terça-feira, 14 de julho de 2009

Canto e música na Missa - II

Eurivaldo Silva Ferreira (org.)
CANTO DE ABERTURA:
Situado nos Ritos iniciais, tem a finalidade de fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembléia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia. Seu intuito é abrir a celebração, estimular a unidade dos que se reúnem e criar um clima de alegria fraterna, introduzir o mistério do tempo litúrgico ou da festa e acompanhar a procissão de entrada do presidente e dos demais ministros. Prepara a assembléia para escutar a palavra e participar na mesa eucarística. É este canto que dá início à celebração. Dura até o término da procissão. É um canto de movimento e não de repouso. É o canto mais importante dos ritos iniciais. A procissão de entrada é um desfile solene e não uma caminhada desordenada. Este canto deve ser a expressão natural de um coração alegre, de um povo em festa. Deve ser executado alternadamente pelo grupo de cantores e pelo povo, ou de uma vez só, por todos da assembléia. Pode ser substituído pela leitura da antífona de entrada se não for cantado. Os instrumentos sustentam a afinação e podem fazer interlúdio, já que ajudam os fiéis a interiorizar a oração cantada. O sentido bíblico-teológico litúrgico deste canto é mais peculiarmente expressando pela união das vozes, simbolizando a unidade da Igreja. A Igreja reunida em assembleia torna-se sinal sacramental da própria Igreja, corpo místico de Cristo. Marca a alegria de um povo em festa, celebrando os louvores do Senhor que o salvou.

ATO PENITENCIAL:
Este canto constitui o próprio rito da celebração, o que costumamos chamar de “Ordinário da Missa”. Testemunhos antigos nos revelam que os Kyries estavam relacionados com a resposta da oração dos fiéis, na liturgia da Palavra; a cada invocação o povo respondia com o “Kyrie eleison”. Mais tarde, este canto foi incluído nos ritos iniciais da missa após o ato penitencial ou como uma variante dele. Sua finalidade é a de aclamar o Senhor e implorar a sua misericórdia, o Kyrios. O “Senhor, tende piedade”, também é igualado ao Hino de louvor por se tratar de uma aclamação ao Senhor. Pode ser omitido quando é substituído pela bênção e aspersão da água, procissão dos ramos, celebração de uma das Horas do Ofício e outras que prevêem o Missal. Há várias possibilidades de participação neste canto, sobretudo, com várias possibilidades de execução por parte de quem canta, nas três formas que guardam a estrutura que lhe é característica: Senhor, Cristo, Senhor. Essas invocações podem ser feitas por um/a solista e respondidas pelo povo. É costume usar a forma grega: Kyrie eleison, Christe...Seu sentido teológico-bíblico-litúrgico é expressado na assembleia reunida que invoca e reconhece a infinita misericórdia do Senhor. Aliás, Kyrios foi o nome mais comum dado a Cristo ressuscitado pelos primeiros cristãos.

HINO DE LOUVOR:
É um hino antiqüíssimo e venerável. Remonta aos primeiros séculos da era cristã. Historicamente só se cantava no Natal (é o canto dos anjos que ressoou pela primeira vez nos ouvidos dos pastores de Belém). Mais tarde foi introduzido a outros tempos e celebrações. Na sua origem o Glória era entoado durante o ofício da manhã. Só bem mais tarde – por volta do século IV – é que aparece prescrito na liturgia eucarística do Natal, podendo aí ser entoado apenas pelo bispo. Durou muito tempo esse costume, porém, no final do século XI já há notícias do uso do Glória em todas as festas e domingos, exceto na Quaresma. Então os presbíteros já podiam entoá-lo. Também é constituído o próprio rito. Sua finalidade é a de fazer com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifique e suplique a Deus Pai e ao Cordeiro. Por isso podemos dizer que se trata de um hino doxológico. Na execução deste canto, sugere-se que pode ser iniciado por quem preside, seguido pelo grupo de cantores, por toda a assembleia ou de forma alternada, coro e assembleia ou solista e assembleia. Em se tratando de um hino, deveria ser sempre cantado. Devem ser usadas melodias simples que facilitem a execução, por se tratar de um texto mais longo. O sentido teológico-bíblico-litúrgico deste hino é o de dar graças à glória de Deus Pai, pelo Filho, no Espírito. Porém, o Filho se mantém no centro do louvor, da aclamação e da súplica. Sua estrutura é composta de 3 partes:
1) O canto dos anjos na noite do nascimento de Cristo: de “Glória...” até “...amados.”;
2) Os louvores a Deus Pai: de “Senhor Deus...” até “...por vossa imensa glória”;
3) os louvores seguidos de súplicas e aclamações a Cristo: de “Senhor Jesus Cristo...” até “...Altíssimo Jesus Cristo”.
Termina com um final majestoso, incluindo o Espírito Santo, que não faz parte da aclamação. O Espírito Santo aparece relacionado com o Filho, pois é neste que se concentram os louvores e as súplicas.

