Postagens

O dia da Paixão do Senhor: o que esperarmos desta celebração?

Imagem
         Eurivaldo Silva Ferreira                   O Espírito nos devota neste dia a termos a mesma atitude de Maria aos pés da cruz de Jesus, a contemplação e a meditação dos fatos do cotidiano da vida. Em João 19, 25-27, não relata qual foi a atitude de Maria, mas nós podemos intuir: todos os dias morremos e ressuscitamos, nossos corpos e os corpos de tantos sofredores por causa da violência são entregues à morte, muitas vezes por causas banais e com sinais extremistas de violência que beiram a insanidade. Permanecer de pé junto da cruz é permanecer junto daqueles que sofrem essas violências, mártires do cotidiano de sua existência, fazendo suas entregas diárias, ao mesmo tempo rogando ao Pai que os acolha, em sua infinita misericórdia. Perdendo nossos entes queridos, quaisquer que sejam as formas de morte, perdemos o fruto de nosso ventre, assim como Maria, Mas ela, a ‘Mulher’ de pé, a mulher da ‘Hora...

Sexta-feira da Paixão do Senhor

Imagem
Sexta-feira da Paixão do Senhor Na Sexta-feira da Paixão do Senhor celebramos a Palavra de Deus, como mistério que anuncia o sentido prefigurado da morte de Jesus, elemento fundamental deste dia. É atualizada a memória da cruz, com sua es trita ligação com a ressurreição. Não é um dia de luto e de pranto, mas dia de amorosa contemplação do sacrifício cruento de Jesus, fonte de nossa salvação. Não vivemos esse dia como se estivéssemos num funeral, mas celebramos a morte vitoriosa do Senhor Jesus. A celebração é composta de três momentos importantes: a) a liturgia da Palavra, b) a adoração da cruz e c) a comunhão. Quatro elementos ligados ao mistério deste dia são importantes: 1. O jejum (relacionado ao corpo), 2. A oração (relacionado ao espírito), 3. O vazio (relacionado ao espaço, no caso, a igreja) e 4. O silêncio (relacionado à dimensão cósmica e temporal, pois é o cosmos que será impregnado de páscoa, por isso ele aguarda silenciosamente a atuação do Espírito que faz com que Jesu...

Os gestos de Jesus na última ceia

Imagem
Eurivaldo Silva Ferreira Na última ceia em que Jesus se reuniu com seus discípulos os evangelhos narram quatro gestos: 1) tomou o pão, 2) deu graças, 3) partiu o pão 4) e deu a seus discípulos. Na missa, presenciamos esses  quatro gestos de uma maneira bem visível. Vejamos o seguinte esquema: Gestos de Jesus na última ceia Correspondente ritual na missa Tomou o pão ==> Apresentação das oferendas Deus graças ==> Toda Oração Eucarística Partiu o pão ==> Cordeiro de Deus Deu a seus discípulos ==> Comunhão Analisando os gestos de Jesus e transportando-os para a celebração da missa, podemos afirmar que na missa os gestos do passado, que foi histórico, tornam-se agora atuais, de forma memorial, e a comunidade reunida os vivencia, de modo que, esta mesma comunidade, vivendo seu presente, olha para o futuro, para o que há de vir, para o que chamamos de parusia. Por isso a liturgia tem procurado expressar pelo rito a preocupação de “atualizar” o significado da história sag...

O Dia da Celebração da Ceia do Senhor e a memória de sua entrega ritual

Imagem
Eurivaldo Silva Ferreira Já que a Quaresma se propôs como um itinerário que nos levou a uma espécie de ‘caminho de retorno’ a uma vida nova que tem seu cume na páscoa, agora a missa da c eia é início páscoa, pela qual o Senhor faz novas todas as coisas: nova páscoa, vida nova. Esta vida nova nos é dada pela celebração do mistério, pela qual relembramos a cada ano os mesmos gestos que Jesus fez, a fim de ‘chegarmos à plenitude da caridade e da vida’ (Oração de Coleta). Trata-se de entender como um itinerário contínuo. Ao participarmos da Ceia do Senhor sentimos o impulso do Espírito que age em nós, permitindo-nos devotar a nossa vida a uma causa, a causa do Reino, como Jesus fez em seu amor até o fim. A Campanha da Fraternidade é um belo exemplo de um gesto exterior que tem como origem uma atitude espiritual. A atitude deste dia é a de dar graças, bendizer ao Senhor. ‘Jesus tomou o pão nas mãos, deu graças e o partiu e deu a seus discípulos’, diz a Oração Eucarística IV. Quem é ...

