quinta-feira, 17 de abril de 2008

Música litúrgica - critérios para escolha dos cantos



Música Litúrgica[1]

CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DOS CANTOS

Ione Buyst*

Quando é que podemos dizer que uma música é litúrgica? O que se exige de uma música na liturgia?
Em que critérios deverão se basear os responsáveis pela música litúrgica nas dioceses, paróquias e comunidades, para escolher o canto certo num repertório tão vasto de músicas de cunho “religioso”? E os compositores? A que exigências deverão obedecer suas criações, se quiserem prestar um serviço ao povo cristão reunido para o culto?
Da constituição conciliar sobre a liturgia e os demais documentos oficiais da Igreja após o Concílio, destacamos seis exigências:
1. O canto na liturgia deve nascer da Palavra de Deus.
2. Deve ser cantado pelo Povo.
3. Deve ser cantado numa linguagem musical própria a cada comunidade.
4. Deve criar união na comunidade.
5. Deve ser uma forma de verdadeira arte.
6. Deve ser um sinal litúrgico.

1. O CANTO NA LITURGIA DEVE NASCER DA PALAVRA DE DEUS

O canto na liturgia deve nascer da Palavra de Deus, e “os textos sejam tirados, principalmente da Sagrada Escritura e das fontes litúrgicas” (SC, 121).
Quer dizer, que os poetas e compositores deverão deixar-se conquistar e converter-se pela Palavra de Deus, sentir o “suave e vivo afeto pela Sagrada Escritura” (SC 24), e viver a vida litúrgica... para poderem oferecer ao povo cristão cantos apropriados ao seu culto.
Quer dizer também que, para poder cantar e viver o mistério pascal, o povo deve receber o anúncio da Salvação, de maneira sempre renovada. “Como invocarão Aquele em quem não creram?” (Rm 10,14 – SC 9). E toda e qualquer pastoral da música litúrgica deve inserir-se no esforço de Evangelização constante de toda a Igreja. Pois, “antes que os homens possam achegar-se à liturgia, é necessário que sejam chamados à fé e à conversão” (SC 9). E isso é possível somente numa vivência do mistério da Trindade que se comunica a nós na comunhão eclesial e na vida fraterna de uma comunidade concreta.

2. DEVE SER CANTADO PELO POVO

Conseqüência lógica da redescoberta do sacerdócio dos batizados e a função da assembléia litúrgica: quem celebra é o “Corpo Místico de Cristo, Cabeça e membros”, e “Cristo Sacerdote e seu Corpo que é a Igreja” (SC 7). A própria natureza da liturgia exige, pois, a participação plena, consciente e ativa de todo o povo cristão, que pelo batismo se tornou geração escolhida, sacerdócio real, povo santo conquistado por Deus (Cf. SC 14). E é dever dos bispos e outros pastores “cuidar que toda a comunidade dos fiéis possa participar convenientemente e ativamente de todas as celebrações realizadas com canto” (SC 114).
Acabou-se, pois, o monopólio dos corais. É o povo que deve cantar. O povo se torna ator e cantor e deixa de ser apenas ouvinte e espectador.
Os corais podem e devem continuar existindo, porém, muda a sua função: deve promover a participação ativa de todo o povo. A sua preocupação não deve ser meramente artística (cantar bonito e ter um repertório artístico); mas pastoral: cuidar da participação de todo o povo, escolher músicas que sejam sinais litúrgicos, como será explicado no item 6. O coral deixa de ser um grupo à parte: deve estar inserido na assembléia como um membro no Corpo. E não podemos mais imaginar um grupo que participe da Igreja somente no canto: os membros do coral devem ser membros plenos e ativos da Igreja-Comunidade. Não devem ser artistas ou profissionais que, de fora, vêm embelezar o culto. Também o seu lugar no espaço da igreja deve manifestar esta unidade. Não deve estar longe do povo, no coro, por exemplo, mas unido ao povo; não deve participar somente nos momentos do canto, mas em toda a celebração. O mesmo vale para o organista e os outros instrumentistas.
O salmista ou o cantor, ou mesmo o coral, podem em certos momentos da celebração alternar com o canto do povo, porém nunca substituí-lo. Podem cantar os versos ou algumas partes mais difíceis, deixando para o povo o canto do refrão. Porém, nunca poderão cantar sozinhos aqueles cantos que são próprios de todo o povo: “o Santo, o salmo responsorial, as respostas e aclamações, o canto de entrada e da comunhão, o Senhor tende piedade, o Glória, o Cordeiro de Deus, o Credo, o Pai Nosso. Essas partes são a liturgia cantada pelo povo” (Doc. CNBB nº. 2ª, Pastoral da Eucaristia, item 5.2.1).
E o povo canta mesmo! Basta dar-lhe oportunidade e oferecer música que caia no ouvido, que lhe ressoa na alma, num ritmo capaz de arrastar seus sentimentos e tocar o seu coração. É o que diz o parágrafo seguinte.

3. DEVE SER CANTADO NUMA LINGUAGEM MUSICAL PRÓPRIA A CADA COMUNIDADE

Para uma comunidade celebrar o mistério pascal cantando, é preciso que possa se expressar numa linguagem musical própria àquela comunidade. O concílio reconheceu este imperativo, abrindo as portas para a necessária aculturação e a pluriformidade.
Não se trata mais de um repertório universal aplicado a todos os povos e a todas as culturas; não se trata de dar nome litúrgico para um ou outro instrumento. É preciso que cada povo possa exprimir o mistério cristão dentro da cultura que lhe é própria e com os elementos desta cultura. Ou, como lembra o documento do Papa Paulo VI – Evangelização no mundo contemporâneo: “a edificação do Reino não pode deixar de servir-se dos elementos da cultura e das culturas” (art. 20). E vale a pena lembrar o artigo 119 da SC: “Deve-se levar em conta a estimação da música dos povos com tradição musical própria, e adaptar o culto à sua mentalidade”, de acordo com o artigo 39 e 40 (que trata da adaptação da liturgia à índole e cultura de cada poço).
É preciso, pois, criar uma música litúrgica genuinamente brasileira, porque, só assim, a participação do povo poderá ser autêntica e atingir a pessoa toda: corpo, alma e sentimento...
Os artigos 117 e 19 da SC lembram ainda outra exigência para a música na liturgia: a pluralidade. O estilo de música deve ser conforme cada comunidade ou assembléia concreta: é preciso promover a participação interna e externa dos fiéis, levando em conta “a idade, condições, tipo de vida e grau de cultura religiosa”, e providenciando uma música mais simples para uso de igrejas menores.
Cada comunidade deverá escolher (e quem sabe, também criar) sua música dentro das possibilidades e dos recursos daquela comunidade: há violonistas na comunidade? Cante-se com violão. Tem sanfona e sanfoneiro ou bandolim, ou cavaquinho, ou berimbau?... Toque-se ao som da sanfona, do bandolim, do cavaquinho ou do berimbau... O povo costuma “tocar” caixa de fósforos ou bater palmas? Que se exprima também isso na liturgia. Gostam de cantar a vozes? Pois que cantem. Se numa outra igreja tem órgão e organista, use-se o órgão..., se com isso aquela comunidade puder cantar e se exprimir melhor...
O importante é que aquele modo de se exprimir seja autêntico para aquela comunidade. Não se trata, pois, apenas de “gostos” individuais, de seguir a “moda” musical: para ser autêntico o canto deverá estar enraizado nas bases folclóricas.

