terça-feira, 14 de julho de 2009

Canto e música na Missa - I


Eurivaldo Silva Ferreira (org.)

Música nas celebrações? Por que?
Porque...

...a música concorre para aumentar o decoro e esplendor das sagradas cerimônias, pois, seu fim próprio é acrescentar mais eficácia ao mesmo texto, a fim de que excitem mais facilmente os fiéis à piedade e se preparem melhor para receber os frutos da graça. (Tra le sollecitudini, sobre a música sacra, Pio X, 1903).

...a música própria da Igreja é a música meramente vocal, mas deve ser apoiada com os instumentos musicais, a fim de que não se perca a afinação (Tra le sollecitudini, sobre a música sacra, Pio X, 1903).

...a música litúrgica foi instrumento de conversão ao cristianismo. Porque é serva nobilíssima da liturgia (Constituição apostólica Divini Cultis, sobre liturgia, canto gregoriano e música sacra, Pio XI, 1928).

...Deus se valeu da arte musical, também presente nas Escrituras, desde o Primeiro Testamento até o início das primeiras comunidades cristãs (Encíclica Musicae sacrae disciplina, sobre a música sacra, Pio XII, 1955).

...é um meio eficaz de apostolado (Encíclica Musicae sacrae disciplina, sobre a música sacra, Pio XII, 1955).
Porque existem laços tão estreitos entre música e liturgia, que não se pode regulamentar uma sem deixar outra (Instrução da Sagrada Congregação dos Ritos sobre a Música Sacra e a Sagrada Liturgia, 1958).

...favorece a participação do povo, pois, destacando-se os graus de importância dos cantos e as formas, prefiguram a Jerusalém celeste (Instrução Musicam Sacram, sobre a música na Sagrada Liturgia, Sagrada Congregação dos Ritos, 1967).

...a música é arte, e deve ser arte verdadeira (Tra le sollecitudini, sobre a música sacra, Pio X, 1903), e portanto, adentra a liturgia como sendo a mais bela de todas as artes, acomodando-se à palavra , a música faz parte integrante e necessária da liturgia solene (SC 112).

... a música é arte privilegiada que possui uma linguagem de exprimir e manifestar a alma e a cultura de um povo (Pastoral da música litúrgica no Brasil, CNBB, 1976).

...a música, por sua força dos sons e do ritmo, provoca a participação, ao mesmo tempo, em termos de emoção, de animação e de unanimidade da assembléia, ajuntando-a e projetando-a na imensidão do mistério de Deus, ou seja, no seio da Trindade-Comunhão, em Jesus Cristo, cuja presença é evocada com peculiar eficácia (A música litúrgica no Brasil, CNBB, 1998).

... a música litúrgica é parte integrante e significativa da ação ritual. Ela tem a especial capacidade de atingir os corações e, como rito, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no mistério celebrado. Para isso, ela precisa estar intimamente vinculada ao rito ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico. Vale dizer, sua função ritual deve estar organicamente inserida no contexto da grande tradição bíblico-litúrgica da Igreja, bem como da vida e da cultura da comunidade celebrante. É urgente atentar para a qualidade de nosso cantar litúrgico, para a importância dos vários ministérios litúrgico-musicais e, mais que urgente, para a formação e capacitação de todos, especialmente das pessoas e equipes que os exercem. Uma prioridade estratégica, com certeza, são os centros de formação, tanto das congregações e ordens religiosas, quanto do clero diocesano. É de suma importância aproveitar, todas as instâncias e oportunidades de formação oferecidas, em todo o país, por escolas de liturgia, faculdades, dioceses e regionais da CNBB (DGAE 2008-2010, nº 76, CNBB).

...o canto litúrgico soleniza o ato litúrgico e faz com que se suscite a assembléia para uma participação viva e frutuosa, manifestando uma expressão da vida cotidiana, imersa no mistério de Cristo e da Igreja (Diretório dos Sacramentos, pág. 55).

...o Concílio Vaticano II enfatiza a participação ativa, consciente, plena, frutuosa, externa e interna de todos os fiéis (cf. SC 14). Por isso o canto litúrgico não é propriedade particular de um cantor, animador, ou de um seleto grupo de cantores. A liturgia permite alguns momentos para solos (tanto vocais quanto instrumentais), porém a assembléia deve ter prioridade na execução dos cantos litúrgicos. O animador ou o cantor tem a importante missão, como elemento intrínseco ao serviço que presta à comunidade, de favorecer o canto da assembléia, ora sustentando, ora fazendo pequenos gestos de regência, contribuindo para a participação ativa de toda a comunidade celebrante (Carta aos agentes da música litúrgica no Brasil, CNBB, 2008)

...tem importância a letra na música litúrgica, sobretudo porque ela tem a primazia, e a música está a seu serviço. A descoberta da beleza de um canto litúrgico passa necessariamente pela análise cuidadosa do conteúdo do texto e da poesia. A beleza estética não é o único critério. Muitas músicas cantadas em nossas liturgias estão distanciadas do contexto celebrativo. (Carta aos agentes da música litúrgica no Brasil, CNBB, 2008).

...existe um canto adequado para os vários momentos da liturgia e para as várias liturgias, pois, “verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; é necessário evitar a improvisação genérica e o canto deve integrar-se na forma própria da celebração” (SCa 42).

...assim, ela será tanto mais sacra quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica, quer exprimindo mais suavemente a oração, quer favorecendo a unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados (SC 112).

...a ação litúrgica recebe uma forma mais elevada quando os Ofícios divinos são celebrados com canto e neles intervêm os ministros litúrgicos e o povo participa ativamente (SC 113).

...não é possível cantar qualquer canto em qualquer momento ou em qualquer tempo. Antes de escolher um canto litúrgico é preciso aprofundar o sentido dos textos bíblicos, do tempo litúrgico, da festa celebrada e do momento ritual (Carta aos agentes da música litúrgica no Brasil, CNBB, 2008).

1. Relação entre música e rito: três tipos de canto na celebração, em grau de importância:
1) Missa em Canto – cantos do presidente da celebração e dos ministros em diálogo do Ordinário com a assembléia: saudação inicial do presidente, oração do dia, introdução ao Evangelho – diálogo, oração sobre as oferendas, prefácio, as diversas aclamações na Oração Eucarística, Oração do Senhor (Pai Nosso), com a introdução e o prolongamento, oração e saudação da paz, oração após a comunhão, as fórmulas de despedida.

2) Os cantos que constituem o rito: as partes do Comum da Missa, chamadas também de Partes Fixas ou Cantos do Ordinário, cantados em comum, pelo presidente, os ministros e toda a assembléia: Senhor, tende piedade de nós – Kyrie, Glória, Salmo responsorial, Creio (Símbolo), Preces, Santo, Aclamação memorial, Doxologia final.

3) Os cantos que acompanham o rito: as partes da Missa ou o próprio da Missa, cantos de abertura, aspersão do povo, aclamação ao Evangelho, resposta da oração universal dos fiéis, canto da apresentação dos dons, fração do pão (Cordeiro de Deus) e canto da comunhão. Ainda: canto do abraço da paz, pós-comunhão e louvor final (facultativos).

Continua...
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