SALMO RESPONSORIAL:
É parte integrante da Liturgia da Palavra, constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida pela homilia, a profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis. Esse costume remonta dos primeiros séculos da história do cristianismo. Herdada do culto da sinagoga judaica, os salmos foram incorporados à liturgia cristã muito cedo. S. Agostinho (século V) fala com certa eloqüência em suas homilias do valor que os salmos têm, cantados durante a liturgia da palavra. Aliás, os Santos Padres sempre consideraram o salmo responsorial como uma “leitura cantada”. O salmo constitui um comentário lírico-poético da primeira leitura. Ocupa um espaço significativo como resposta por dois motivos: porque é escolhido para responder à palavra de Deus proclamada, sendo a própria palavra, prolongando, assim, seu sentido teológico-litúrgico e espiritual. Este prolongamento vai-se dando enquanto o(a) salmista entoa as estrofes e a assembleia repete o mesmo refrão. É por isso que é chamado de responsorial. Poderíamos dizer que esse salmo ressoa nos ouvidos e no coração da assembleia como um suave eco daquela leitura, por isso tem uma função emotiva, pois sua interpretação com suavidade e doçura, fixa a mensagem da leitura anteriormente ouvida. Deve ser salmodiado com atitude de proclamação, por fazer parte da Liturgia da Palavra e constituir-se Palavra de Deus cantada. Se não for cantado, que seja pelo menos declamado (contudo sem exageros teatrais). Não pode ser omitido, haja sempre uma ou outra forma. Convém ser cantado, pelo menos o refrão com a participação do povo. O salmista ou cantor do salmo, no ambão ou outro lugar adequado, profere a melodia dos versos do salmo perante toda a assembléia que o escuta sentada, participando costumeiramente pelo refrão, a não ser que o salmo seja proferido de modo direto, isto é, sem refrão. A forma de “responso” é atribuída à participação da assembléia respondendo com um refrão, sempre depois da cada grupo de versos, por isso o valor de resposta não está afixado à primeira leitura e sim à própria execução do salmista. A forma de execução dos versos pelo salmista é a salmodia, enquanto que a da assembleia é a forma coral, de modo uníssono. Escolham-se instrumentos e registros suaves e delicados. Tocar forte neste canto seria exceção. O instrumento de cordas pode apoiar os acordes, ajudando o salmista a fixar a tonalidade e a forma musical, ou entremeando breves interlúdios entre os versos, como que realizando uma espécie de canto-sem-palavras, comentando musicalmente o texto ouvido e cantado. Seu sentido teológico-bíblico-litúrgico é expressando no seguinte aspecto: nas leituras, explanadas pela homilia, Deus fala ao seu povo, revela o mistério da redenção e da Palavra, se acha presente no meio dos fiéis. Pelos cantos e pelo silêncio, o povo se apropria dessa palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé. O canto favorece a compreensão do sentido espiritual do salmo e das leituras e contribui para sua interiorização. Alimentado por essa palavra, reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro.

