quinta-feira, 17 de abril de 2008

Música litúrgica - critérios para escolha dos cantos



Música Litúrgica[1]

CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DOS CANTOS

Ione Buyst*

Quando é que podemos dizer que uma música é litúrgica? O que se exige de uma música na liturgia?
Em que critérios deverão se basear os responsáveis pela música litúrgica nas dioceses, paróquias e comunidades, para escolher o canto certo num repertório tão vasto de músicas de cunho “religioso”? E os compositores? A que exigências deverão obedecer suas criações, se quiserem prestar um serviço ao povo cristão reunido para o culto?
Da constituição conciliar sobre a liturgia e os demais documentos oficiais da Igreja após o Concílio, destacamos seis exigências:
1. O canto na liturgia deve nascer da Palavra de Deus.
2. Deve ser cantado pelo Povo.
3. Deve ser cantado numa linguagem musical própria a cada comunidade.
4. Deve criar união na comunidade.
5. Deve ser uma forma de verdadeira arte.
6. Deve ser um sinal litúrgico.

1. O CANTO NA LITURGIA DEVE NASCER DA PALAVRA DE DEUS

O canto na liturgia deve nascer da Palavra de Deus, e “os textos sejam tirados, principalmente da Sagrada Escritura e das fontes litúrgicas” (SC, 121).
Quer dizer, que os poetas e compositores deverão deixar-se conquistar e converter-se pela Palavra de Deus, sentir o “suave e vivo afeto pela Sagrada Escritura” (SC 24), e viver a vida litúrgica... para poderem oferecer ao povo cristão cantos apropriados ao seu culto.
Quer dizer também que, para poder cantar e viver o mistério pascal, o povo deve receber o anúncio da Salvação, de maneira sempre renovada. “Como invocarão Aquele em quem não creram?” (Rm 10,14 – SC 9). E toda e qualquer pastoral da música litúrgica deve inserir-se no esforço de Evangelização constante de toda a Igreja. Pois, “antes que os homens possam achegar-se à liturgia, é necessário que sejam chamados à fé e à conversão” (SC 9). E isso é possível somente numa vivência do mistério da Trindade que se comunica a nós na comunhão eclesial e na vida fraterna de uma comunidade concreta.

2. DEVE SER CANTADO PELO POVO

Conseqüência lógica da redescoberta do sacerdócio dos batizados e a função da assembléia litúrgica: quem celebra é o “Corpo Místico de Cristo, Cabeça e membros”, e “Cristo Sacerdote e seu Corpo que é a Igreja” (SC 7). A própria natureza da liturgia exige, pois, a participação plena, consciente e ativa de todo o povo cristão, que pelo batismo se tornou geração escolhida, sacerdócio real, povo santo conquistado por Deus (Cf. SC 14). E é dever dos bispos e outros pastores “cuidar que toda a comunidade dos fiéis possa participar convenientemente e ativamente de todas as celebrações realizadas com canto” (SC 114).
Acabou-se, pois, o monopólio dos corais. É o povo que deve cantar. O povo se torna ator e cantor e deixa de ser apenas ouvinte e espectador.
Os corais podem e devem continuar existindo, porém, muda a sua função: deve promover a participação ativa de todo o povo. A sua preocupação não deve ser meramente artística (cantar bonito e ter um repertório artístico); mas pastoral: cuidar da participação de todo o povo, escolher músicas que sejam sinais litúrgicos, como será explicado no item 6. O coral deixa de ser um grupo à parte: deve estar inserido na assembléia como um membro no Corpo. E não podemos mais imaginar um grupo que participe da Igreja somente no canto: os membros do coral devem ser membros plenos e ativos da Igreja-Comunidade. Não devem ser artistas ou profissionais que, de fora, vêm embelezar o culto. Também o seu lugar no espaço da igreja deve manifestar esta unidade. Não deve estar longe do povo, no coro, por exemplo, mas unido ao povo; não deve participar somente nos momentos do canto, mas em toda a celebração. O mesmo vale para o organista e os outros instrumentistas.
O salmista ou o cantor, ou mesmo o coral, podem em certos momentos da celebração alternar com o canto do povo, porém nunca substituí-lo. Podem cantar os versos ou algumas partes mais difíceis, deixando para o povo o canto do refrão. Porém, nunca poderão cantar sozinhos aqueles cantos que são próprios de todo o povo: “o Santo, o salmo responsorial, as respostas e aclamações, o canto de entrada e da comunhão, o Senhor tende piedade, o Glória, o Cordeiro de Deus, o Credo, o Pai Nosso. Essas partes são a liturgia cantada pelo povo” (Doc. CNBB nº. 2ª, Pastoral da Eucaristia, item 5.2.1).
E o povo canta mesmo! Basta dar-lhe oportunidade e oferecer música que caia no ouvido, que lhe ressoa na alma, num ritmo capaz de arrastar seus sentimentos e tocar o seu coração. É o que diz o parágrafo seguinte.

3. DEVE SER CANTADO NUMA LINGUAGEM MUSICAL PRÓPRIA A CADA COMUNIDADE

Para uma comunidade celebrar o mistério pascal cantando, é preciso que possa se expressar numa linguagem musical própria àquela comunidade. O concílio reconheceu este imperativo, abrindo as portas para a necessária aculturação e a pluriformidade.
Não se trata mais de um repertório universal aplicado a todos os povos e a todas as culturas; não se trata de dar nome litúrgico para um ou outro instrumento. É preciso que cada povo possa exprimir o mistério cristão dentro da cultura que lhe é própria e com os elementos desta cultura. Ou, como lembra o documento do Papa Paulo VI – Evangelização no mundo contemporâneo: “a edificação do Reino não pode deixar de servir-se dos elementos da cultura e das culturas” (art. 20). E vale a pena lembrar o artigo 119 da SC: “Deve-se levar em conta a estimação da música dos povos com tradição musical própria, e adaptar o culto à sua mentalidade”, de acordo com o artigo 39 e 40 (que trata da adaptação da liturgia à índole e cultura de cada poço).
É preciso, pois, criar uma música litúrgica genuinamente brasileira, porque, só assim, a participação do povo poderá ser autêntica e atingir a pessoa toda: corpo, alma e sentimento...
Os artigos 117 e 19 da SC lembram ainda outra exigência para a música na liturgia: a pluralidade. O estilo de música deve ser conforme cada comunidade ou assembléia concreta: é preciso promover a participação interna e externa dos fiéis, levando em conta “a idade, condições, tipo de vida e grau de cultura religiosa”, e providenciando uma música mais simples para uso de igrejas menores.
Cada comunidade deverá escolher (e quem sabe, também criar) sua música dentro das possibilidades e dos recursos daquela comunidade: há violonistas na comunidade? Cante-se com violão. Tem sanfona e sanfoneiro ou bandolim, ou cavaquinho, ou berimbau?... Toque-se ao som da sanfona, do bandolim, do cavaquinho ou do berimbau... O povo costuma “tocar” caixa de fósforos ou bater palmas? Que se exprima também isso na liturgia. Gostam de cantar a vozes? Pois que cantem. Se numa outra igreja tem órgão e organista, use-se o órgão..., se com isso aquela comunidade puder cantar e se exprimir melhor...
O importante é que aquele modo de se exprimir seja autêntico para aquela comunidade. Não se trata, pois, apenas de “gostos” individuais, de seguir a “moda” musical: para ser autêntico o canto deverá estar enraizado nas bases folclóricas.

4. DEVE SER UMA FORMA DE VERDADEIRA ARTE

A música litúrgica deve ser “verdadeira arte” (SC 112). Sem querer dar aqui uma definição do que seja “arte”, (o que ninguém consegue), devemos nos lembrar daquilo em que todos estão de acordo: não podemos restringir a “arte” à composição erudita, ou à arte clássica aprendida (até que ponto?) por uma pequena elite com maiores recursos culturais e econômicos, mas fechada à maioria da população brasileira. Há também uma arte popular! E, felizmente, já se iniciou um movimento de revalorização desta arte popular e folclórica, também aqui no Brasil, tanto no campo da música, como da poesia ou do artesanato...
O que faz que uma poesia ou melodia seja “arte” e outra não? Impossível dizê-lo. Mas toda pessoa que tem um pouco de sensibilidade, logo a reconhecerá e ficará encantado com ela. Talvez porque a arte, a verdadeira – e só ela -, seja capaz de exprimir nas entrelinhas, toda a intensidade de vida de um povo, sentida, vivida a partir do interior...
Não explica; insinua, deixa adivinhar. Não explicita; faz apenas alusão.
Por que a música e o canto na liturgia devem ser verdadeira arte? Exatamente porque o mistério da nossa união com Deus é tão grande, é tão imenso e tão maravilhoso, que somente a arte é capaz de exprimir. Não podemos entendê-lo de todo: apenas adivinhar e intuir; não somos capazes de explicar, apenas de sentir e viver... O mistério escapa às explicações gramaticais, matemáticas, exatas. Ele é maior e o ultrapassa. E é por esse mesmo motivo certamente que, para explicar o Reino dos Céus, Jesus Cristo não dava aulas de filosofia, mas falava em parábolas!

