sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Símbolos. O que são?


Eurivaldo S. Ferreira


Sabemos que a liturgia se expressa por meio de símbolos, ou ações simbólicas, portanto símbolo ou ação simbólica trata-se de um sinal, ação visível ao nosso corpo, sensível, que quer trazer presente o invisível, sensível ao coração e ao espírito.

A justificativa para o uso do símbolo é que ele se apropria de uma linguagem mais completa, ultrapassa e complementa o pensamento racional, porque não toca apenas a nossa inteligência, toca nosso corpo (visão, tato, olfato, audição) e através do corpo a nossa emoção, nosso sentimento, o nosso coração.

Deste modo a Sacrosanctum Concílium afirma que a liturgia se expressa por meios de sinais sensíveis[1]. Gestos e palavras, música e silêncio são sinais sensíveis, ou seja: sinais que atingem o corpo, e por meio dos sinais a assembléia reunida entra em relação com o Mistério.

Assim, podemos concluir que a liturgia é a expressão visível que simboliza uma realidade invisível. Então, por uma questão de necessidade corpórea, precisamos do visível, e por uma questão de necessidade espiritual, necessitamos de sentido e de relação humana e com o divino. Através dos sinais entramos em relação com o mistério.

À medida que desenvolvemos a nossa sensibilidade em relação à vida, às pessoas, à natureza, nos tornamos capazes de intuir o significado dos símbolos. Todavia, seu desvendamento só se torna capaz através do contexto cultural e – no caso da liturgia – do contexto ritual[2].

Para Buyst, símbolos não são coisas, mas relações. Eles dependem de um processo de comunicação: da intenção e da intensidade de quem realiza o gesto, e do olhar de quem o vê, recebe, interpreta, entra em sintonia e vive[3].


[1] VIER, Frederico. Compêndio do Vaticano II – constituições, decretos, declarações. Petrópolis: Ed. Vozes. 3ª Edição. 1968, p.264.
[2] BUYST, Ione. Sinais e símbolos, in Manual de Liturgia II. A celebração do mistério pascal: fundamentos teológicos e elementos constitutivos. São Paulo: Ed. Paulus. 2005, p.233.
[3] Ibid.
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