SEQUÊNCIA:
É um antiqúissmo canto que está presente nas festas da Páscoa, Pentecostes, Corpus Christi e Nossa Senhora das Dores. O missal romano prevê, logo após a segunda leitura da missa, um hino chamado “seqüência”. A origem da “seqüência” está ligada a um costume medieval de acrescentar à vogal final do aleluia solene – antes da proclamação do evangelho – uma série de notas que se desdobravam num longo vocalise chamado por muitos de “jubilus do Aleluia” ou “sequencia”. Essa jubilação aleluiática, com o passar do tempo, atingiu um grau de complexidade técnica tão elevado, que somente profissionais do canto (solistas, coros...) poderiam executá-la. Numa tentativa de favorecer a participação do povo, ao longo dos séculos, foram sendo introduzidos textos sob o “jubilus” do aleluia. Estes, aos poucos, foram ampliados e ajustados com um formato de extensos hinos chamados “seqüências”. Esse gênero musical surgiu por volta do século IX. Sua popularidade foi tamanha que, dois séculos depois, já havia um número aproximado de 5.000 “seqüências”. Praticamente, para cada festa ou outra circunstância, existia uma “seqüência” própria. O papa Pio V (século XVI) conservou no seu missal somente cinco “seqüências”, a saber: Victimae pashali laudes (Páscoa); Veni Sancte Spiritus (Pentecostes); Lauda Sion Salvatorem (Corpus Christi): Sabbat Mater Dolorosa (N. Sra. Das Dores) e Dies Irae (Missa dos fiéis defuntos). O missal romano pós-Vaticano II deixou de fora a Dies irae e manteve as outras quatro “seqüências”. Porém, são de uso obrigatório apenas duas: a da Páscoa e a de Pentecostes. Sua execução, dependendo dos textos e das versões que são usadas, sugere-se que a introdução: “Ó cristãos, vinde, ofertai os louvores pascais” ou “Cantai, cristãos, afinal” seja entoado por um solista. Quanto às demais estrofes, que sejam entoadas pela assembléia dividida em dois grupos, de forma alternada e que o “amém, aleluia”, seja cantado por todos. Executando-a dessa forma, estaremos mais próximos da maneira como os antigos a catavam. A “seqüência” é um hino que canta loas – de forma lírica e expressiva – sobre determinado tema da devoção crista. Se a melodia que for usada terminar com um “Aleluia”, exclui-se a aclamação ao Evangelho.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:
É o canto próprio da introdução e da procissão do Evangelho, situado na Liturgia da Palavra, constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida pela homilia, a profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis. Constitui o próprio rito ou ato com valor próprio. Esta aclamação é constituída de dois elementos básicos: um refrão composto de um ou mais aleluias e um versículo, normalmente ligado ao sentido do Evangelho que logo será proclamado. Nela a assembléia dos fiéis acolhe e saúda o Senhor, que lhe falará no Evangelho. A aleluia é cantado em todos os tempos, exceto na Quaresma. Este canto nada mais é do que um “viva” pascal ao Verbo de Deus, que nos tirou das trevas da morte, introduzindo-nos no reino da vida. Além de acompanhar a procissão do livro dos evangelhos (evangeliário) até a estante da palavra, este canto prepara o coração dos fiéis para a escuta atenta d’Aquele que só tem a nos dizer “palavras de vida eterna” (cf. Jo 6,68). É cantada por todos, de pé, iniciada pelo grupo de cantores ou pelo cantor, e, se for o caso, repete-se após a proclamação do Evangelho; o verso, porém, é cantado pelo grupo de cantores ou pelo cantor. Não se diz o aleluia ou outro canto se não forem cantados, porque faz parte da natureza do aleluia o canto. Deve ter ritmo vigoroso e melodia brilhante. O clima geral será de expectativa, de prontidão, pois o Senhor nos vai falar. Os instrumentos musicais, assim como as vozes da assembléia, devem ressoar com o máximo de eloqüência. Seu sentido teológico-bíblico-litúrgico é este: na liturgia cristã, toda e qualquer aclamação deve, necessariamente, referir-se ao inefável mistério de Deus que se manifestou de forma plena na pessoa de Jesus Cristo. A assembléia, reunida no Espírito, vibra e aclama com admiração, alegria, amor e fé Aquele que está sentado no trono e o Cordeiro, pois só a eles pertencem o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos (Cf Ap 5,13).

CANTO/ACLAMAÇÃO DEPOIS DO EVANGELHO OU DEPOIS DA HOMILIA:
O único documento da Santa Sé que faz menção deste canto é o Diretório para Missas com Crianças, de novembro de 1973, no nº 46: “Se for escolhida somente uma única leitura, o canto poderá ser executado depois da homilia”. Seria uma espécie de “canto de resposta” equivalente ao “canto de meditação”, que cedeu lugar ao salmo responsorial. Um canto dentro do tema do Evangelho do dia ajuda a sua assimilação e tem grande força de reflexão, de aprofundamento e de vivência da Palavra de Deus. É melhor quando este canto fala sobre o tema do evangelho do dia; mas pode também falar sobre o evangelho e a palavra de Cristo em geral. É sempre melhor a participação ativa da assembléia toda, ou se for o caso, do coro de crianças ou meninos cantores ou grupo de cantores, quando se tratar de missa com crianças ou adolescentes. Pe. Zezinho possui muitos cantos de mensagem que podem ser executados neste momento. Vale a pena dar uma ouvida em seu repertório.

PROFISSÃO DE FÉ (CREIO OU SÍMBOLO)
Este é um dos cantos que compõem o próprio rito. O Creio quer ser uma resposta de fé e de compromisso da comunidade e do indivíduo à Palavra de Deus; e principalmente assumir conscientemente a regra da fé que recebemos de Cristo através dos Apóstolos e chegada até nós no decorrer dos séculos. É portanto uma profissão de fé eclesial. Não se trata de uma simples enumeração de artigos de fé, nem uma síntese dogmática: é um resumo de toda a história santa, da Criação à Vida eterna, passando pela Encarnação, a vinda do Espírito Santo, o mistério da Igreja e dos Sacramentos. É uma memória da economia da salvação. O Símbolo, por ser uma forma de profissão de fé, seja cantado por todos, ou de forma que permita uma conveniente participação dos fiéis. Cantado maciçamente pela assembléia representa um sinal de unidade da própria Igreja, todavia, se o canto for alternado, a compreensão de unidade pode se dar de outra forma, a do conjunto. O símbolo ou profissão de fé deve ser cantado ou dito pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades; pode-se também dizê-lo em celebrações especiais de caráter mais solene. Quando cantado, é entoado pelo sacerdote ou, se for oportuno, pelo cantor ou pelo grupo de cantores; é cantado por todo o povo junto, ou pelo povo alternando com o grupo de cantores. A forma mais apropriada é o Niceno-Constantinopolitano. Os instrumentos limitem-se neste canto a um acompanhamento discreto, apenas para apoiar as vozes, variando de acordo com o grupo coral que canta. Ele tem por objetivo levar todo o povo reunido a responder à palavra de Deus anunciada da sagrada Escritura e explicada pela homilia, bem como, proclamando a regra da fé através de fórmula aprovada para o uso litúrgico, recordar a sua fé e professar os grandes mistérios da fé, antes de iniciar sua celebração na Eucaristia. É pelo símbolo que a assembléia reunida faz sua adesão de fé, seu assentimento, após ouvir a palavra, antes que se inicie a liturgia eucarística.

ORAÇÃO UNIVERSAL OU DOS FIÉIS:
Sua finalidade: na oração universal, ou oração dos fiéis, exercendo a sua função sacerdotal, o povo suplica por todos os homens. Convém que normalmente se faça esta oração nas missas com o povo, de tal sorte que se reze: pela Santa Igreja, pelos governantes, pelos que sofrem necessidades, por todos os homens e pelo bem-estar e salvação de todo o mundo. Por ocasião de celebrações especiais como Matrimônio, Exéquias, as intenções podem referir-se estreitamente àquelas circunstâncias. Na Igreja primitiva, nesta hora os catecúmenos se retiravam, ficando só os iniciados para a celebração da Eucaristia. Seu sentido é este: depois de ter escutado com amor a Palavra que lhe revela alguns dos aspectos do Mistério da salvação, o povo de Deus coloca-se no meio de todos os homens; no exercício de sua função sacerdotal, ele suplica por todos os homens. É universal porque leva a assembléia a transcender seus próprios horizontes; é dos fiéis porque os batizados são solidários com toda a humanidade, com suas dificuldades, suas alegrias e esperanças, e através da oração eles exercem seu “sacerdócio régio” no meio do mundo. Sem dúvida, uma oração cantada tem um significado mais profundo e mais eclesial do que uma oração simplesmente falada; ainda mais pelo aspecto comunitário do canto, uma vez que esta é a oração da Comunidade dos fiéis. A IGMR valoriza a execução desta oração pelo cantor, colocando-a como segunda opção, o que significa dizer que esta oração tem importância significativa quando cantada, o que lhe dá um caráter mais solene. Porém, se não for cantada, ao menos que o povo participe cantando ao menos a resposta. O uníssono das vozes é o que exprime melhor a unidade de uma Igreja que reza, e dá uma força especial a esta prece; no entanto, o coral pode acompanhar o povo com uma polifonia homofônica. Neste caso os instrumentos apenas acompanham e apóiam suavemente a melodia.