5. DEVE CRIAR UNIÃO NA COMUNIDADE

A música deve criar união na comunidade, ou, como diz a SC, art. 112: deve favorecer a unanimidade. A união das vozes cantando num mesmo ritmo, numa mesma melodia, numa mesma intensidade, de fato, exprime e fortalece o sentido do grupo ou da comunidade. Não só com a comunidade concreta ali reunida mas, também, com toda a comunidade dos santos no céu e da terra, unindo-nos aos coros dos anjos (SC 8) e ao próprio Filho de Deus “que veio trazer à terra aquele hino que é cantado por todo o sempre nas habitações celestes” (Instrução “Liturgia das Horas”, 3).
O canto deve abrir-nos para a realidade maior que nos envolve e que ultrapassa o tempo e o espaço. A música deve ajudar-nos a ter os “Corações ao alto”, numa participação antecipada, mas real, da liturgia celeste, frente ao trono do Cordeiro descrito no Apocalipse (SC 8) e que continuaremos celebrando numa festa sem fim, quando Deus será tudo em todos e Cristo terá entregue o Reino nas mãos do Pai (Introdução da Liturgia das Horas, 16).
Será que nossas músicas não são um pouco acanhadas e restritas demais para serem capazes de levantar os ânimos e abrir os horizontes de nossos corações e inteligências?

6. DEVE SER UM SINAL LITÚRGICO

Há uma frase no artigo 122 da constituição conciliar que é fundamental para a compreensão do novo papel da música na liturgia: “A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica”.

A) – A partir deste momento, pois, o termo, “música sacra” não deve ser mais entendido como um determinado estilo de música: música “religiosa”, capaz de suscitar emoções ou uma espécie de sensação mística; ou então música de órgão ou harmônio. O termo “música sacra” (nascido do protestantismo alemão do século XVII) está, aos poucos, dando lugar para o termo mais exato de “Música Litúrgica”.
B) – Não excluindo de tudo a expressão musical sem palavras, o termo música litúrgica se refere principalmente ao canto “baseado em palavras” (SC 112).
O canto é o meio de o povo cristão exprimir sua fé, gritar seu desespero, chorar suas mágoas, declarar seu amor a Deus, implorar o perdão, proclamar a ressurreição, cantar sua gratidão e seu louvor, aclamar seu Senhor, unir-se a Ele em comunhão. É um meio de comunicação do povo com seu Deus, ou, como dizia Paulo VI: “é linguagem da comunidade em oração”. Ele é ação litúrgica; mesmo quando acompanha um rito – como no caso das procissões, ele não é enfeite, mas parte integrante daquele rito.
Não é monólogo, uma reflexão em voz alta, uma meditação; é diálogo, conversa, resposta: dirige-se a Alguém. Alguém que está presente no meio de nós e que está presente de uma maneira ativa: falando, interpelando, perdoando, unindo, entregando seu Corpo e Sangue. Por isso é importante o estilo direto. Não falar sobre Jesus Cristo, mas dirigindo-se a Ele: “Senhor, tende piedade!”, “Vem Senhor!”, “Recebe Senhor!” Não dar indiretas ao povo, mas dirigir-se a ele: “Ressuscitei, aleluia”, “Louvai ao Senhor!” Como as outras respostas e aclamações, o canto cria a comunicação orante da Igreja-Esposa com o seu Esposo, o Cristo, Nisso, o canto litúrgico do “canto de mensagem”, ou do canto de cunho didático ou catequético. Não se trata de ensinar, de inculcar idéias, de transmitir mensagens. Trata-se de dar ao povo reunido, um meio de expressão e de diálogo.
C) – A liturgia não é aula. É ação. O canto na liturgia é, pois, um meio de viver o mistério que está sendo celebrado: o mistério pascal de Jesus Cristo, a aliança de Deus com seu povo, a Salvação trazida por Jesus Cristo, hoje. Não uma salvação fora do tempo e do espaço, e sim encarnada nas realidades vividas no dia a dia. Como bem o lembra o documento de Medellín (CELAM), a liturgia, e portanto, também a música na liturgia, coroa e comporta um compromisso com a realidade humana, com o desenvolvimento e com a promoção, precisamente, que abrange a totalidade do homem. Ela deve “levar a uma experiência vital da união entre a fé, a liturgia e a vida cotidiana!”
Não é verdade que a maioria dos nossos cantos ainda se restringem ao plano pessoal e de relações interpessoais, onde o “eu” está no centro das atenções (eu quero, eu gosto, eu sinto...)? Há poucas músicas que cantam a preocupação com a salvação do mundo, com a conversão freqüente aos valores a que se apega a sociedade e que estão levando a humanidade à predição: o lucro, a violência, o poder... Não estou pedindo com isto, músicas de protesto; apenas, como em toda a tradição bíblica, o canto do povo de Deus deve nascer da solidariedade e da preocupação com o destino de todos.
Bem o lembrou Dietrich Bonnhoeffer, o teólogo protestante, na última guerra mundial, quando os judeus estavam sendo exterminados pelos nazistas e o próprio Bonnhoeffer estava preso: “Somente quem grita em favor dos judeus, é que tem o direito de cantar o gregoriano”.
Pois, senão, Deus mesmo nos dirá: “Aborreço suas festas; são um desgosto para mim! Fiquem longe de mim com o barulho de seus cânticos; não quero mais ouvir a música dos instrumentos de vocês...” (Am 5,21-24).
Para poder compor textos e músicas que exprimem a morte e a ressurreição de Jesus Cristo e dos membros do seu Corpo, é preciso que os poetas e compositores, como membros desse Corpo, “chorem com os que choram e se alegrem com os que estão alegres”. Para podermos cantar de maneira autêntica este mesmo mistério, é preciso que todos nós sejamos solidários e levemos a sério o sofrimento e a luta dos nossos irmãos, para podermos também sentir a esperança e a vida que vem da fé em Jesus Cristo.
D) – Estando inserido na ação litúrgica, o canto deverá exprimir o sentido da festa do dia ou do tempo litúrgico (advento, natal, páscoa, tempo comum, etc.), a função de cada canto (entrada, salmo de resposta, comunhão, aclamação eucarística, etc.) e o tipo de celebração: batismo, casamento, eucaristia, oração da comunidade, etc.
Celebrando a Páscoa de Jesus Cristo, não apenas lembramos o acontecimento passado, mas, tomamos parte nessa mesma ressurreição, em virtude da sacramentalidade da liturgia. Com Cristo podemos dizer e cantar: “Ressuscitei, aleluia!” No Natal não lembramos apenas o nascimento do Cristo 2000 anos atrás, na gruta de Belém, “mas também o Verbo que nasce em nós e na nossa comunidade: “Nasceu-nos HOJE um Salvador”.
Será que nós levamos a sério essa dimensão sacramental da celebração litúrgica? Será que acreditamos mesmo nesse hoje da liturgia? Será que estamos sabendo que o “Cristo está presente quando a Igreja reza e salmodia”? Que é Cristo quem fala quando se lê a Bíblia na igreja? E que quando alguém batiza, é Cristo que batiza? (Cf. SC 7). E essa presença nos deixa indiferentes?!
O canto deve exprimir a ação de Cristo na comunidade, e a resposta dos participantes que aceitam alegres esses dons da salvação.ó o Verbo que nasce em nscimento do Cristo 2000 anos atrs parte nessa mesma ressurreiç Como podemos, pois, num casamento cantar outra coisa que não seja a aliança e a comunhão de deus com seu povo, que se realiza e se torna visível no compromisso de fidelidade e no amor mútuo dos noivos? Como podemos, pois, no batismo cantar outra coisa que não seja a inserção de um novo membro no Corpo de Cristo e a nossa participação na vida divina? Como cantar no dia de Pentecostes outra coisa que não seja a vinda do Espírito Santo na nossa comunidade cristã, hoje, para que sejamos testemunhas da ressurreição e fermento de unidade?
Na hora da comunhão no Corpo e Sangue de Cristo “não basta estarmos pensando em Deus...” ou seja ouvindo “a chuva no telhado”, que para mim é cantiga de ninar, mas que deixa o pobre irmão na lama e no desespero... Isso vem depois (e num dia de chuva de preferência).
Mas na hora da comunhão é preciso exprimir de maneira clara e jubilosa, que “o Senhor é nossa comunhão”, que não anda sozinho quem vive em comunhão”, e “quem come deste pão viverá eternamente” – É preciso ouvir o Senhor nos falar nesse momento: “Eu quis comer esta ceia agora...!” É preciso reafirmar a nossa adesão à Palavra que ouvimos naquele celebração, pois o Cristo que nos dá seu Corpo e Sangue que é o mesmo que falou para nós no evangelho. Aliás, é por isso que muitas antífonas da comunhão retomam versos do evangelho ou fazem alusão às leituras do dia: “Põe a mão nas minhas chagas...” (2º domingo da Páscoa); “Cheios do Espírito Santo, proclamavam as maravilhas de Deus!...”(Pentecostes).
E) – Na liturgia, objetos e gestos da vida cotidiana, tornam-se sinais litúrgicos, símbolos da fé cristã, que somente os fiéis compreendem. O pão, o vinho e a refeição eucarística, a água e o banho do batismo, o óleo e a unção..., sem deixar de ser pão, vinho, água... tornam-se portadores de uma nova realidade: o reino de Deus, a diva divina, a comunhão no Corpo de Cristo... Assim também o canto e a música, sem perder nada de suas características, ou melhor, ampliando e alargando-as até o infinito, até o transcendente, até o mistério total de nossa fé, eles se tornam portadores da nova realidade inaugurada por Cristo.
Os ritmos, a harmonia, as características do samba, da marcha-rancho, do baião, são colocados a serviço do povo de Deus para que ele possa exprimir, viver e celebrar o mistério de sua fé.

CONCLUINDO

Se a renovação da música litúrgica já deu passos enormes, ainda há muito caminho pela frente. Neste tempo de crescimento, devemos ir, aos poucos, substituindo as criações menos litúrgicas e menos artísticas por novas criações mais maduras e mais de acordo com a função na liturgia.
O esforço não deve ser só dos compositores e poetas. É preciso um trabalho de educação musical e litúrgica de todo o povo. Não basta ter bons compositores e poetas; devemos nos convencer da urgente necessidade de ter, em cada comunidade, pelo menos uma pessoa, um ministro do canto litúrgico, que tenham o dom e a formação musical, litúrgica, pastoral e pedagógica, para levar avante este trabalho.
Impossível? Por quê? Se estamos convencidos da necessidade de catequistas para crianças, se gastamos dinheiro na preparação de futuros padres, se achamos necessário multiplicar os ministros extraordinário... Por que não nos preocuparmos também com o ministério do canto litúrgico? Pois, tão urgente quanto a criação e a divulgação de novas músicas é a elaboração de uma pedagogia que leve o povo cristão a saber viver a música: sentir com a música, pensar com a música, rezar com a música, entregar-se a Deus através da música.


[1] Revista de Liturgia, Setembro/Outubro de 1976, nº. 17.
* Ione Buyst, há muitos anos dedica-se à formação e à Pastoral Litúrgica. Assessora encontros e ministra cursos de liturgia em muitas regiões do Brasil. É membro-fundadora da Rede Celebra, Rede de Animação Litúrgica.

A ministerialidade da Igreja



Frei Joaquim Fonseca, ofm


Artigos publicados na Revista de Liturgia ao longo do ano de 2005

I - Introdução

Neste texto, trataremos do sentido teológico, litúrgico e espiritual dos ministérios. À guisa de introdução, falaremos sobre a ministerialidade da Igreja e sua incidência na liturgia.

1.1. A ministerialidade da Igreja e sua incidência na liturgia

O Concílio Vaticano II restabeleceu o conceito de Igreja como povo de Deus. Trata-se, portanto, de um povo sacerdotal, profético e régio que tem uma missão específica na Igreja e no mundo. O sacerdócio batismal confere aos leigos e leigas o pleno direito de, junto com os ministros ordenados (bispos, presbíteros e diáconos) participar ativamente da vida e missão da Igreja.

Na celebração litúrgica, este sacerdócio batismal se dá de forma visível quando acontece a participação ativa e frutuosa de toda a assembléia. A assembléia reunida no Espírito Santo constitui o corpo místico de Cristo. Um corpo com muitos membros, mas que estão a serviço uns dos outros
[1]. Por isso dizemos que a Igreja é toda ela ministerial e que uma verdadeira ação litúrgica só é possível quando existe a integração de todos os ministérios entre si e destes com a assembléia.

Atualmente, existem na Igreja três tipos de ministérios litúrgicos
[2]: aqueles exercidos pelos ministros ordenados (bispo, padre e diácono); outros pelos ministros instituídos (leitor e acólito); e ainda aqueles serviços que são desempenhados de forma estável ou ocasional por homens e mulheres. Nesta última categoria de ‘ministros’ se incluem todas as pessoas que cuidam do canto e da música nas celebrações litúrgicas. Destes, falaremos mais adiante.

1.2. A participação da assembléia

Vimos que a Igreja é toda ela ministerial e que os ministérios têm seu fundamento no sacerdócio comum dos fiéis. Estes, por força do batismo, têm direito e obrigação à participação plena, consciente e ativa na ação litúrgica (cf. SC 14). A assembléia dos fiéis não é uma simples reunião de pessoas. É, sim, uma comunidade congregada e organicamente estruturada sob a ação do Espírito Santo. Nela, há pessoas que desempenham diferentes funções, destacando-se o exercício da presidência da celebração. Este ministério, assim como todos os demais, “não está acima da assembléia, mas dentro dela; não sobre a comunidade, mas a serviço da mesma”
[3].

Podemos afirmar que a participação dos fiéis foi um dos principais imperativos que desencadeou a reforma do Concílio Vaticano II. Não é à toa que ao longo do texto da Constituição sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosancutm Concilium) - sobretudo naquelas passagens em que são anunciados os grandes princípios da reforma - aparece esta preocupação
[4]. A participação ativa, externa, interna, consciente, plena e frutuosa dos fiéis[5] requer um esforço contínuo de formação litúrgica, de catequese mistagógica, de preparação cuidadosa das celebrações e de fidelidade às normas que regem o desenvolvimento da celebração. Neste sentido, a participação litúrgica é uma tarefa sempre inacabada, além do fato de cada ato celebrativo ser nele mesmo um importante momento formativo para a participação do povo sacerdotal no mistério de Cristo[6].

E a participação dos fiéis no canto e na música? Como isto se dá na ação litúrgica? Vejamos a seguir:


1.3. Os ministérios litúrgico-musicais e sua importância na participação da assembléia na ação litúrgica

Nas comunidades espalhadas por este imenso Brasil, um número expressivo de homens e mulheres cuidam do canto e da música nas celebrações (compositores, animadores, salmistas, instrumentistas, coral ou grupo de cantores). Embora constituindo um verdadeiro ministério ltúrgico (cf SC 29), nem sempre este importante serviço tem sido desempenhado da maneira mais apropriada. Sentimos que a grande maioria destes ‘ministros’ carece de uma formação litúrgico-musical básica. Isto tem acarretado sérias dificuldades como: a falta de critérios teológico-litúrgicos na escolha dos cantos e da música para as celebrações, a maneira incorreta de tocar os instrumentos musicais, a falta de entrosamento entre instrumentistas, grupo de cantores e assembléia etc.

De antemão asseguramos: Como parte integrante da assembléia, os diversos ministérios devem contribuir para que esta porção do povo de Deus participe ativa e plenamente da celebração. Vale lembrar que ninguém está ali para tocar ou cantar para o povo, mas juntamente com ele. Os ministros do canto e da música devem, juntamente com todo o povo reunido, louvar ao Senhor de todo o coração e crescer espiritualmente, deixando-se santificar pelo Espírito do Senhor que atua poderosamente na celebração litúrgica
[7].
Enfim, sem uma formação litúrgico-musical básica dos(as) ministros(as), torna-se praticamente impossível a participação ativa e frutuosa dos fiéis na ação litúrgica.

II - Ministério do coral ou grupo de cantores

Os documentos da Igreja usam diversos nomes para indicar a mesma função daquele grupo especializado ou não de fiéis que desempenha um papel especial na celebração litúrgica, através do canto
[8]:
- Coro (cf. Sacrosanctum Concilium (SC) 121; Musicam Sacram (MS) 19; 34);
- Coral (cf. MS 21; 24);
- “Grupo de cantores” (cf. MS 9; 16; 22; 23; 26);
- “Schola cantorum” (cf. SC 29; 114; MS 19; 20);
- “Capela musical” (cf. MS 19; 20);
As palavras coro e coral, aqui no Brasil, são usadas indiferentemente; grupos menos especializados são chamados também de equipe de canto.
Embora nosso objetivo não seja o de enveredar por longas incursões a respeito do coral na história da Igreja, concentraremos nossa atenção sobre alguns aspectos históricos, teológico-litúrgicos e pastorais a respeito do ministério do grupo de cantores, em geral.

3.1. O que é? A função e o lugar do coral na liturgia

· O que é: O coral consiste num grupo de cantores escolhidos em uma comunidade e dirigidos por um mestre. O grau de especialização técnica de um grupo dessa natureza varia de acordo com a medida de conhecimento técnico-musical dos cantores e de seu regente;
· Sua função é prestar um serviço ou ministério litúrgico em benefício da comunidade. Vale ainda lembrar que o critério fundamental para definir o coro litúrgico não é o repertório, mas a sua função litúrgica que é “garantir a devida execução das partes que lhe são próprias, conforme os vários gêneros de canto e auxiliar a ativa participação dos fiéis no canto”
[9];
· Seu lugar: A própria colocação do coro deverá mostrar a sua real natureza e função: este grupo (especializado ou não) nada mais é, do que uma porção da assembléia dos fiéis que, em nome e em função da mesma, desempenha um papel litúrgico particular. Seu melhor lugar é próximo à assembléia (à frente, à direita ou esquerda, em lugar visível e cômodo, fora do presbitério), de modo que os cantores possam desempenhar bem sua função e mais facilmente ter acesso à mesa eucarística
[10].


3.2. Notas históricas
[11]

A história registra a presença do coral na Igreja a partir do século IV. Os primeiros coros eram formados de homens, sobretudo de monges que, inicialmente, ficavam agrupados nas primeiras filas da assembléia. Não se trata, ainda, de cantores especializados, mas de pessoas que auxiliavam o canto da comunidade, executando aquelas partes mais difíceis de entoação dos salmos, hinos, aclamações, ladainhas e respostas.

No intuito de difundir o canto gregoriano em toda a Europa, aparecem, por volta do século VII, as chamadas Scholae Cantorum que, na realidade, são coros de meninos e de clérigos altamente especializados. Isto se fez necessário uma vez que o canto se tornara cada vez mais rebuscado e de difícil execução. Conseqüentemente, os corais passaram a monopolizar o canto litúrgico, enquanto o povo se contentava na condição de ouvinte da “Divina música”.

Esta situação se agravou ainda mais quando do surgimento da polifonia vocal clássica (música a mais vozes)
[12], no início do segundo milênio. A partir de então, gradativamente, a música da Igreja foi se confundindo com a música de concerto, atingindo seu ápice nos séculos XVIII e XIX. A separação entre coral e assembléia se deu de tal forma que nas igrejas não podiam faltar o “Coro” – lugar elevado normalmente por cima do hall de entrada da Igreja, reservado aos músicos.


3.3. O coral na liturgia renovada do Concílio Vaticano II

A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II não aboliu o coral. Pelo contrário, o incentivou.
[13] O coral desempenha um verdadeiro ministério litúrgico, daí sua importância no conjunto dos ministérios da assembléia litúrgica[14]. Um coral, bem formado e orientado, poderá prestar um importante serviço à assembléia, exercendo um ministério múltiplo, seja reforçando o canto litúrgico da assembléia em uníssono ou enriquecendo sua melodia com um arranjo vocal a mais vozes[15].

