quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pastoral litúrgica e o itinerário da iniciação à vida cristã

Eurivaldo S. Ferreira

A pastoral litúrgica é, sobretudo, dotada de duas características: preocupações e atitudes. Essas características são atribuídas à figura do pastor, que conduz as ovelhas. Para nós, o arquétipo de pastor é o próprio Jesus Cristo, o Pastor dos pastores.


Por sua vez, a pastoral não é feita isolada, mas se trata de um serviço prestado à Igreja, à paróquia e à comunidade, como um todo. O caráter litúrgico é qualitativo, pois refere-se aqui ao âmbito estritamente da celebração do Mistério Pascal de Cristo, já que existem outras variedades de pastorais incluídas na Igreja.

Na liturgia duas preocupações nos cercam, tendo em vista sua real e nobre função: a natureza da liturgia e a necessidade da preocupação com a celebração da fé da comunidade, envolvendo aqui todos os sacramentos e sacramentais. Neste sentido, é a pastoral litúrgica a responsável pelo re-avivamento da fé da comunidade que participa das celebrações, seja no ritmo diário, semanal ou anual. É no transcorrer do ano litúrgico que a pastoral litúrgica ela exercerá seu papel. Seus membros agem na pastoral litúrgica não atuando como tarefeiros da liturgia, mas como agentes responsáveis no serviço da liturgia bem celebrada.

O serviço da pastoral litúrgica nada tem a ver com a atitude do levita, no relato da parábola do bom samaritano que, ao passar pelo indivíduo caído à beira do caminho, com pressa de chegar no templo e executar os ritos, não se preocupa com a vida social que o cerca. De que adianta celebrar bonito, se a vida lá fora está às margens? Diz um movimento eclesial que se faz necessário ligar fé e vida. Por isso, a pastoral litúrgica deve se preocupar em ser “pedagoga” na fé da comunidade, ligando o social ao religioso, o costumeiro com o festivo, o comum com extraordinário.

Um compositor litúrgico lembra que se a gente chega à prática ritual, sem ter passado por essa experiência existencial, sem ter passado por essa consciência da sua dimensão sacerdotal, estamos queimando etapas e pondo em risco a verdade dos Sacramentos da fé, cuja realidade substancial é Cristo vivo em nossa vida cotidiana, em nossas atitudes e posturas existenciais.

Por isso, no itinerário da iniciação à vida cristã, que é também chamado de catecumenal, se não se for vivido numa dimensão ritual onde os frutos oferecidos pelo próprio rito não sejam experimentados na vida, incorre o iniciado de não progredir na fé, já que “a iniciação cristã é a primeira participação sacramental na morte e ressurreição de Cristo, diz o Ritual de Iniciação à Vida Cristã (RICA, 1974).

Portanto, cabe aqui a grande responsabilidade da Pastoral Litúrgica para com os catecúmenos, a fim de que estes não pereçam naquilo que se prontificaram a assumir.

Manifesto de cristãos sobre o momento político atual

Prezad@s tod@s

Segue manifesto Pró-Dilma escrito pelo Ir. Marcelo Barros, assessor das Comunidades Eclesiais de Base e dos Movimentos Populares, membro da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo.
Como muitos/as estão querendo manifestar seu apoio, sugerimos que aqueles(as) que concordarem, assinássemos abaixo do Manifesto e o circulássemos entre pessoas e instituições de nosso relacionamento. Basta copiar no seu e-mail e fazer circular.
Abraço.

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”

Somos homens e mulheres, ministros, agentes de pastoral, teólogos, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs. Movidos pela fidelidade à verdade, viemos a público declarar:


- Nestes dias, circulam pela internet e pela imprensa manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”. A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e se reuniu com lideranças das Igrejas em um positivo diálogo sobre o assunto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

Não aceitamos que se use a fé para condenar alguma candidatura. Fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

- Consideramos que, para o projeto de um Brasil mais justo, mais igualitário e de maior respeito ao planeta Terra, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória daquele, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais, econômicos e ecológicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

- Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

- Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais e ambientais, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

Não nos interessa se tal candidato/a é cristão ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com desenvolvimento e sustentabilidade, como defende Marina Silva, só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. Dilma Rousseff representa este projeto iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isso que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010. Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos: