domingo, 13 de abril de 2014

Mistagogia* do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor


- Pedagogia do Ano Litúrgico no caminho da fé (Eurivaldo S. Ferreira)

(Depois de ter celebrado, num determinado momento do dia ou da semana, mergulhar nos textos, saboreando-os, a fim de aproveitar de seus ensinamentos para dar frutos na vida, no cotidiano de nossa existência).

1. Ler novamente os textos da celebração (Evangelho, 1ª Leitura, Salmo, 2ª Leitura, Orações: Coleta, Oferendas, Comunhão, Prefácio- nesta ordem)
2. Ler como se estivesse lendo pela primeira vez; se se perder, voltar ao começo da leitura;
3. Meditar a partir dos textos: o que diz o texto?; o que o texto diz para mim?; o que o texto me faz dizer a Deus?; o que o texto me faz dizer ao mundo?
4. Ruminar o texto, deixando-o digerir-se em nosso cotidiano, fazendo-o ressoar em nossa páscoa diária.
5. Assumir nos próximos dias alguma atitude a partir da meditação.

- A partir do Evangelho (Mt 26,14-17,66):
A fragilidade de Jesus diante de seus carrascos tem a densidade de um gesto profético. Ele se recusou, até o fim, a entrar na ciranda da violência, que paga com a mesma moeda a injustiça sofrida. Não respondendo ao mal com o mal, Jesus conseguiu desarticulá-lo, mostrando que é possível ao ser humano não se deixar dominar por seus instintos perversos. Assim também nós, abrindo-nos espírito de justiça presente em Jesus, pedimos que a contemplação da morte de Jesus nos torne sensíveis às injustiças que ainda hoje se cometem contra tantos inocentes.

- A partir da 1ª Leitura (Is 50,4-7):
Na primeira leitura, Isaias pede que nos moldemos à missão do Pai, mesmo passando por situações que mexem com nossos brios (calúnia, difamação, ofensas etc). E Paulo, na segunda leitura, pede que examinemos se o nosso projeto de vida coincide com o de Jesus, servo obediente até o fim, ou se pautamos nossas vidas segundo as leis da sociedade injusta.

- A partir do Salmo Responsorial (Sl 21):
A atitude de entrega total na confiança a Deus e no amor aos irmãos é uma atitude de liberdade diante de qualquer provação. Com Jesus, nesta liturgia, temos a certeza de que a missão não é vã. Depois da morte vem a ressurreição. Depois da noite vem o dia. Depois das trevas, nasce a luz. Esta esperança nos conforta e nos solidifica na fé.

- A partir da 2ª Leitura (Fl 2,8-9):
A oferta espiritual de si mesmo é acolhida por Deus, mas nós não podemos fazer isso por nós mesmos. Cristo fez isso por nós, de uma vez por todas, tornando-se o próprio pecado para nos salvar. Sobretudo, temos de nos fazer como o Cristo, tendo os mesmos sentimentos que Cristo teve para que reine entre os irmãos o amor e a concórdia.

- A partir da orações (Coleta, Oferendas, Comunhão):
Aprendemos com Jesus o ensinamento de sua paixão e ressuscitamos com ele em sua glória (oração da Coleta).
Não conseguimos o perdão através de nossas obras, mas pelo sacrifício de Cristo (oração sobre as oferendas).
Pedimos a Deus que com a morte de Cristo faça-nos esperar o que cremos, e com sua ressurreição alcançar o que buscamos (oração pós-comunhão).

- A partir do Prefácio:
A centralidade do mistério concentra-se no Cristo, o Inocente e Santo que, livre, e por iniciativa própria, quis ser condenado a morrer, e sua morte apaga nossos pecados e nos traz a ressurreição: vida nova.

= Chave de leitura: o Cristo de Mateus (Ano A)
Seu Cristo não é dominado pelos acontecimentos, mas se apresenta como Senhor. Tem o poder de solicitar 12 legiões de anjos, mas renuncia ao uso do poder, não opõe violência a violência e escolhe o caminho da humildade, isto é, das Escrituras, reconhecendo nesse caminho a vontade do Pai. Só depois de ter percorrido este caminho da humildade aparecerá sobre as nuvens do céu, dotado de todo poder no céu e na terra. Na linha das Escrituras vê-se também como durante a paixão o Reino (sentido do Getsêmani) está presente só em Jesus. O discípulo (a Igreja) é aquele que deve viver a mesma experiência de paixão e morte (sentido, segundo o contexto do “vigiai comigo”).

*Mistagogia = entrar no mistério, mergulhar no mistério => pedagogia da Igreja para nos educar na fé e crescermos à estatura do Cristo.
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