domingo, 15 de fevereiro de 2015

O sentido das leituras no tempo da Quaresma

Eurivaldo Silva Ferreira

A Quaresma é um tempo da grande convocação de toda a Igreja para que se deixe purificar por Cristo, seu esposo (cf. Joel, primeira leitura na Quarta-feira de Cinzas). Pois, Cristo mesmo não conheceu o pecado (segunda leitura na Quarta-feira de cinzas), embora sentenciado à morte, ele mesmo dirigiu preces e súplicas a Deus, pois aprendeu o que significa obedecer (2ª leitura no 5ª Domingo). Assim, a Igreja que traz pecadores em seu seio, que é santa, mas sempre necessita de purificação, nunca deixa, sobretudo neste tempo, de fazer penitência e de se renovar (cf. LG 8).
Além de ser Deus o grande convocador para o reconhecimento de sua misericórdia, temos uma atitude pessoal também, a de nos deixar reconciliar-nos com Deus (cf. 2ª leitura da Quarta de Cinzas). Nessa atitude pessoal somos lembrados que Deus um dia se reconciliou com a gente. De certa forma, nós, ao sermos colaboradores de Cristo, participando de sua graça pelo batismo, somos chamados a sermos embaixadores da misericórdia de Deus, anunciando-a aos outros (cf. Salmo da Quarta de Cinzas). Neste sentido a penitência só tem sentido se traçarmos um plano de reconciliação com Deus e com os outros.

As três recomendações evangélicas: jejum, oração e esmola.
Jejum: sinal conectivo entre a penitência e a conversão interior; abster-se do que é demais, mas também do pecado; o jejum é uma expressão típica da ascese quaresmal, que conduz a uma vida nova, fruto da Páscoa de Cristo; há aí também a intervenção de Deus (somente teu Pai que vês que está jejuando te dará a recompensa); aproximar-se da luz, assim como Deus quer.
Oração: consiste em participar na assiduidade da oração de Cristo. Oração ligada à prática anterior, ampliando espaços para Deus penetrar e nos inundar com sua iniciativa. Não pode ser vista como uma forma de manipular Deus (assim como aqueles que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens). A oração é a concretização da manifestação do sacrifício do espírito contrito e penitente. A oração é o sinal externo do espírito daquele que se coloca em atitude de oferta.
Esmola: superar o apego às coisas terrenas (cf. Prefácio II da Quaresma). O jejum deve ser revertido, sobretudo, na oferta daquilo que se deixou de experimentar, doando aos mais necessitados.

1º Domingo: Início de uma grande catequese batismal (2ª leitura) que nos impulsiona a vivermos a realidade da misericórdia de Deus (1ª leitura), seu amor sem medida, a entregar-se confiantes a ele (Salmo), apesar do mal que insiste em nos visitar (Evangelho).

2º Domingo: Seguindo o caminho da confiança e da entrega a Deus (1ª leitura), somos interrogados e nos questionamos sobre quem está do nosso lado, o mal ou o bem? (2ª leitura). Assim, a manifestação da glória do Filho de Deus, visando o sacrifício futuro de si, nos é apresentada como sinal de esplendor, a fim de que todos contemplem este mistério (Evangelho).

3º Domingo: Seguir a Deus neste itinerário de conversão significa também obedecer a certos critérios estabelecidos por ele mesmo (1ª leitura). Esses critérios se colocam tanto na linha da moral (mandamentos), quanto na linha da compreensão espiritual (sabedoria e sinais legitimadores) (2ª leitura). Obedecendo a Deus nesse caminho pedagógico, nós purificamos nosso próprio templo, que são nossos corpos, tendo como paradigma o templo que é Cristo (Evangelho).

4º Domingo: É Deus quem deseja a renovação de cada um. Ele não castiga, mas reconstrói (1ª leitura). Reconstrói-nos também quando quis que ressuscitássemos com Cristo, (2ª leitura), a fim de que, passando por sua morte, abandonemos as obras do mal e tenhamos a vida eterna (Evangelho).


5º Domingo: Sempre Deus nos lembra que fez um pacto com a gente, recordando a sua aliança (1ª leitura). Nós é que abandonamos, e até nas mais terríveis situações esquecemos que Deus está com a gente. Mas não foi assim com Cristo, ele foi obediente e não se esqueceu dos planos de Deus (2ª Leitura), pois acreditou que o Pai o glorificaria, a fim de que nós sejamos salvos por ele (Evangelho).
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