CANTO DA APRESENTAÇÃO DOS DONS OU DAS OFERENDAS:
Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, representado pelo sacerdote que preside a assembléia, que em nome de Cristo, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória. Por isso a Igreja, relembrando esses gestos, dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondem às partes e gestos de Cristo. Assim, na preparação dos dons levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos. O canto deste momento acompanha a procissão das oferendas e se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar. O canto pode sempre fazer parte dos ritos das oferendas, mesmo sem a procissão dos dons. Este canto também tem como finalidade dar um maior significado à coleta, criando um clima de alegria, de generosidade, de louvor, de bendição pelos dons, todavia seu texto não precisa falar necessariamente de pão e de vinho, muito menos ainda de oferecimento ou oblação. É um dos cantos menos importantes da missa. Vale lembrar que a verdadeira oferenda de Cristo e da assembléia unida ao Cristo, faz-se durante a oração Eucarística, pois antes dela nada mais há que uma simples preparação dos dons, como Cristo o fez. Neste sentido o que é apresentado ainda não é o que deveria ser ainda (por exemplo, alguns cantos falam do “oferecer o meu sacrifício”). No entanto, pode-se também fazer menção aqui do “sacrifício espiritual” que é a vida do cristão na sua totalidade, vivida para Deus e os irmãos e unida ao sacrifício de Cristo. Se não se canta o canto da apresentação dos dons nem se toca o órgão, é permitido ao sacerdote, na apresentação do pão e do vinho, proferir em voz alta as fórmulas da bênção, às quais o povo aclama com a resposta “Bendito seja Deus para sempre”. Não é um canto obrigatório, no entanto, nada impede que um solo instrumental seja executado neste momento, o que pode ser uma das raras oportunidades para o organista virtuoso ou o violonista ou flautista habilidoso, ou ainda um conjunto de câmara, executarem uma peça musical propícia ao momento ritual. É um canto processional, de movimento. O canto se prolonga até o momento da incensação, quando há, ou ainda somente acompanhar a procissão dos dons e depois ficar em silêncio, ou responder às orações do presidente. Seu sentido teológico-bíblico-litúrgico é este: a assembléia reunida apresenta ao pai os seus dons, simbolizados no pão e no vinho. Neste sentido, o canto sensibiliza os fieis para a generosidade e a gratuidade que o gesto ritual propõe como extensão, o Cristo ali oferecido à assembléia é o mesmo oferecido ao mundo, para que este mate sua fome, tanto material como espiritual. Assim, o único sacrifício cristão é o do próprio Cristo, ao qual nós nos unimos oferecendo nossas vidas, nosso corpo, como nosso culto espiritual a Deus.

SANTO:
Esta aclamação situa-se antes da Prece Eucarística, após o prefácio. Trata-se de um conjunto de aclamações oriundas da Sagrada Escritura. Tem sua origem no Oriente, século II. Trata-se de uma compilação de textos bíblicos, uma espécie de colcha de retalhos. Na sua execução, normalmente toda a assembléia e o sacerdote cantam este canto, numa atitude alegre, solene, porém, nada impede que o coral dê um colorido maior e o solenize, enriquecendo-o a vozes. Os instrumentos acompanham, incentivam e solenizam o canto da assembléia. Trata-se da conclusão do Prefácio, cuja aclamação, que é parte e abertura da oração Eucarística, expressa a assembléia unida aos espíritos celestes, proclamando que Deus é Santo, Senhor do Universo. É um dos pontos mais altos da prece eucarística, portanto deve ter um clima de manifestação gloriosa, de teofania, manifestação de Deus que habita os altos céus (a visão de Isaías). Se a variedade de diversos sons na união das vozes de uma mesma melodia já parece insinuar e simbolizar a unidade de uma cidade bem organizada, a união das vozes humanas em um mesmo canto aparece como uma adequada expressão comunitária. Assim, o Santo, unido às vozes do coro celestial, evoca a parusia gloriosa do fim dos tempos, ambiente de festa em que o céu e a terra se unem, reunindo toda aclamação ao Deus Santo num louvor cósmico e universal.

