Palavra de Deus, se bem vivida e bem feita, fará perceber em muitos leigos e leigas esse sinal profético, há tempos esquecido. Ainda, para os que têm acesso, a Eucaristia bem celebrada, com seus ritos e preces, se torna fonte e cume de toda ação profética da Igreja, conforme declara a Sacrosanctum Concilium (nºs 2 e 10).

Frente a essa realidade, é preciso agirmos como Jesus, ligar nosso anúncio profético com a nossa prática, se não caímos no subjetivismo e no ensimesmamento.

E nossas liturgias, são sinais proféticos do Reino?

Neste sentido, nossas liturgias podem ser o ponto de partida para a missão. Nossas celebrações eucarísticas dominicais são povoadas de pessoas, dentre elas há ministérios diversos sendo exercidos, tendo em vista o bem comum litúrgico-ritual. Essas pessoas são assembléia, povo de Deus reunido ao redor do banquete para dar graças ao Pai e edificar suas vidas tendo como medida o próprio Jesus, altar e sacrifício.

Jesus mesmo reuniu freqüentemente pessoas e com elas comeu, num banquete festivo e alegre, muitas vezes celebrando a sua própria vida, como que sendo a realização do que deveria ser o Reino, com a divisão dos bens entre todos, culminando esse grande desejo com uma refeição ritual, numa ceia judaica na qual se entrega totalmente no sacrifício da cruz para a libertação do homem, no seu todo. Além de percorrer todas as cidades e aldeias pregando a Boa-nova do Reino, que era ele mesmo, com sua notícia de libertação da escravidão, dar vistas aos cegos, curar os enfermos, levantar os caídos etc.

O papel dos leigos e leigas e da Igreja na construção do Reino

Parece-nos que o modelo institucional eclesial que vemos hoje não está bem próximo dessa realidade de Jesus. Fala-se em centralidade das atividades paroquiais do que em diversificação dos serviços das comunidades que devem formar a paróquia. Os(as) leigos(as) reclamam a falta de unidade do clero. Por enquanto preferimos pensar que essa falta de unidade só se ressalta por seu aspecto externo. Fala-se em hierarquia, preponderando sobre a ministerialidade do povo de Deus. É uma pena que o Documento de Aparecida reserva o direito de configuração a Cristo apenas aos que têm vida religiosa e sacerdotal.

E os(as) leigos (as)? Qual o seu papel? Não podemos esquecer que a Lúmen Gentium define a Igreja como povo de Deus, o conjunto dos cristãos que aderiram ao Projeto de Deus, exercendo funções, ministérios e serviços, cada qual segundo o seu carisma e vocação, todos igualmente importantes, dotados de igual dignidade, com responsabilidades próprias na missão comum de anunciar e fazer presente o Reino de Deus, aqui e agora, “assim na terra como no céu” [3]. Também o nº 22 da Gaudium et Spes fala do lugar de salvação, não só entendido como a Igreja, mas que ela mesma se assume como missão no mundo [4].

Gloriosamente, não podemos esquecer que na conferência de Aparecida foi lembrada as realidades das comunidades que vivem sem ministro ordenado, essas podem viver segundo o domingo, através da celebração dominical da Palavra, que faz presente o Mistério Pascal no amor que congrega, na Palavra acolhida e na oração comunitária (DAp. nº 253). Entendemos que o Reino, a missão e a profecia também estão presentes em realidades em que não se fazem presentes os ministros ordenados. O povo já tem uma consciência disso, ao reunir-se e presidir por conta própria as celebrações dominicais da Palavra.

Ser Igreja ou ser igreja?

De certa forma, torna-se cada vez mais difícil o celebrar o Reino quando custa acreditar que o ser Igreja possa existir nos espaços não oficiais (sendo igreja mesmo assim, por força de leigos e leigas engajados nos mais diversos ministérios).

O contato com os espaços reconhecidos e institucionais ainda é um problema para nossa atuação profética e o pleno exercício da missão. A formação pensada numa ação conjunta, sem fragmentação dos ministérios ainda é realidade utópica. Pensa-se em diáconos permanentes, ministros da eucaristia, coroinhas meninos, etc, estes expressam um modelo de Igreja institucional. Parece-nos que no fundo o que prepondera é uma discussão de ministérios, há uma mudança de modelos eclesiais quando o que queremos é uma Igreja libertada desses apetrechos e penduricalhos. Aliás, é só olhar para as necessidades piedosas da nossa prática religiosa: por exemplo, uma família que pede para rezar uma missa de 7º dia diz: “vou pedir para o padre rezar uma missa”. Contudo, nem na própria missa de 7º dia há uma educação litúrgico-ritual para se entender que é a comunidade inteira que reza tanto pelos vivos como pelos mortos. Tudo isso nos faz perceber que o personalismo clerical ainda faz parte do imaginário religioso do nosso povo.

No entanto, o que nos consola é que quando não tivermos mais espaço para celebrar, podemos celebrar a liturgia da vida; passamos da liturgia à vida se amamos, diz São João em seu evangelho. De fato, a missão acontece quando ajudamos a descobrir com as comunidades que a Páscoa de Cristo acontece na páscoa da gente.

À guisa de conclusão

Nós estamos num processo de transição mundial. Vemos coisas possíveis e difíceis. Os leigos e leigas somos realimentados da certeza que fomos escolhidos e discípulos de Jesus Cristo. Mas a missão-profecia não se pode tornar uma neurose: “eu tenho que ir, mesmo que me custe muito, meu bispo, meu pároco me mandou”. No fundo, o que se busca é um reconhecimento eclesial daquilo que deveria ser atributo de todo o povo de Deus, já que o conceito povo de Deus já é acentuadamente claro, principalmente nas últimas conferências latino-americanas. Ninguém precisa de uma ordem ou mandato, ou ainda de um diploma para fazer isso, a própria missa já nos autoriza nos seus ritos finais: “Glorificai a Deus com vossas vidas!”.

Resta-nos entender que a via do discipulado laico passa pelo sentimento do prazer e não o da imposição. Muitos leigos e leigas já o possuem, e com grande vontade. Só pelo prazer se entende a mística do discipulado-missão. No prazer do encantar-se e do empoderar-se pelo Reino é que está a verdadeira proposta. Quiçá os presbíteros possam criar condições para que o(a) leigo(a) a desempenhe com categoria o seu papel, fazendo-o, num caminho pedagógico, aproximar-se das práticas e das ações de Jesus. Foi assim que Jesus fez com os seus.








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[1] AMORIM, Hélio. O protagonismo dos leigos. In Revista Vida Pastoral. São Paulo: Paulus, 1998, pp.25-26

[2] Ibidem.
[3] Ibidem.
[4] Ibidem.