Aspectos teológicos da Celebração da Ceia do Senhor

Imagem
Eurivaldo Silva Ferreira A Eucaristia é memória da cruz, memória de alguém que deu sua vida numa cruz, pois tinha que anunciar a verdade do amor de Deus que liberta. Jesus, percebendo essa realidade de que não v ai escapar mais, faz a memória dessa libertação que o levou para a morte, re-significando na páscoa judaica sua própria páscoa. “Para deixar meu povo livre, eu não me arrependo de nada que fiz, e façam a mesma coisa que eu fiz, como sinal de memória. Não deixem ninguém no desamor, fora dos benefícios da sociedade”. E em sinal simbólico e sacramental parte o pão, e pega o cálice com vinho, dividindo-o entre os seus convidados. O cálice é sinal da Aliança, reportando aquela Aliança firmada entre Deus e o povo do Antigo Testamento. No AT, o sangue dos animais sacrificados no templo era o sinal do sacrifício, era a oblação, a oferta que subia a Deus, com sangue lavado na terra, para agradá-lo. Jesus projeta no cálice com vinho o seu próprio sacrifício, atualizando o ato dos a...

Na Missa da Ceia do Senhor, o que deve ser levado em consideração

Imagem
Eurivaldo Silva Ferreira 1. O canto inicial abre a celebração desta noite. É um texto paulino (Gl 6,14), que exprime o caráter pascal da vida cristã: uma vida que se gloria da cruz do Senhor Jesus, un icamente no qual se encontra a salvação: “Quanto a nós, devemos gloriar-nos na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, que é nossa salvação, nossa vida, nossa esperança de ressurreição, e pelo qual fomos salvos e libertos”. 2. As orações sublinham o aspecto sacrificial e nupcial do banquete eucarístico; o seu caráter memorial do sacrifício do Senhor; enfim, pede-se para conseguirmos, através da celebração deste mistério, a plenitude de caridade e de vida, e para sermos, um dia, acolhidos entre os convidados no glorioso banquete do céu. O prefácio usado neste dia evidencia o caráter sacramental, sacrificial e escatológico próprio de toda celebração eucarística: a missa é proclamação eficaz da morte salvífica de Cristo até a sua vida (cf. 1Cor 11,26). 3. As leituras desta missa nos falam d...

Mistagogia* do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Imagem
- Pedagogia do Ano Litúrgico no caminho da fé (Eurivaldo S. Ferreira) (Depois de ter celebrado, num determinado momento do dia ou da semana, mergulhar nos textos, saboreando-os, a fim de aproveitar de seus ensinamentos para dar frutos na vida, no cotidiano de nossa existência). 1. Ler novamente os textos da celebração (Evangelho, 1ª Leitura, Salmo, 2ª Leitura, Orações: Coleta, Oferendas, Comunhão, Prefácio- nesta ordem) 2. Ler como se estivesse lendo pela primeira vez; se se perder, voltar ao começo da leitura; 3. Meditar a partir dos textos: o que diz o texto?; o que o texto diz para mim?; o que o texto me faz dizer a Deus?; o que o texto me faz dizer ao mundo? 4. Ruminar o texto, deixando-o digerir-se em nosso cotidiano, fazendo-o ressoar em nossa páscoa diária. 5. Assumir nos próximos dias alguma atitude a partir da meditação. - A partir do Evangelho (Mt 26,14-17,66): A fragilidade de Jesus diante de seus carrascos tem a densidade de um gesto profético. Ele se recusou,...