As formas litânicas do “Senhor, tende piedade de nós”, do “Cordeiro de Deus”; os cantos de repetição (muito comuns no interior do Brasil); ou ainda a forma antifonal (coro e assembléia executando um mesmo canto, de forma alternada) - são ótimos exemplos de diálogo entre coro e assembléia. Além destas possibilidades, o coral também poderá entoar uma peça, ou motete durante a procissão e preparação das oferendas, durante ou após a comunhão.

Cabe-nos aqui, mais uma vez, lembrar que alguns cantos, em princípio, nunca deveriam ser executados somente pelo coral, como por exemplo, o “Glória” e o “Santo”. Pelo fato destes hinos pertencerem “à comunidade toda, que eventuais arranjos a vozes para coro, nunca impeçam a participação do povo, mas antes, a favoreçam e reforcem”
[16]. O “Glória” é um hino de louvor, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro[17]; o “Santo” é uma aclamação do novo povo de Deus que se junta ao coro dos Serafins, conforme descreve o profeta Isaías em sua visão no templo de Jerusalém (cf. Is 6,3), e ao coro da grande multidão que aclamava Jesus quando entrava em Jerusalém (cf. Mt 21,9). É necessário dizer que uma adequada formação litúrgica e espiritual[18] para músicos e cantores corrigirá muitos equívocos e evitará futuros mal-entendidos quanto ao real sentido da função ministerial do canto e da música na liturgia[19].

Uma das dificuldades que ainda persiste na integração do coral na liturgia da Igreja no Brasil - sobretudo do coro polifônico e especializado - é a escassez de repertório em vernáculo e adequado à ação litúrgica. Poucos compositores enveredaram por este caminho nos últimos 40 anos. Nosso desejo é que os mesmos se empenhem na criação deste gênero de música litúrgica, conforme o espírito do Concílio Vaticano II.

III - Ministério litúrgico do(a) salmista

Cantai com a voz, cantai com o coração, cantai com os lábios, cantai com a vida: Cantai ao Senhor Deus um canto novo. Queres saber o que cantar, a respeito daquele a quem amas? Sem dúvida, é acerca daquele a quem amas que desejas cantar. Queres saber então que louvores cantar? Já o ouviste: Cantai ao Senhor Deus um canto novo. Que louvores? Seu louvor na assembléia dos fiéis. O louvor de quem canta é o próprio cantor.
Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente (Santo Agostinho)


5.1. Um ministério a serviço da Palavra

Antes de falarmos do ministério do(a) salmista como tal, faz-se necessário levar em consideração o valor que os salmos têm na liturgia cristã.

Além da Liturgia das Horas – que na sua grande parte é constituída de salmos – o canto dos salmos nas demais celebrações litúrgicas tem sido cada vez mais valorizado. Afinal de contas, os salmos são uma fonte inesgotável de espiritualidade que herdamos da tradição judaica.

O salmo responsorial ou ‘salmo de resposta’ “é parte integrante da liturgia da palavra”
[20]. É, na realidade, uma leitura cantada. Uma “leitura” distinta das demais proclamadas na liturgia, pois sua estrutura literária é essencialmente lírica e poética. Conseqüentemente, cabe ao(à) salmista, mais do que cantar, “proclamar”[21] o salmo na estante da Palavra, pois aqui é o lugar onde Deus dirige sua Palavra ao povo reunido.

Uma vez que o salmo responsorial constitui uma resposta da assembléia (com a própria Palavra de Deus), é fundamental uma perfeita sintonia entre o(a) salmista e a assembléia. Esta sintonia pressupõe uma atitude espiritual (integração do corpo-mente-coração) de quem canta o salmo para que seu conteúdo atinja a todos de forma plena e frutuosa.


5.2. Um ministério que requer formação...

Mais do que nunca o ministério de salmista requer uma formação técnica e litúrgico-musical adequada. Para este item, lançaremos mão do que diz a liturgista Ione Buyst, em seu livro: O ministério de leitores e salmistas sobre a importância da preparação e formação dos salmistas. Eis os principais aspectos desta formação
[22]:

· Uma formação bíblico-litúrgica: aprofundar o sentido literal e cristológico dos salmos; estudar cada salmo em sua relação com a primeira leitura e com o projeto de salvação de Deus.
· Uma formação espiritual: saber orar com o salmo, saboreá-lo como Palavra de Deus para nossa vida atual; saber cantar de forma orante.
· Uma formação musical: saber usar a voz de forma adequada, com boa dicção; se for o caso, até saber ler uma partitura simples; aprender as melodias dos salmos de resposta; saber se entrosar com os instrumentos musicais que eventualmente acompanham o canto do salmo.
· Uma formação prática: saber manusear o Lecionário e o “Hinário Litúrgico”; saber em que momento subir à estante, como se comunicar com a assembléia, como usar o microfone..; conhecer os vários modos de se cantar o salmo...