4. DEVE SER UMA FORMA DE VERDADEIRA ARTE

A música litúrgica deve ser “verdadeira arte” (SC 112). Sem querer dar aqui uma definição do que seja “arte”, (o que ninguém consegue), devemos nos lembrar daquilo em que todos estão de acordo: não podemos restringir a “arte” à composição erudita, ou à arte clássica aprendida (até que ponto?) por uma pequena elite com maiores recursos culturais e econômicos, mas fechada à maioria da população brasileira. Há também uma arte popular! E, felizmente, já se iniciou um movimento de revalorização desta arte popular e folclórica, também aqui no Brasil, tanto no campo da música, como da poesia ou do artesanato...
O que faz que uma poesia ou melodia seja “arte” e outra não? Impossível dizê-lo. Mas toda pessoa que tem um pouco de sensibilidade, logo a reconhecerá e ficará encantado com ela. Talvez porque a arte, a verdadeira – e só ela -, seja capaz de exprimir nas entrelinhas, toda a intensidade de vida de um povo, sentida, vivida a partir do interior...
Não explica; insinua, deixa adivinhar. Não explicita; faz apenas alusão.
Por que a música e o canto na liturgia devem ser verdadeira arte? Exatamente porque o mistério da nossa união com Deus é tão grande, é tão imenso e tão maravilhoso, que somente a arte é capaz de exprimir. Não podemos entendê-lo de todo: apenas adivinhar e intuir; não somos capazes de explicar, apenas de sentir e viver... O mistério escapa às explicações gramaticais, matemáticas, exatas. Ele é maior e o ultrapassa. E é por esse mesmo motivo certamente que, para explicar o Reino dos Céus, Jesus Cristo não dava aulas de filosofia, mas falava em parábolas!

5. DEVE CRIAR UNIÃO NA COMUNIDADE

A música deve criar união na comunidade, ou, como diz a SC, art. 112: deve favorecer a unanimidade. A união das vozes cantando num mesmo ritmo, numa mesma melodia, numa mesma intensidade, de fato, exprime e fortalece o sentido do grupo ou da comunidade. Não só com a comunidade concreta ali reunida mas, também, com toda a comunidade dos santos no céu e da terra, unindo-nos aos coros dos anjos (SC 8) e ao próprio Filho de Deus “que veio trazer à terra aquele hino que é cantado por todo o sempre nas habitações celestes” (Instrução “Liturgia das Horas”, 3).
O canto deve abrir-nos para a realidade maior que nos envolve e que ultrapassa o tempo e o espaço. A música deve ajudar-nos a ter os “Corações ao alto”, numa participação antecipada, mas real, da liturgia celeste, frente ao trono do Cordeiro descrito no Apocalipse (SC 8) e que continuaremos celebrando numa festa sem fim, quando Deus será tudo em todos e Cristo terá entregue o Reino nas mãos do Pai (Introdução da Liturgia das Horas, 16).
Será que nossas músicas não são um pouco acanhadas e restritas demais para serem capazes de levantar os ânimos e abrir os horizontes de nossos corações e inteligências?

6. DEVE SER UM SINAL LITÚRGICO

Há uma frase no artigo 122 da constituição conciliar que é fundamental para a compreensão do novo papel da música na liturgia: “A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica”.