ACLAMAÇÕES DA PRECE EUCARÍSTICA:
Algumas foram inseridas após o Concílio Vaticano II, que fomentou a participação ativa e frutuosa da assembléia. Elas têm a finalidade de promover uma participação ativa (SC 30). A atitude de quem canta as aclamações é de povo que aclama de pé, atitude do Ressuscitado e de ressuscitados no Cristo e por Ele. As aclamações da prece eucarística têm caráter solene e pascal, como a Aclamação Memorial e o Amém. A forma de execução das aclamações deve ser por toda a assembléia, acompanhada pelo grupo de cantores ou coro. Os instrumentos podem dar um maior colorido, principalmente os percussivos, solenizando as aclamações como verdadeiras expressões de um povo celebrante e alegre. Contudo, não se trata de sinais externos da celebração comum, mas promovem e realizam a comunhão entre o sacerdote e o povo (IGMR 34). Lembram nossa dignidade de povo sacerdotal que somos.

ACLAMAÇÃO MEMORIAL:
As três fórmulas oferecidas pelo Missal Romano expressam o anúncio do mistério Pascal, no qual o povo faz memória, comemorando o abaixamento e a glorificação do Senhor, e pedindo sua vinda. Tem um caráter pascal e escatológico, não dramático-devocional. Estas aclamações foram introduzidas pelo Concílo Vaticano II. Elas não devem ser substituídas por expressões devocionais de fé na presença real de Jesus, nem por outro canto eucarístico. Elas devem ser cantadas por toda a assembléia, por se tratar de uma das aclamações mais importantes da missa, em resposta ao “ Eis o Mistério da Fé”, entoado por quem preside.

DOXOLOGIA FINAL:
É o louvor final, após a narrativa das maravilhas e benefícios de Deus pelo seu povo na prece eucarística. Como não é aclamação, não é proclamada por toda a assembléia, e sim por quem preside. Em resposta, a assembléia entoa o Amém (Aleluia, ou outras aclamações, conforme consta no Missal), que deve ser solene, vibrante, repetido, sinal de adesão, compromisso, concordância, comunhão. A doxologia final deve ser sempre cantada, devido à sua importância. Este canto nos lembra nossa dignidade de povo sacerdotal, participando com quem preside a prece eucarística.

PAI NOSSO:
A origem desta oração vem do próprio Cristo, seguindo as tradições judaicas que costumavam orar ao Pai através de sete petições, três “celestes” e as quatro seguintes “terrestres”. Trata-se de uma oração de grande exultação. Provavelmente foi introduzida na missa por Santo Ambrósio, pelo século IV. Seu sentido é o de que todos unidos à oferta de Cristo, por Ele reconciliados com o Pai, podem exclamar com amor e confiança: “Pai- nosso...”. É a oração preparatória por excelência para a comunhão. Na sua execução, convém mesmo que seja cantada numa melodia simples, em forma de cantilena ou gregoriano, por toda a assembleia. Não deve ser substituida por outras palavras que não sejam as do próprio evangelho, nem acrescentar outros textos no meio da oração. O Pai Nosso na Missa não é conclusivo, e sim nos introduz ao rito da comunhão. Por isso não se diz o Amém no final.

ORAÇÃO PELA PAZ – ABRAÇO DA PAZ:
A saudação é sempre um gesto simbólico, e bastaria cumprimentar os que estão mais próximos. O rito não deve levar muito tempo. Não deve substituir ou abafar o canto do “Cordeiro de Deus”, que tem preferência, durante o rito da fração do pão. O mais importante é o abraço, e não o canto, que é facultativo. Poderia ser entoado apenas pelo coral e reservado para circunstâncias especias ou pequenos grupos.

