sábado, 22 de novembro de 2014

9º Encontro de Compositores da CNBB – Edição 2014


9º Encontro de Compositores da CNBB – Edição 2014
Eurivaldo Silva Ferreira
Entre os dias 20 e 23 de novembro de 2014 encontram-se reunidos na Casa de oração da Cidade Regina das Irmãs Paulinas, situada na Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo – SP, diversos compositores que se dedicam à criação e à divulgação da música litúrgico-ritual.
O Setor de Música Litúrgica da CNBB promove um encontro anual e convida compositores da música litúrgica de diversas regiões do Brasil. São pessoas dedicadas à música e à arte das palavras, as quais cantam o mistério pascal nas diversas comunidades do Brasil.
A necessidade urgente de um aperfeiçoamento litúrgico-musical na técnica da composição, na qualificação de uma música litúrgica enraizada na cultura brasileira e o bom êxito dos encontros anteriores são os principais fatores que encorajam a CNBB neste processo, cujo objetivo é: promover a formação litúrgico-musical de compositores e letristas com as competências requeridas à formação e ao desenvolvimento de um grupo comprometido com a música no Brasil dentro de parâmetros estéticos, teológicos, litúrgicos, pastorais, técnicos e culturais.





















Faz parte das exigências da participação nas edições do Encontro de Compositores da CNBB a condição de que estes, sendo compositores, músicos ou letristas, já atuem como multiplicadores em suas dioceses ou regiões, os quais são convidados pelo Assessor do Setor de Música da CNBB, ou ainda indicados pelos membros da Equipe de Reflexão do referido Setor. Esses compositores, atuando como multiplicadores, favorecem e auxiliam as comunidades do Brasil, a fim de que possam cantar uma música que as ajudem a vivenciar o Mistério Pascal, força propulsora da música litúrgica, presente e celebrado nos diversos momentos do Ano Litúrgico.
Como nas edições anteriores, é trabalhado um tema relevante que contribua para a prática da construção de um canto litúrgico-ritual genuíno nascente da cultura musical brasileira. Esse tema, permeado de seu aspecto antropológico, pastoral e teológico, é contemplado com subsídios teóricos e práticos voltados para a elaboração de outros cantos litúrgicos, também valorizando aquele repertório já existente [Hinários Litúrgicos, por exemplo], ensejando conhecimento e técnicas de composição, além de ajudar a desenvolver um plano de formação litúrgico-musical, estimulando o surgimento de novas composições  que preencherão lacunas ainda existentes no repertório litúrgico da Igreja no Brasil, como que num “multirão”.
Especialmente nesta edição o tema desenvolvido foi pensado no Canto Litúrgico para a Memória dos Santos e Santas, cujo dado antropológico foi desenvolvido pelo antropólogo Prof. Ênio José da Costa Brito, que destacou em sua fala a questão da interculturalidade e do multiculturalismo, elementos interessantes que contribuem para o olhar das diversas culturas.
 Reginaldo Veloso destacou a questão do tema pelo viés pastoral e suas incidências na expressão litúrgica, indagando os participantes a refletirem a partir das seguintes questões: 1. Na experiência pessoal e comunitária de celebrar a memória dos Santos e Santas, A) o que você considera como mais positivo e importante? Por quê? B) Alguma coisa lhe parece questionário ou preocupante? Por quê?
Foi convidado o doutor e música pela UNESP, o Prof. Arthur Rinaldi, que, dando continuidade às questões da composição popular abordada na última edição (2013), ficou encarregado de trabalhar com os participantes o que se chama de Oficina de Composição e Música.
Penha Carpanedo, pddm, conhecida liturgista e contribuinte na formação litúrgica em todo o Brasil, trabalhou o Enfoque litúrgico-teológico da Devoção popular aos Santos e Santas, a partir dos textos eucológicos.
Com essa proposta, o encontro cumpre com sua metodologia, desenvolvida sempre sob três eixos temáticos: a Liturgia, a Música e a Cultura brasileira, que são abordados,  discutidos e refletidos em palestras, exposições ou em rodas de conversa, por isso sempre é assessorado por músicos profissionais, liturgistas qualificados e convidados especialistas no assunto, tudo sob a coordenação do Assessor da CNBB da Música Litúrgica, Pe. Carlos Sala.
Desta 9ª edição estão presentes 30 participantes, dentre músicos e compositores letristas de diversas regiões do país, especialmente convidados do Setor de Música da CNBB, dentre eles os membros da Equipe de Reflexão deste Setor.
A continuidade deste processo ainda permanece como perspectiva do Setor de Música Litúrgica da CNBB, e a ideia da criação e manutenção de um Corpo Eclesial de Compositores da Música Litúrgica implica numa consciência eclesial, a de se trabalhar como Igreja, tendo em vista a unidade na diversidade, principalmente quando se trata de música litúrgica.
Não é mais possível se conceber que pessoas ligadas à formação litúrgico-musical, sendo compositores, poetas, letristas ou músicos, permaneçam isoladas do contexto daquela expressão requerida pelos documentos da música litúrgica da Igreja no Brasil, desperdiçando seus talentos, mas sim, se apropriem de uma metodologia, colocando-se, com suas produções, à disposição da Igreja, trabalhando juntas, somando talentos, criando-se uma cultura, tendo uma liberdade na caridade, sem bloqueio e sem barreiras.

Nesta Igreja em que todos os compositores litúrgicos estão inseridos, todos e todas têm as mesmas alegrias e esperanças, como se fosse um só coração e uma só alma. Afinal o que é a liturgia senão a memória viva de Jesus Cristo, congregados no Espírito Santo?