A) – A partir deste momento, pois, o termo, “música sacra” não deve ser mais entendido como um determinado estilo de música: música “religiosa”, capaz de suscitar emoções ou uma espécie de sensação mística; ou então música de órgão ou harmônio. O termo “música sacra” (nascido do protestantismo alemão do século XVII) está, aos poucos, dando lugar para o termo mais exato de “Música Litúrgica”.
B) – Não excluindo de tudo a expressão musical sem palavras, o termo música litúrgica se refere principalmente ao canto “baseado em palavras” (SC 112).
O canto é o meio de o povo cristão exprimir sua fé, gritar seu desespero, chorar suas mágoas, declarar seu amor a Deus, implorar o perdão, proclamar a ressurreição, cantar sua gratidão e seu louvor, aclamar seu Senhor, unir-se a Ele em comunhão. É um meio de comunicação do povo com seu Deus, ou, como dizia Paulo VI: “é linguagem da comunidade em oração”. Ele é ação litúrgica; mesmo quando acompanha um rito – como no caso das procissões, ele não é enfeite, mas parte integrante daquele rito.
Não é monólogo, uma reflexão em voz alta, uma meditação; é diálogo, conversa, resposta: dirige-se a Alguém. Alguém que está presente no meio de nós e que está presente de uma maneira ativa: falando, interpelando, perdoando, unindo, entregando seu Corpo e Sangue. Por isso é importante o estilo direto. Não falar sobre Jesus Cristo, mas dirigindo-se a Ele: “Senhor, tende piedade!”, “Vem Senhor!”, “Recebe Senhor!” Não dar indiretas ao povo, mas dirigir-se a ele: “Ressuscitei, aleluia”, “Louvai ao Senhor!” Como as outras respostas e aclamações, o canto cria a comunicação orante da Igreja-Esposa com o seu Esposo, o Cristo, Nisso, o canto litúrgico do “canto de mensagem”, ou do canto de cunho didático ou catequético. Não se trata de ensinar, de inculcar idéias, de transmitir mensagens. Trata-se de dar ao povo reunido, um meio de expressão e de diálogo.
C) – A liturgia não é aula. É ação. O canto na liturgia é, pois, um meio de viver o mistério que está sendo celebrado: o mistério pascal de Jesus Cristo, a aliança de Deus com seu povo, a Salvação trazida por Jesus Cristo, hoje. Não uma salvação fora do tempo e do espaço, e sim encarnada nas realidades vividas no dia a dia. Como bem o lembra o documento de Medellín (CELAM), a liturgia, e portanto, também a música na liturgia, coroa e comporta um compromisso com a realidade humana, com o desenvolvimento e com a promoção, precisamente, que abrange a totalidade do homem. Ela deve “levar a uma experiência vital da união entre a fé, a liturgia e a vida cotidiana!”
Não é verdade que a maioria dos nossos cantos ainda se restringem ao plano pessoal e de relações interpessoais, onde o “eu” está no centro das atenções (eu quero, eu gosto, eu sinto...)? Há poucas músicas que cantam a preocupação com a salvação do mundo, com a conversão freqüente aos valores a que se apega a sociedade e que estão levando a humanidade à predição: o lucro, a violência, o poder... Não estou pedindo com isto, músicas de protesto; apenas, como em toda a tradição bíblica, o canto do povo de Deus deve nascer da solidariedade e da preocupação com o destino de todos.
Bem o lembrou Dietrich Bonnhoeffer, o teólogo protestante, na última guerra mundial, quando os judeus estavam sendo exterminados pelos nazistas e o próprio Bonnhoeffer estava preso: “Somente quem grita em favor dos judeus, é que tem o direito de cantar o gregoriano”.
Pois, senão, Deus mesmo nos dirá: “Aborreço suas festas; são um desgosto para mim! Fiquem longe de mim com o barulho de seus cânticos; não quero mais ouvir a música dos instrumentos de vocês...” (Am 5,21-24).
Para poder compor textos e músicas que exprimem a morte e a ressurreição de Jesus Cristo e dos membros do seu Corpo, é preciso que os poetas e compositores, como membros desse Corpo, “chorem com os que choram e se alegrem com os que estão alegres”. Para podermos cantar de maneira autêntica este mesmo mistério, é preciso que todos nós sejamos solidários e levemos a sério o sofrimento e a luta dos nossos irmãos, para podermos também sentir a esperança e a vida que vem da fé em Jesus Cristo.
D) – Estando inserido na ação litúrgica, o canto deverá exprimir o sentido da festa do dia ou do tempo litúrgico (advento, natal, páscoa, tempo comum, etc.), a função de cada canto (entrada, salmo de resposta, comunhão, aclamação eucarística, etc.) e o tipo de celebração: batismo, casamento, eucaristia, oração da comunidade, etc.
Celebrando a Páscoa de Jesus Cristo, não apenas lembramos o acontecimento passado, mas, tomamos parte nessa mesma ressurreição, em virtude da sacramentalidade da liturgia. Com Cristo podemos dizer e cantar: “Ressuscitei, aleluia!” No Natal não lembramos apenas o nascimento do Cristo 2000 anos atrás, na gruta de Belém, “mas também o Verbo que nasce em nós e na nossa comunidade: “Nasceu-nos HOJE um Salvador”.
Será que nós levamos a sério essa dimensão sacramental da celebração litúrgica? Será que acreditamos mesmo nesse hoje da liturgia? Será que estamos sabendo que o “Cristo está presente quando a Igreja reza e salmodia”? Que é Cristo quem fala quando se lê a Bíblia na igreja? E que quando alguém batiza, é Cristo que batiza? (Cf. SC 7). E essa presença nos deixa indiferentes?!
O canto deve exprimir a ação de Cristo na comunidade, e a resposta dos participantes que aceitam alegres esses dons da salvação.ó o Verbo que nasce em nscimento do Cristo 2000 anos atrs parte nessa mesma ressurreiç Como podemos, pois, num casamento cantar outra coisa que não seja a aliança e a comunhão de deus com seu povo, que se realiza e se torna visível no compromisso de fidelidade e no amor mútuo dos noivos? Como podemos, pois, no batismo cantar outra coisa que não seja a inserção de um novo membro no Corpo de Cristo e a nossa participação na vida divina? Como cantar no dia de Pentecostes outra coisa que não seja a vinda do Espírito Santo na nossa comunidade cristã, hoje, para que sejamos testemunhas da ressurreição e fermento de unidade?
Na hora da comunhão no Corpo e Sangue de Cristo “não basta estarmos pensando em Deus...” ou seja ouvindo “a chuva no telhado”, que para mim é cantiga de ninar, mas que deixa o pobre irmão na lama e no desespero... Isso vem depois (e num dia de chuva de preferência).
Mas na hora da comunhão é preciso exprimir de maneira clara e jubilosa, que “o Senhor é nossa comunhão”, que não anda sozinho quem vive em comunhão”, e “quem come deste pão viverá eternamente” – É preciso ouvir o Senhor nos falar nesse momento: “Eu quis comer esta ceia agora...!” É preciso reafirmar a nossa adesão à Palavra que ouvimos naquele celebração, pois o Cristo que nos dá seu Corpo e Sangue que é o mesmo que falou para nós no evangelho. Aliás, é por isso que muitas antífonas da comunhão retomam versos do evangelho ou fazem alusão às leituras do dia: “Põe a mão nas minhas chagas...” (2º domingo da Páscoa); “Cheios do Espírito Santo, proclamavam as maravilhas de Deus!...”(Pentecostes).
E) – Na liturgia, objetos e gestos da vida cotidiana, tornam-se sinais litúrgicos, símbolos da fé cristã, que somente os fiéis compreendem. O pão, o vinho e a refeição eucarística, a água e o banho do batismo, o óleo e a unção..., sem deixar de ser pão, vinho, água... tornam-se portadores de uma nova realidade: o reino de Deus, a diva divina, a comunhão no Corpo de Cristo... Assim também o canto e a música, sem perder nada de suas características, ou melhor, ampliando e alargando-as até o infinito, até o transcendente, até o mistério total de nossa fé, eles se tornam portadores da nova realidade inaugurada por Cristo.
Os ritmos, a harmonia, as características do samba, da marcha-rancho, do baião, são colocados a serviço do povo de Deus para que ele possa exprimir, viver e celebrar o mistério de sua fé.