CORDEIRO DE DEUS:
Trata-se de uma prece litânica (em forma de ladainha). Há notícias de que no século VIII já era muito comum seu uso na liturgia. A invocação “dai-nos a paz” foi acrescentada posteriormente – por volta do século XIII. Na mesma época, nas missas dos defuntos, no lugar do “tende piedade de nós”, cantava-se: “dai a eles o repouso”, e no lugar do “dai-nos a paz”, cantava-se: “dai a eles o repouso eterno”. É executado durante o rito da fração do pão, na liturgia eucarística. Dura enquanto durar o rito. Após cada invocação entoada pelo(a) cantor(a), a assembléia responde com o “tende piedade de nós” e, no final, com o “dai-nos a paz!”. Quanto aos instrumentos, acompanhamento discreto para apoiar a proposta do solista e a resposta do povo. Seu sentido teológico-bíblio-litúrgico traz a imagem do “Cordeiro”, que é eminentemente bíblica: João Batista nos apresenta Jesus como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Recorda-nos o Cordeiro Pascal da nova e eterna Aliança – Cristo – que foi imolado. A palavra “Cordeiro” aparece várias vezes no livro do Apocalipse, sempre se referindo a Cristo. A prece especialmente faz alusão ao banquete escatológico das “Bodas do Cordeiro” de que fala o Apocalipse, significando que a Eucaristia é o sinal e o penhor.

CANTO DA COMUNHÃO:
A mais antiga referência deste canto apareceu em Roma, no século IV. É um canto que acompanha a procissão da comunhão. Não compõe o rito, propriamente dito, por isso não tem importância se não for cantado. Tem início quando o sacerdote comunga, prolongando-se enquanto os fiéis comungam até o momento que pareça oportuno. Deve ser cantado por toda a assembléia. Se não for cantado, a procissão pode ser acompanhada de um solo instrumental ou improvisação bem feita ou execução de uma peça de conjunto de câmara ou órgão com registros simples. Ou os instrumentos podem fazer interlúdios entre as estrofes e o refrão, por se tratar de um dos cantos mais longos da celebração. No canto da comunhão, costuma-se retomar os textos do próprio evangelho, intercalando-se com salmos previstos. Lembra-se com isso a união das duas mesas, a da Palavra e da Eucaristia. O povo pode participar no refrão e um solista ou um grupo de cantores faz a salmodia das estrofes. Este canto expressa pela união das vozes, a união espiritual daqueles que comungam, demonstra ao mesmo tempo a alegria do coração e torna mais fraternal a procissão dos que vão avançando para receber o Corpo e o Sangue de Cristo.

CANTO DE LOUVOR FINAL (APÓS A BÊNÇÃO OU SAÍDA):
Este canto não é tão importante nem obrigatório. Podendo ser cantando após a bênção final, como um canto de envio ou um canto dedicado a Nossa Senhora. Na Europa, é costume neste momento ter uma execução de órgão, seguida de aplausos. No entanto, em alguns países, neste momento, ainda se costuma fazer a consagração a Nossa Senhora ou rezar orações e responsos dedicados a Maria, por exemplo. É imprópria a expressão “canto final”, se bem que possa ser o último canto da missa, não é ainda o fim da missa. E no fim da missa, depois do “vamos em paz...”, não tem sentido o povo ainda ficar cantando: a assembléia está dissolvida, e o “vamos em paz” é pra valer. Este canto, se for executado após a bênção final, serve para acompanhar a saída do povo, não sendo necessária a participação do povo, pois, a assembléia está se desfazendo, se dispersando neste momento. É um canto que soleniza a saída do povo, criando um ambiente de alegria por ter participado da ceia fraterna, a não ser em certas ocasiões em que a saída em silêncio pode ter mais sentido. Deve ser um canto de motivação, que incentive e envie o povo em missão, que fomente o compromisso, o testemunho etc., ao mesmo tempo, sua letra deve falar de compromisso tendo em vista o futuro, pois, após termos participado da Ceia do Senhor e da reunião fraterna, “não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos”, pois Cristo, nos envia ao mundo, ao cotidiano, ao serviço de nossos irmãos, para sermos fermento e luz. Se o canto de abertura demonstra a reunião dos fiéis, este deve simbolizar a dispersão dos fiéis, um envio à missão pelo qual cada um foi chamado a desempenhar diante da sociedade, no cotidiano da vida.

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Bibliografia:
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DFONSECA, Joaquim. Cantando a Missa e o ofício divino. São Paulo: Paulus, 2004. (Coleção Liturgia e Música, volume I)
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