5.3. “Cantai ao Senhor um canto novo”

Inspirados nas palavras iniciais de Santo Agostinho e à par do que vimos até aqui, resta-nos o cuidado para que a execução do salmo de resposta seja de fato um momento de profundo diálogo com Deus. Só assim as comunidades descobrirão os salmos como fonte inesgotável de espiritualidade.

À maneira dos primeiros cristãos, devemos orar com os salmos a partir de Jesus Cristo. Os santos Padres, especialmente, santo Agostinho, nos dão todos os elementos teológicos, litúrgicos e espirituais sobre os salmos rezados e meditados a partir do mistério pascal de Cristo. O método da leitura orante (lectio divina) é um caminho eficaz de iniciação à oração com os salmos.

Enfim, o(a) salmista desempenhará de forma eficaz seu ministério, ou seja: cantando o “canto novo” se deixar-se levar pela ação do Espírito Santo, tanto na preparação como no momento da celebração.


5.4. Apêndice


Método da Leitura Orante (quatro passos)
[23]

Antes da leitura, é importante a gente se recolher, pedir humildemente a ajuda do Espírito Santo.
A leitura orante supõe participação na comunidade e nos trabalhos (missão) que ela faz dentro e fora da Igreja.

1º passo: Ler

· Ler e reler o texto (salmo responsorial), baixinho e em voz alta, escutar o texto (alguém está falando!).
· Prestar atenção a cada palavra, às idéias, às imagens, ao ritmo, à melodia...
· Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito).
· Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.

2º passo : Meditar

· Repetir o texto ( ou parte dele) com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim, “mastigar”, “ruminar”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as idéias que contém, mas deixar as próprias palavras mostrarem a sua força: aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto.
· Penetrar dentro do texto, interiorizá-lo; compreender, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificar-nos com ele: perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus Cristo.
Trata-se de atualizar o texto: perceber como o texto acontece hoje, em nossa realidade pessoal, comunitária e social; perceber qual a palavra que o senhor poderá está nos dizendo...

3º passo: Orar

· Deixar brotar de dentro do coração, tocado pela Palavra, uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão...

4º passo: Contemplar

· A Bíblia não usa o verbo contemplar, e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz para nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa, necessariamente, pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai!”), que se encontra do lado dos pobres.


[1] Cf. 1Cor 14,5; Ef 4,12.
[2] Para um maior aprofundamento veja: MARTÍN, J. L. No espírito e na verdade, vol. 1. Petrópolis, Vozes, 1996, p. 218-21.
[3] MARTÍN, Julián Lopez. No espírito e na verdade, vol. 1. Petrópolis, Vozes, 1996, p. 210
[4] Cf. SC 11, 14, 18, 19, 21...
[5] Para maior clareza sobre estas formas de participação veja: BUYST, Ione & SILVA, J. Ariovaldo da. O Mistério celebrado: memória e compromisso I. Barcelona/São Paulo, Siquem/Paulinas, 2002, p. 103-8.
[6] Cf. MARTÍN. J. L., op. cit. p. 212-3.
[7] Cf. BUYST, Ione & SILVA, José Ariovaldo da. O mistério celebrado: memória e compromisso I. Siquém/Paulinas, 2002, p. 147.
[8] Cf. J. WEBER, O coral litúrgico e sua função hoje (apêndice II). In: Estudo sobre os cantos da missa, p. 129-161. Este ensaio, embora publicado há quase 30 anos, continua sendo um importante referencial sobre este assunto que ainda continua sendo pouco discutido e estudado de forma sistemática no Brasil.
[9] MS 19;
[10] Cf. MS 23; Instrução “Inter Oecumenici”, 97.
[11] Para esta parte histórica, servimo-nos do texto de J. WEBER: O coral litúrgico..., op. cit. p. 132-4
[12] A polifonia clássica se concentrou justamente no Ordinário da Missa que pertencia ao povo: Kyrie, Glória, Credo, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei” (ibid, p. 132-3.).
[13] Cf. SC 114.
[14] Cf. MS 19.
[15] Cf. CNBB, A música litúrgica no Brasil, n. 253.
[16] Cf. CNBB, Pastoral da música litúrgica, nº 3.4.
[17] Cf. IGMR 53.
[18] Cf. SC 29; MS 24; 25.
[19] Sobre a função ministerial veja: J. FONSECA, Cantando a missa e o ofício divino. Paulus, 2004.
[20] Cf. IGMR, 61 e OLM, 19
[21] Sobre a diferença entre recitar, ler, proclamar..., veja: Ione BUYST. O Ministério de leitores e salmista. Paulinas, 2001
[22] Ione BUYST. op. cit., p. 50. O grifo é nosso.
[23] Texto extraído de: Ione BUYST. Pesquisa em liturgia, Paulus, 1994, p. 116-8