CONCLUINDO

Se a renovação da música litúrgica já deu passos enormes, ainda há muito caminho pela frente. Neste tempo de crescimento, devemos ir, aos poucos, substituindo as criações menos litúrgicas e menos artísticas por novas criações mais maduras e mais de acordo com a função na liturgia.
O esforço não deve ser só dos compositores e poetas. É preciso um trabalho de educação musical e litúrgica de todo o povo. Não basta ter bons compositores e poetas; devemos nos convencer da urgente necessidade de ter, em cada comunidade, pelo menos uma pessoa, um ministro do canto litúrgico, que tenham o dom e a formação musical, litúrgica, pastoral e pedagógica, para levar avante este trabalho.
Impossível? Por quê? Se estamos convencidos da necessidade de catequistas para crianças, se gastamos dinheiro na preparação de futuros padres, se achamos necessário multiplicar os ministros extraordinário... Por que não nos preocuparmos também com o ministério do canto litúrgico? Pois, tão urgente quanto a criação e a divulgação de novas músicas é a elaboração de uma pedagogia que leve o povo cristão a saber viver a música: sentir com a música, pensar com a música, rezar com a música, entregar-se a Deus através da música.


[1] Revista de Liturgia, Setembro/Outubro de 1976, nº. 17.
* Ione Buyst, há muitos anos dedica-se à formação e à Pastoral Litúrgica. Assessora encontros e ministra cursos de liturgia em muitas regiões do Brasil. É membro-fundadora da Rede Celebra, Rede de Animação Litúrgica.
Postar um comentário